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sábado, 12 de maio de 2012 - 14:40

Um carro do futuro que seja mudo, por favor

Adoro ver que o futuro imaginado no setor automobilístico está acontecendo. Carros que identificam que o motorista está sonolento e

em Gettyimages - todos os direitos reservados

Foto de Eric Audras

emitem alertas, carros que fazem a baliza quase sem auxílio humano, carros sem chave, sistemas de ligação de emergência automática em caso de batida, GPS integrado, painéis que projetam imagens… logo mais realidade aumentada…

Mas tem uma tecnologia que eu acho que ainda vai gerar muito problema: a leitura de SMS pelo sistema do carro com reprodução nos autofalantes do carro. Isso ainda vai dar problema.

Não sei se isso é uma lenda urbana, mas diz a história que alguém influente na sociedade brasileira foi fotografado pelo radar eletrônico acima do limite de velocidade em seu automóvel.

Como não havia muito regramento para a forma como a foto identificadora era tirada, a imagem captada foi a do tal figurão influente e uma moça. Nada demais, não fosse o fato de que, quando a multa chegou em sua casa, ela identificou que o carro estava na rodovia “do amor” (cheia de motéis) e a mulher que estava no carro não era a esposa da personagem importante.

Quem abriu a multa? A Esposa. E o barraco em família estava instalado.

Dias depois o figurão processou o Estado por danos morais. Diz a lenda que venceu o processo, recebeu alguma compensação e ficou determinado, a partir de então, que as fotos de multas não poderiam mostrar os passageiros do interior do veículo.

O que isso tem a ver com um futuro rolo de SMS? Imagine que uma gentil donzela esteja com seus filhos no carro, ou com sua avó, ou com seu marido, e ela receba um SMS ousado, com convites sexuais, propostas indecentes ou até mesmo com um trecho da música da Valesca Popozuda…

A tecnologia não tem sentimentos e as vozes de leitura não serão piedosas.

Para que a justiça não sofra enxurradas de processos por danos morais (e quem sabe materiais), será necessário ou que o usuário aprove a leitura do SMS antes (e o serviço se mostrará inútil) ou surja um filtro dotado de inteligência artificial capaz de entender as sutilezas de um relacionamento. Mas isso seria muito avançado para qualquer processador…

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segunda-feira, 23 de abril de 2012 - 13:14

Quanto vale um celular?

Estou falando sim em dinheiro. Mas duas formas dele.

em GettyImages - Todos os Direitos Reservados

Imagem de Paulo Buchinho

E essa pergunta é bastante interessante, especialmente porque a resposta não está na ponta da língua. E há vários motivos que fazem com que a resposta varie.

Existem, no direito, conceitos de bens materiais e bens imateriais. Assim, por exemplo, um lápis é um bem material, mas os direitos autorais sobre um livro escrito com esse lápis, bem imaterial.

Um carro é um bem material e a participação numa empresa, imaterial.

Há quem chame os bens materiais de tangíveis ou corpóreos e os imateriais, de intangíveis ou incorpóreos. Mas aqui cabe uma ideia de nova classificação: bens mistos, que possuem parte corpórea e parte incorpórea. Os aparelhos eletrônicos, em sua grande maioria, estariam incluidos nessa classe.

Isso porque há a parte dos componentes, dos chips, circuitos, soldas, tela, etc, mas há o sistema operacional e demais aplicativos. Tudo isso está incluso no custo de um celular. E todos precisamos entender.

Lia no jornal que o custo do iPhone é de cerca de US$ 180,00. E via que a população leitora se rasgava em inconformismo dizendo que um bem que custa 180 para ser feito, nao poderia custar 400, 500, 600 dólares…

Me deixa um pouco incomodado quando saem reportagens nesse sentido, de modo irresponsável, dando ao consumidor a ideia de que o custo do bem está meramente atrelado ao custo dos componentes materiais e da montagem do aparelho.

Esquece-se dos custos autorais de todos os softwares e aplicativos compenentes. E passa-se ao consumidor uma ideia errada do valor de um bem, restringindo-se à mera materialidade.

Mas com o avanço dos códigos abertos, do lucro possível sobre aplicativos para smartphones, das lojas online acessíveis e da idéia de baixo preço e alta popularidade, tudo isso somado à boa velocidade e capacidade dos dispositivos, a cada dia mais adquire-se programas para tablets e smartphones.

Mas em breve o smartphone passará a ter valor inferior aos aplicativos nele contidos.

Isso significa, que os aplicativos, hoje, agregam valores e utilidades aos smartphones e ipads, de modo que o tornam mais valioso ou mais úteis.

Na advocacia, há algo semelhante. Dá uma trabalheira bastante grande fazer boas peças. E boas peças têm base teórica que, não raro, pode ser aproveitada em muitas outras peças. Sendo assim, escritórios costumam desenvolver peças modelo, que acabam sendo utilizadas e modificadas muitas vezes.

Como existem muitas peças, chega um momento, depois de muitos anos de advocacia, que constituímos um acervo (ou arsenal) muito precioso e colocamos em nossos pen drives e sistemas. Acreditem: esses arquivos valem MUITO mais que os sistemas.

Repete-se, pois, a máxima: o conteúdo vale mais que a aparência!

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 - 10:02

Enfim, SOS

Quem nunca viu um telefone celular de um amigo, que se vangloriava pelas incríveis

por Bloomberg/Contributor

disponível em Gettyimages.com

tarefas que o aparelho era capaz de executar e fez a fatídica pergunta: “E ele faz ligações também?”

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu a frase: “eu só quero um aparelho que faça e receba ligações” ou então “10 anos atrás a gente viva muito bem sem celular”.

Eu compreendo perfeitamente certas indignações com o fato de estarmos cada dia mais sendo vigiados porque se exige ou porque nós mesmos permitimos que nos vigiem. Mas dizer que a tecnologia é dispensável e pregar um retorno à vida sem celular, me parece irreal.

Afinal, o conceito de TECNOLOGIA não está associado puramente à lógica da informática. Manuel Castells, sociólogo famosíssimo, mostra em suas obras que tecnologia deve ser compreendida como toda a técnica capaz de gerar melhoria no uso dos recursos disponíveis. Por isso, por exemplo, o uso de rotação de culturas no plantio, é tecnologia e ninguém pensa como era melhor a vida sem ela.

Idem no que se refere à penicilina, ao papel ou ao cartão de crédito. Sendo assim, é possível afirmar que tecnologia é um conceito cumulativo e progressivo. Não há que se pensar em sociedade dando passos para trás em tal conceito (os naturistas que me perdoem).

E tem muita gente que acha que as geotags são o novo big brother. Que elas violariam o conceito constitucional de intimidade.

Em parte eu concordo. Se você pensar em câmeras te filmando sem que você saiba ou celulares te seguindo e monitorando seus passos sem o seu consentimento, isso certamente é ilegal. É como se as pessoas livres tivesses as tais tornozeleiras eletrônicas sem nunca terem feito nada de errado.

Mas se houve liberdade, a disposição da intimidade é totalmente aceitável.

E vejam que interessante o recente caso de um casal que se perdeu na floresta e graças à tecnologia geolocalizadora foram encontrados em 3 horas, numa situação que, caso tivesse se alastrado por mais tempo, poderia gerar suas mortes.

Também existem programas que combatem crime contra o patrimônio, quase que numa autotutela. O cidadão instala no celular um aplicativo passivo. Caso alguém furte, roube ou se aproprie do aparelho e tente utilizá-lo, o erro da senha por 3 vezes, por exemplo, tira uma fotografia secreta do usuário, aciona o geolocalizador e manda, de tempos em tempos um email informando onde o celular está, com precisão de míseros 30 metros!

A ineficiência das forças públicas, cada vez mais é superada pela criatividade e pelos incríveis avanços da tecnologia!

Será que a tecnologia de geolocalização também resolve isso aqui: http://www.findwaldo.com/ ?

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010 - 15:29

EXISTE UM DIREITO A RESPEITO?

foto de Jackeline Chichetti

Nós, brasileiros, vivemos numa sociedade em que a maior parte é egoísta. E é exatamente isso que nos faz eternos países em desenvolvimento.

Joga-se papel no chão porque se tem preguiça de segurá-lo até a próxima lixeira, desconsiderando-se que ao promover tal atitude, prejudicamos todos os outros ao redor.

Seja ou não difícil de aceitar, fumar é um ato altamente egoísta: para o conforto químico de um, quantos não respiram a poluição da fumaça?

E a tecnologia tem também o seu grau de culpa. Primeiro porque foi conceitualmente criada para um indivíduo somente. Um ipad, um celular, um notebook, um monitor, uma cadeira. Tudo precedido pela palavra “seu”. E dá sempre uma impressão egoísta, antissocial e de a uma espécie de retiro.

E é nos aparelhos tecnológicos que colocamos segredos, senhas, mandamos nossas mensagens mais íntimas, estabelecemos nosso próprio recorde nos joguinhos (e tentamos bater-nos a nós mesmos!) e assim por diante.

O problema, é que a tecnologia que usamos tem um viés tão individualista, que não raro desrespeitamos nosso próximo. Outra vez. E outra vez para nosso conforto egoísta, e em detrimento do outro.

E a mesma mão nossa que nos afaga, pode apedrejar tantos…

Escrevo isso porque leciono há 8 anos, sou um apaixonado por tecnologia e ainda assim há gestos dos quais não me conformo.

E o pior de todos hoje é o uso do celular.

Sempre tem um que toca e incomoda. Em palestras, em aulas, no elevador, na igreja.
Chegou-se a ponto de proibir em escolas municipais de São Paulo que os alunos mantenham o celular funcionando sob pena de sanção disciplinar. Idem em relação a concursos públicos, corroborado pela desconfiança perpétua na burla.

No cinema, no teatro, na sala de aula, no hospital… Pelo menos no Brasil, apesar da ideia bastante divulgada no boca a boca de que o direito de um acaba quando começa o direito de outro, não vejo isso funcionando.

E olha que eu adoro celular e sou um adito. Tenho um blackberry 9700, e não largo dele por nada. Mas fui educado para entender que eu incomodo.

E mesmo sendo viciado, confesso que me sinto um pouco aliviado quando entro em um avião para ir a alguma cidade palestrar ou lecionar. Ufa, finalmente um período de tempo sem os agudos tilintares nem vibrações.

(O pior é que mesmo com o celular desligado, por incrível que pareça eu ainda o sinto vibrando em minha coxa direita… desenvolvemos uma sensibilidade nova nessa região?!)

Também fico muito incomodado quando ouço a aeromoça pedir para que os passageiros aguardem saírem do avião para iniciarem seus aparelhos. Não pela ordem, mas pela desobediência. Dezenas de egoístas ligam o aparelho no momento indevido. E eu temo.

Temo porque não sei o quanto isso é prejudicial para a aeronave, mas há tempos temo porque não sou capaz de aceitar que tantas ondas próximas à cabeça não causam nenhum mal.

Nesta semana, a ANAC liberou o uso de telefones celulares e internet e alguns períodos, nos vôos da TAM. Continuo temendo. Acredito nos testes feitos, mas partindo-se do pressuposto que o fumo foi cancelado em viagens de avião porque o direito coletivo prevaleceu, me questiono se eu não teria o direito de voar, nas próximas vezes, em vôos em que o celular não possa ser ligado. Medo meu, ué. Ou um pouco de sossego, vai saber.

E ontem, em uma palestra que assisti, me revoltou ouvir da boca de um promotor de justiça a seguinte frase: “não desligue seu telefone celular no fórum, na sala de aula, em lugar nenhum! Seu filho ou alguém de sua família pode estar precisando de você!”.

E ainda completou dizendo que não há lei que obrigue ninguém a desligar o aparelho.

Fico incomodado com isso. É claro que todos podemos usar nossos tocadores de mp3, ipads, iphones, etc. Mas antes da tecnologia, vem o tal respeito.

Se não me engano, a palavra, em sua origem latina, significa olhar para trás. E tai uma coisa que a tecnologia faz pouco.

Lembro de estudar com afinco a tal NETIQUETTE, a etiqueta de como se comportar na rede. Não se deve escrever tudo em caixa alta, não se deve anexar arquivos muito grandes, não de deve chamar alguém para conversar no Skype sem primeiro enviar uma mensagem…

Mas eu continuo achando que precisamos olhar também para a atitude fora da rede e sua relação com a tecnologia.

Ficar horas na rede sem ajudar os familiares, enfraquece a relação. Ficar horas no computador jogando jogos, gera problemas na vista (talvez isso encareça até mesmo o serviço público de saúde sem nunca terem notado). Falar alto no celular em público, gravar uma aula no seu mp3… tudo isso gera conseqüências no direito.

Sou favorável à criação de aplicativos mais focados no coletivo. Mas se um dia inventarem um aplicativo para IPhone que vibre a cada vez que um de nós for egoísta demais, preparem suas coxas…

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