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quinta-feira, 1 de março de 2012 - 19:37

Facebook e Direito

Acho interessante como o Direito é careta, em sua grande parte. E acho interessante como o direito brasileiro está atrasado em alguns

em Gettyimages

por David Malan

aspectos. E como ele é conservador quase sempre. E como falta ousadia no nosso meio.

Digo isso porque me parece que a carreira de magistrado pressupõe um nível de ortodoxia com uma raiz meio que antiga, optando muitas vezes pelo método um tanto quanto lento.

Não escrevo para criticar nosso judiciário. Escrevo para elogiar certas ousadias internacionais sobre as quais li recentemente. Todas usando o Facebook.

A justiça da Inglaterra, por exemplo, determinou que, num processo, o advogado possa citar a parte contrária através do Facebook. Isso, no Brasil, seria impensável.

O formalismo do ato exige que sejam obedecidos os moldes dos artigos 213 a 233 do Código de Processo Civil. A vetusta lógica do oficial de justiça que se desloca até a residência, toca a campainha (ou bate na porta) e pergunta pelo futuro réu. Ou o carteiro que leva a carta de citação. Ou o edital, nos jornais de grande circulação. Tudo jurídico. Mas tudo ultrapassado.

Cada dia que passa somos mais fáceis de sermos localizados pelos nossos contatos eletrônicos! E é através da tecnologia que nos dispomos mais. Quer saber o telefone de alguém? Peça pelo Facebook! Ou envie mensagem! Mas no nosso ordenamento, o uso de Facebook seria impensável para tal ato. Mesmo que, se utilizado, gere maior efetividade na prestação jurisdicional.

Na Alemanha, oficializou-se o Facebook como meio útil e habil oficial da polícia para a busca de desaparecidos e de suspeitos. Utiliza-se, pois, a rede social como veículo de denúncias, sejam anônimas, sejam explícitas. Mas o importante (que é achar a pessoa ou o delinquente) e essencial à atividade policial conta, assim, com mais uma ferramenta!

No Brasil, em contrapartida, as empresas e instituições de ensino, têm proibido (até com o uso de termos de compromisso assinado pelos funcionários) ou mesmo exigido que seus empregados APAGUEM suas contas do Facebook. Não. Eu não disse “não usem durante a jornada”. Os termos exigem que o empregado APAGUE a conta ou, se não tiver uma, NUNCA A TENHA. E acredite. Sob pena de demissão por (ilegal) justa causa.

Fora as ações correntes aqui no Brasil, movidas por entes públicos, para PROIBIR que os usuários que tenham twitter ou facebook possam postar com liberdade, acerca de blitzes. Acreditem: a justiça censurativa arrisca a liberdade de uso do facebook. Cerceia a criatividade da ferramenta! Enquanto isso, os países mais evoluídos dão a oportunidade de o cidadão mostrar o quanto longe ele consegue ir.

No Brasil, gasta-se muito dinheiro e debate-se em demasia a visita dos presos. O lado humano e a psicologia informam que um preso só consegue seguir no rumo da recuperação se tiver contato com seus entes amados.

Mas para isso, os entes devem conseguir entrar no presídio. E, para aqueles que conhecem, altamente constrangedor. Se desconhece, www.youtube.com/watch?v=h8xG0ywu8Hk.

O México veio com uma solução alternativa: criar uma sala com computadores com acesso limitado. O preso pode ser visitado online, através de uma sessão de webcam, conduzida pelo Facebook ou por outro meio. O Estado economiza com funcionários dedicados às revistas, o povo evita constrangimentos e o preso continua em contato familiar.

No Brasil, temos previsão restrita para o uso telemático, no que se refere aos presos. Em verdade, somente se usa tal recurso em casos de prevenção de risco à segurança pública, se a pessoa morar fora da jurisdição entre poucas outras.

É tempo de evoluir e a tecnologia não é inimiga!

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sábado, 31 de dezembro de 2011 - 20:31

Iphone, Direito e Economia

O mundo não é justo. Em verdade, a luta entre a liberdade econômica e o papel assistencialista do Estado está perdida há muito tempo,

em Gettyimages - todos os direitos reservados

por Medioimages/Photodisc

se olharmos ao redor e entendermos um pouquinho da lógica capitalista.

Veja só que simples, se pensarmos este exemplo. O crédito é emprestado a taxas de juros diferentes, dependendo da solidez econômica que você tem. Se você tem mais patrimônio, o dinheiro custará mais barato para você. Isso faz com que o mais pobre pague mais caro pelo crédito.

Se você vai ao supermercado e compra 1 sabão em pó, o custo unitário é bem maior do que se você for num atacadista e comprar logo 10. Mas para comprar 10, você precisa ter o capital inicial necessário. Logo, o mais pobre paga mais caro pelo produto também. (Aproveite para lembrar que o minuto mais caro da telefonia é o pré pago)

O dinheiro vale menos (porque os juros são maiores) e o produto custa mais caro. É o pesadelo da igualdade social.

Todo esse início para dizer que eu comprei um Iphone. E de modo algum eu estou me vangloriando. Mas após muitos anos, eu cedi à Apple e estou fascinado com algumas perspectivas que se abrem.

Primeiro uma curiosidade: minha conta de telefone irá baratear bastante com a aquisição e eu calculo que em menos de 12 meses, terei o dinheiro investido de volta. O que perpetua o pesadelo da igualdade social.

A conectividade 3G e wifi nitidamente vão matar a telefonia tradicional. Isso porque, em poucos cliques nos novos smartphones, baixa-se programas como skype, viber, voxer e whatsapp que praticamente conectam você com todas as pessoas que você costuma estar em contato. O ponto é que as ligações passam a ser feitas através de tais programinhas, assim como os sms e assim sucessivamente. A tarifa cobrada por minuto e os custos de roaming e deslocamento perdem a razão de existir.

Os pagamentos em código de barra podem ser feitos através da câmera do celular que já substitui os tradicionais leitores.

E se você quiser comparar preços para ver se está pagando caro num produto, basta escanear a etiqueta e um programa compara os preços em outros estabelecimentos. Isso sem contar a possibilidade de você fazer uma lista de compras de supermercado e o programa comparar cada produto em cada estabelecimento e te dizer em qual supermercado você deve ir e quanto economizará.

Por hora, fica a reflexão do impacto que a tecnologia dos smartphones gerará na concorrência. E todo o direito empresarial fica de olho bem aberto porque nessa luta, somos nós que driblamos as dificuldades de modo criativo.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011 - 1:01

Final Cut

Até que ponto aceitamos que a rede nos informe? Quanto de informação estamos dispostos a aceitar? Quais informações?

Getty Image

foto de Nobutsugu Sato


Em que ponto termina o direito de ser informado e onde começa o direito de ignorância?

Há, afinal, um direito à ignorância?

O Programa Bolsa Família se esforça para que não haja tal direito. Pelo menos no que se refere às crianças e adolescentes e isso está em perfeita sintonia com o ECA (art.4º, 4ª figura, da Lei 8.069/90).

Mas e depois de adultos?

Lia o livro de Paulo José da Costa Jr. sobre o direito que temos de estar sós. Achei ótimo e inovador. Posso, porém, ficar só com meus pensamentos?

Sócrates dizia que só sabia que nada sabia. Percebi há algum tempo que quanto mais estudamos, mais difícil o mundo fica porque percebemos o quanto complexo ele é. E nos esforçamos para entender como um cão que corre atrás do próprio rabo. Mas junto ao conhecimento vem a responsabilidade. E essa endurece a gente.

Várias vezes questionei se a simplicidade da ignorância não faz a vida mais doce e suave.

Apesar de criticar a lógica mercantilista dos romanos, pão e circo as vezes é tão gostoso… (ou seria cerveja e futebol?)

Vi a história da moça, mãe de um rapaz de 16 anos, que navegando pelo Facebook descobriu páginas em homenagem a seu filho que havia falecido num jogo de futebol americano horas antes.

A mãe recebeu a notícia da morte de seu próprio filho pela rede, antes que a escola ou a polícia a encontrassem para o relato fatídico.

A rede tem o direito de apressar amputações de esperança? Será realmente que estamos tão aflitos por obter todas as informações imediatamente?

No caso da mãe e de seu filho morto, será que a rede tirou responsabilidades da polícia e da escola ou criou uma situação de ineficiência indenizável?

Houve dano moral? A forma truculenta e seca, sem qualquer delicadeza, com que uma notícia catastrófica é dada pela rede exime?

Tendo a crer que se há uma coisa que as máquinas custarão a aprender é que se há um jeito de desfazer o nó, não é necessário cortar a corda.

Essa é uma premissa interessante da resolução de conflito. Se há um jeito pouco traumatizante, opte por esse. Um mau acordo vale mais que um ótimo processo.

Mas vai explicar isso para um processador…

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011 - 2:54

Semi Greve

Vivemos duas vidas bem diferentes. A real e a digital.

por Paul Gilligan

Pelo menos numa a gente vive na aparência. Mas não vou dizer qual porque varia. As vezes é nas duas…

Tem gente que vive mais na net do que no mundo sólido. E tem gente que acha que pode dispensar o mundo virtual.

Tem gente que só se solta atrás da tela e tem gente que só usa a tela para fingir.

(eu posso jurar que uma vez vi, numa roda de amigos, uma pessoa achar engraçada uma piada e rir falando “LOL”)

Mas a verdade é que no mínimo das gerações X em diante não existe uma vida sem a outra. Se é que estão dissociadas.

E por lógica, a informática misturou-se com a maior parte das profissões. Não há advogado sem computador. Nem professor. Nem engenheiro. Nem publicitário. Nem médico. A maior parte imprescinde de informática.

Em alguns casos, a informática é a própria profissão e em outros, é parte complementar.

Pois pensando no segundo caso veio a ideia da semi greve.

Chamei de semi greve porque não chega a ser uma paralisação total. Não se cruzam os braços totalmente. Não. O trabalho continua andando, mas os trabalhadores recusam-se a utilizar-se dos computadores ou quaisquer aparatos de tecnologia.

Talvez, mais do que uma greve propriamente dita, a semi greve seja um regresso ao momento pré revolução digital.

Por aumentos de salários, acordaremos cedo, nos deslocaremos ao local de trabalho, bateremos os devidos pontos, mas não usaremos o editor de texto, ou a planilha ou ainda melhor: não usaremos o email, nem os aparelhos de videoconferência.

Estou aqui a disposição, senhor patrão. Eu só não usarei a tecnologia…

O tribunal do trabalho nunca poderá dizer que eu não fui trabalhar. Não poderá mandar que os empregados “voltem ao trabalho” porque eles de lá nunca saíram e nunca pararam.

Só que no estado de semi greve, no que se refere à porção informática eu me recuso a colaborar.

A Constituição Federal garante o direito a greve em sentido amplo. Ela diz, em seu artigo 9º, que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. § 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.”

Mas será que no caso concreto alguém pode dizer que o exercício da semi greve poderia gerar penalidade aos semi parados? No meu ponto de vista, parece que não.

Seria um jeito interessante de mostrar o quanto é possível reivindicar sem prejudicar no extremo. E de dar um valor importante às habilidades do trabalhador no trato com a tecnologia que o circunda.

No dia dessa semi greve – se um dia ocorrer – os trabalhadores voltaram a conversar na sala de cafezinho, tiveram menos dores na coluna e diz a lenda que todos se sentiram exatamente 15 anos mais jovens e até montaram uma banda, denominada “larga”.

Nunca ninguém descobriu se o LARGA era um verbo no imperativo ou o prenúncio do retorno ao pleno trabalho.

P.S.: Feliz Dia do Professor!

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terça-feira, 5 de julho de 2011 - 19:39

Caiu na Rede é Livre

Finalmente a ONU se pronunciou. A rede é, sempre foi e deve continuar sendo livre. E todos têm de ter direito de utilizar dela igualmente, sem privilégios econômicos.

Na verdade, com o devido respeito e cá entre nós, pista pedagiada em que usuário que paga mais pode dirigir com maior velocidade é um absurdo. Fila VIP em que os que chegam depois entram primeiro na casa noturna é um absurdo. A cortininha que separa a classe econômica da primeira classe, e que impede os “comuns” de verem os “especiais”, é um absurdo. Tudo o que coloca pessoas que estão em situação de igualdade em uma artificial desigualdade, é absurdo.

A pista pedagiada rápida é um jeito de dizer que carros em igual situação de trânsito podem ter tratamentos diferentes. A fila VIP significa que pessoas que se encontram igualmente em uma espera, podem ter tratamentos diferentes (e, pior, pessoas que chegaram antes, entram depois). A cortininha de separação é a concessão de um privilégio de não ser visto dentro de um avião que, se cair, mata todos igualzinho.

Mas há que se entender que o dinheiro compra distinções e ser igual perante a lei, como muitos sabem, é ser desigual, conforme sua desigualdade. E temos que aturar: numa sociedade capitalista, quem tem mais dinheiro, tem mais privilégios, numa meritocracia ditada pelo dinheiro.

Entendo que há diferenças sutis entre a imposição de igualdade em situação de igualdade e a opção pela desigualdade numa sociedade desigual em sua essência.

Explico.

Se você tem muito dinheiro, você pode ter um carro melhor, um celular melhor, uma cueca de marca.

Mas numa ilha deserta, após um naufrágio, todos somos iguais, independentemente da cueca. Com câncer em estágio avançado, todos somos iguais, independentemente do carro. Pelados, numa sauna, todos estamos numa situação de igual fragilidade e exposição, independentemente do celular. Há situações em que o dinheiro não pode e não será relevante.

Na rede há a mesma concepção de igualdade. Somos todos números IPs e somos todos usuários com idêntica capacidade de navegação. Ainda que paguemos por conexões mais velozes (e não há mesmo como reduzir velocidade hoje em dia), o acesso às páginas e a velocidade com que as informações navegam na rede deve ser tratada da mesma forma. Não é porque você tem um iPad que o livro que você baixa no site da Apple deve desrespeitar a lógica do tráfego de informações.

O dinheiro serve para comprar o equipamento melhor, a tela maior e a conexão mais veloz. Mas uma vez dentro da rede, a única coisa que ele pode fazer é dar acesso a conteúdo que, por sua vez, tem velocidade única. Meu blog e seu blog estão igualmente na rede para acesso. Não é porque o seu blog é mais famoso, mais acessado, mais requisitado que haverá privilégio para acessar o seu em detrimento do meu. Nem privilégio quanto ao acesso, nem quanto à velocidade.

Imagine se, no futuro, precisássemos baixar um driver para a impressora X. Um programa gratuito. Imaginemos agora que esse driver pudesse ser baixado no site da própria impressora ou na Amazon. Imaginemos que na Amazon (cheia de patrocinadores) o driver pudesse ser baixado em 3 minutos e no site da empresa, sem patrocinadores, em 30 minutos.

E imagine que na Amazon só se poderia baixar rapidamente porque os tais patrocinadores pagassem alto para que ali as transmissões fossem melhores, mais confiáveis e mais velozes. Que tal seria?

O mais curioso é que grande parte das pessoas com as quais conversamos acha isso bom e estariam propensas a aceitar as tais publicidades porque creem-se imunes a tais ataques e acreditam haver grandes vantagens nisso. Afinal, tempo é dinheiro!

Mas pense comigo.

Você se sente a vontade vendo que o preço do combustível está uniformizado nos postos de sua cidade? Você não enjoa de ver outra vez o Francisco Cuoco e a Regina Duarte na novela? Ou o Eymael no horário eleitoral gratuito?

Com o devido respeito à comparação, é isso que a queda da neutralidade da rede geraria: domínio, abuso, monopólio, mesmice, limites…
Seria o fim da democracia idealizada na rede. E o fim, dentre outras coisas, da possibilidade de todos serem potencialmente alguém.

Sejamos honestos conosco mesmos: você conhece alguém que já ganhou na loteria? Conhece alguém que já acertou mais dezenas naquele título de capitalização? Conhece alguém que já ganhou ALGUMA coisa grande e que mudou de vida por isso?

Mas a rede fez isso com várias pessoas. Veja o @rafinhabastos que de anônimo virou o homem mais perseguido do twitter…

A rede dá chances para o escritor de fundo de quintal ser publicado. Para o ator de 5ª categoria ser visto. Para o tocador de ocarina mostrar sua diferença.

E também dá chance para o super escritor famoso se divulgar ainda mais, se popularizar ao limite. Dá chance ao ator de 1ª categoria ampliar seu espectro de atuação. E para o pianista clássico manter a beleza do tradicional viva.

Se cair a neutralidade da rede, estaremos de volta à época do padrinho, do editor, do produtor. Seremos guiados e recentralizados, numa espécie de concorrência desleal em que a plutocracia se autoalimenta e sustenta.

Só serão relevantes para a mídia eletrônica aqueles que os responsáveis pelos sites especiais disserem que são.

E preparem-se para ver programas como “se vira nos 30”, “videocassetadas” e “dança dos famosos” online.

Todo o dia parecerá um chuvoso domingo a tarde sem tv a cabo…

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010 - 15:18

RÉQUIEM PARA O EMPURRA EMPURRA

Compre já o seu! Seja Feliz! Use a cabeça! Ligue Agora! Aproveite a Promoção! Zeroonzecatorzezeromeia!

Deixa que eu empurro

Se você disser que nunca ouviu qualquer uma dessas frases, a conclusão é simples: você não vive neste mundo. Isso porque você não tem ou nunca ouviu rádio. Não tem ou nunca assistiu televisão.

Eu não acredito nisso. Sinceramente.

Isso porque vivemos na sociedade atual, ainda contaminada por resquícios de absolutismo e de poderes dominantes. Logo mais, será possível alguém que nunca tenha ouvido nada disso.

Eu falo para meus colegas e parentes que a televisão morreu e o rádio já está decomposto.

Ninguém acredita. Adjetivam-me!

Na verdade, o aparelho em si permanece, mas a ideia mudou totalmente. E não foi graças aos fornecedores, mas sim graças à internet e seus novos conceitos.

Eu me lembro de ir ao cinema quando eu era mais moço e adorar ver os traillers.

Hoje eu não suporto trailler. Odeio propagandas entre filmes. Viro com força as páginas das revistas semanais quando vejo os comerciais.

Confesso que, por pura revolta, quando vou ao banheiro e leio “use duas folhas para mãos levemente secas”, eu imediatamente tiro quatro. Eu não quero mãos levemente secas! Quero mãos TOTALMENTE secas (com mãos levemente secas, terei calças levemente molhadas em seguida).

Eu decido meu futuro!

E não quero receber ordens. Não aceito que me imponham nada, pelo menos não em meus momentos de lazer e descanso.

A função coativa fica exclusivamente para a ciência jurídica. Deixemos que o Direito imponha, aperte, constranja.

É o Direito, por definição, a ciência que empurra para cima de você as regras e você está obrigado a aceitá-las, afinal de contas, “assinou” um contrato social (Rousseau) e deve alinhar-se com os valores da coletividade. Afinal de contas, há uma normalidade ditada pela sanção.

Acontece que até a difusão da rede mundial, tudo na vida era empurrado para cima de nós. Somos a geração PUSH (palavra que, em inglês, significa EMPURRAR). E nossos antecessores também. Somos os empurrados.

Por haver restrição nos meios de comunicação, decidiam para nós o que queríamos e deveríamos ver. Pura falta de opção, na verdade. Pura manipulação. E custava caro anunciar.

Metaforicamente, antes vivíamos em uma pequena cidade de interior em que os únicos passeios no sábado eram a pracinha, o cinema e quiçá um pseudo parquinho em que encontrávamos aquele sorvete de xarope que derrete rapidíssimo (Lembra? http://migre.me/1Grtg).

Era o dono do cinema que ditava o que iríamos assistir, o preço da entrada e o valor da pipoca.

Seria como sentar-se embaixo de uma árvore e esperar que a árvore resolva qual e se derrubará um fruto para ser comido.
Ilógico e sem liberdade. Errado e manipulador, por um certo ponto de vista.

Hoje mudou. A rede trouxe uma liberdade de ser, de agir e deu um papel ativo ao usuário. Assistimos o que queremos, na hora em que queremos, sem comerciais. Buscamos a publicidade, as promoções e não as aceitamos meramente.

Comparamos preços rapidamente. Há uma variedade inesgotável de aparelhos de celular, notebooks, serviços nas nuvens…

Essa é a geração PULL (em inglês, pull significa PUXAR). Somos puxadores.

Somos nós quem garimpamos, vamos até a macieira, escolhemos o que vamos assistir no cinema…

Hoje somos uma juventude impaciente e ávida por informação, fonte inesgotável. Mas também somos dinâmicos e multitarefas.

Não aceitamos mais ser violentados com informações que não nos interessam. Eu mesmo, já não tenho mais paciência para assistir televisão.

Não aceitamos comprar um CD/DVD por causa de uma música, e ter que engolir as outras 11.

Não aceitamos assistir o jornal e agüentar um monte de notícias desinteressantes.

Não estou disposto a comprar o suplemento de moda que obrigatoriamente vem com o jornal que eu quero!

Odiamos trailers de filmes porque hoje são uma das poucas imposições publicitárias incontornáveis. Praticamente não ouvimos mais rádio. Desenvolvemos a televisão que permite pular as mensagens publicitárias.

Mudou e muito. Vivemos numa sociedade on demand, em que a rede nos proporciona só aquilo que nós quisermos e estamos dispostos a tirar dela. Excetuando os spams, somos responsáveis por o que extraímos da rede.

E veja que interessante. O sistema criado pelo código de defesa do consumidor tratou de forma muito interessante do tema PUBLICIDADE, levando em consideração o fato de que o consumidor destinatário da publicidade era um sujeito PASSIVO.

A lei impôs no artigo 31 que toda a oferta de produtos ou serviços deve ser correta, clara, precisa, ostensiva e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. Lindo, quando se trata de uma sociedade PUSH, mas um tanto impreciso e anacrônico, pensando em nossa sociedade atual.

Já que eu vou atrás da informação, não preciso que a oferta tenha TODOS os dados acima, e, em alguns casos, nem quero que ela esteja em língua portuguesa (exemplo de serviços de “cloud computing”). Eu tenho liberdade de acionar as informações a qualquer momento.

Caso eu precise dessas informações, quero ter a certeza de que a empresa fornecedora me dará a opção de buscá-las.

Mas não precisa jogar tudo em cima de mim!

Uma sociedade mais crítica – creio eu – torna-se mais dinâmica e mais inteligente e, por isso, permite que certas regras sejam interpretadas de modos menos rigorosos.

A informação também sofreu transformação com os paradigmas novos gerados pela rede mundial e pelos novos valores.

E a criação dos hashtags é exatamente nessa toada: um jeito de fazer com que, de modo ainda mais eficiente, você seja capaz de buscar aquela informação que tem interesse ou necessita sem passar pelo ainda persistente empurra empurra dos resultados de busca pagos.

Em breve e se tudo caminhar do jeito que se espera, a imposição de informações perderá força inclusive no nosso método de ensino: não é possível que eu seja obrigado a estudar direito previdenciário em minha vida, se quero ser criminalista.

Sou a favor da tendência RECOMENDE A UM AMIGO; das ideias de SEDUÇÃO do leitor, de DESPERTADORES DE INTERESSE. Batalho pelo fim da lista de presença em sala de aulas: assista minha aula se você quiser, gostar, se interessar. Luto desde a faculdade pelas disciplinas eletivas (algumas obrigatórias e muitas eletivas).

Ninguém nunca precisou me pedir ou me forçar a ler uma página sobre tecnologia. Por que será?

Ninguém gosta de receber ordens. E só para exemplificar tudo o que foi dito acima e não perder a oportunidade: pare de ler o post. Agora.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010 - 15:29

EXISTE UM DIREITO A RESPEITO?

foto de Jackeline Chichetti

Nós, brasileiros, vivemos numa sociedade em que a maior parte é egoísta. E é exatamente isso que nos faz eternos países em desenvolvimento.

Joga-se papel no chão porque se tem preguiça de segurá-lo até a próxima lixeira, desconsiderando-se que ao promover tal atitude, prejudicamos todos os outros ao redor.

Seja ou não difícil de aceitar, fumar é um ato altamente egoísta: para o conforto químico de um, quantos não respiram a poluição da fumaça?

E a tecnologia tem também o seu grau de culpa. Primeiro porque foi conceitualmente criada para um indivíduo somente. Um ipad, um celular, um notebook, um monitor, uma cadeira. Tudo precedido pela palavra “seu”. E dá sempre uma impressão egoísta, antissocial e de a uma espécie de retiro.

E é nos aparelhos tecnológicos que colocamos segredos, senhas, mandamos nossas mensagens mais íntimas, estabelecemos nosso próprio recorde nos joguinhos (e tentamos bater-nos a nós mesmos!) e assim por diante.

O problema, é que a tecnologia que usamos tem um viés tão individualista, que não raro desrespeitamos nosso próximo. Outra vez. E outra vez para nosso conforto egoísta, e em detrimento do outro.

E a mesma mão nossa que nos afaga, pode apedrejar tantos…

Escrevo isso porque leciono há 8 anos, sou um apaixonado por tecnologia e ainda assim há gestos dos quais não me conformo.

E o pior de todos hoje é o uso do celular.

Sempre tem um que toca e incomoda. Em palestras, em aulas, no elevador, na igreja.
Chegou-se a ponto de proibir em escolas municipais de São Paulo que os alunos mantenham o celular funcionando sob pena de sanção disciplinar. Idem em relação a concursos públicos, corroborado pela desconfiança perpétua na burla.

No cinema, no teatro, na sala de aula, no hospital… Pelo menos no Brasil, apesar da ideia bastante divulgada no boca a boca de que o direito de um acaba quando começa o direito de outro, não vejo isso funcionando.

E olha que eu adoro celular e sou um adito. Tenho um blackberry 9700, e não largo dele por nada. Mas fui educado para entender que eu incomodo.

E mesmo sendo viciado, confesso que me sinto um pouco aliviado quando entro em um avião para ir a alguma cidade palestrar ou lecionar. Ufa, finalmente um período de tempo sem os agudos tilintares nem vibrações.

(O pior é que mesmo com o celular desligado, por incrível que pareça eu ainda o sinto vibrando em minha coxa direita… desenvolvemos uma sensibilidade nova nessa região?!)

Também fico muito incomodado quando ouço a aeromoça pedir para que os passageiros aguardem saírem do avião para iniciarem seus aparelhos. Não pela ordem, mas pela desobediência. Dezenas de egoístas ligam o aparelho no momento indevido. E eu temo.

Temo porque não sei o quanto isso é prejudicial para a aeronave, mas há tempos temo porque não sou capaz de aceitar que tantas ondas próximas à cabeça não causam nenhum mal.

Nesta semana, a ANAC liberou o uso de telefones celulares e internet e alguns períodos, nos vôos da TAM. Continuo temendo. Acredito nos testes feitos, mas partindo-se do pressuposto que o fumo foi cancelado em viagens de avião porque o direito coletivo prevaleceu, me questiono se eu não teria o direito de voar, nas próximas vezes, em vôos em que o celular não possa ser ligado. Medo meu, ué. Ou um pouco de sossego, vai saber.

E ontem, em uma palestra que assisti, me revoltou ouvir da boca de um promotor de justiça a seguinte frase: “não desligue seu telefone celular no fórum, na sala de aula, em lugar nenhum! Seu filho ou alguém de sua família pode estar precisando de você!”.

E ainda completou dizendo que não há lei que obrigue ninguém a desligar o aparelho.

Fico incomodado com isso. É claro que todos podemos usar nossos tocadores de mp3, ipads, iphones, etc. Mas antes da tecnologia, vem o tal respeito.

Se não me engano, a palavra, em sua origem latina, significa olhar para trás. E tai uma coisa que a tecnologia faz pouco.

Lembro de estudar com afinco a tal NETIQUETTE, a etiqueta de como se comportar na rede. Não se deve escrever tudo em caixa alta, não se deve anexar arquivos muito grandes, não de deve chamar alguém para conversar no Skype sem primeiro enviar uma mensagem…

Mas eu continuo achando que precisamos olhar também para a atitude fora da rede e sua relação com a tecnologia.

Ficar horas na rede sem ajudar os familiares, enfraquece a relação. Ficar horas no computador jogando jogos, gera problemas na vista (talvez isso encareça até mesmo o serviço público de saúde sem nunca terem notado). Falar alto no celular em público, gravar uma aula no seu mp3… tudo isso gera conseqüências no direito.

Sou favorável à criação de aplicativos mais focados no coletivo. Mas se um dia inventarem um aplicativo para IPhone que vibre a cada vez que um de nós for egoísta demais, preparem suas coxas…

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quinta-feira, 17 de junho de 2010 - 14:13

OS UEM VÊM AÍ !

Preparem suas caixas de entrada. Eles estão chegando. E se multiplicam mais rápido do que os gremlins em dia de chuva[1]. Para piorar, quanto mais perto de outubro, mais e mais freqüente eles são!

São os UEM ou “Unsolicited Electoral Messages”. Nada mais do que as Mensagens Eleitorais não solicitadas. Propaganda política pela internet, usando nossos emails sem dó nem piedade.

Em suma, a maior parte entende que são SPAMs, mas ao invés de trazerem publicidade, trazem ideais políticos. Se preferir, pedem voto direta ou indiretamente. E não se esqueça que denunciar o adversário e tirar dele votos beneficia o propagandeador.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010 - 9:50

CHIFR-E

Cena um

O marido sairá cedo de casa. Mas antes toma seu caprichado café da manhã. Lê o jornal até a página que for possível. Levanta-se apressado, dá um carinhoso beijo em sua esposa, afaga a cabeça de seus 4 filhos, dá adeus e sai dirigindo seu Aerowilis 65 (cinza e de banco de couro vermelho) para o trabalho.

Chegando no escritório, percebe a falta de seu chapéu e, sentindo-se nu sem ele, resolve voltar à casa para apanhá-lo. A cena fatídica: ao adentrar-se em seu quarto, vê sua esposa com outro na cama. [música de suspense]

O final de cinema: vai até o criado mudo, pega seu revolver e dá cabo da vida de ambos.

O final jurídico: ele pede a separação judicial por grave violação dos deveres de casamento que torna inviável a vida em comum.

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quarta-feira, 12 de maio de 2010 - 1:00

DARWINISMO DIGITAL

É interessante ver como a história se repete.

imagem de jlmaral

Charles Darwin, apelidado de “pai da evolução”, em linhas gerais, demonstrou que todos os seres são frutos de ancestrais comuns e que, graças a processos chamados de “seleção natural” e “seleção sexual”, as raças vão se apurando para melhor se adaptarem aos meios em que vivem. Isso em 1859.

Em 1944, Richard Hofstadter, estudando as teorias de Thomas Malthus e Herbert Spencer sobre evolução e sobrevivência dos mais aptos às sociedades e nações criou a polêmica expressão “Darwinismo Social”.

Pois desde que comecei a estudar Tecnologia e Sociedade, mais especificamente desde que comecei a estudar ciberterrorismo e ativismo de tecnogrupos, me convenço da existência de uma nova escola chamada “darwinismo digital”.

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