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sábado, 12 de maio de 2012 - 14:40

Um carro do futuro que seja mudo, por favor

Adoro ver que o futuro imaginado no setor automobilístico está acontecendo. Carros que identificam que o motorista está sonolento e

em Gettyimages - todos os direitos reservados

Foto de Eric Audras

emitem alertas, carros que fazem a baliza quase sem auxílio humano, carros sem chave, sistemas de ligação de emergência automática em caso de batida, GPS integrado, painéis que projetam imagens… logo mais realidade aumentada…

Mas tem uma tecnologia que eu acho que ainda vai gerar muito problema: a leitura de SMS pelo sistema do carro com reprodução nos autofalantes do carro. Isso ainda vai dar problema.

Não sei se isso é uma lenda urbana, mas diz a história que alguém influente na sociedade brasileira foi fotografado pelo radar eletrônico acima do limite de velocidade em seu automóvel.

Como não havia muito regramento para a forma como a foto identificadora era tirada, a imagem captada foi a do tal figurão influente e uma moça. Nada demais, não fosse o fato de que, quando a multa chegou em sua casa, ela identificou que o carro estava na rodovia “do amor” (cheia de motéis) e a mulher que estava no carro não era a esposa da personagem importante.

Quem abriu a multa? A Esposa. E o barraco em família estava instalado.

Dias depois o figurão processou o Estado por danos morais. Diz a lenda que venceu o processo, recebeu alguma compensação e ficou determinado, a partir de então, que as fotos de multas não poderiam mostrar os passageiros do interior do veículo.

O que isso tem a ver com um futuro rolo de SMS? Imagine que uma gentil donzela esteja com seus filhos no carro, ou com sua avó, ou com seu marido, e ela receba um SMS ousado, com convites sexuais, propostas indecentes ou até mesmo com um trecho da música da Valesca Popozuda…

A tecnologia não tem sentimentos e as vozes de leitura não serão piedosas.

Para que a justiça não sofra enxurradas de processos por danos morais (e quem sabe materiais), será necessário ou que o usuário aprove a leitura do SMS antes (e o serviço se mostrará inútil) ou surja um filtro dotado de inteligência artificial capaz de entender as sutilezas de um relacionamento. Mas isso seria muito avançado para qualquer processador…

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 - 10:02

Enfim, SOS

Quem nunca viu um telefone celular de um amigo, que se vangloriava pelas incríveis

por Bloomberg/Contributor

disponível em Gettyimages.com

tarefas que o aparelho era capaz de executar e fez a fatídica pergunta: “E ele faz ligações também?”

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu a frase: “eu só quero um aparelho que faça e receba ligações” ou então “10 anos atrás a gente viva muito bem sem celular”.

Eu compreendo perfeitamente certas indignações com o fato de estarmos cada dia mais sendo vigiados porque se exige ou porque nós mesmos permitimos que nos vigiem. Mas dizer que a tecnologia é dispensável e pregar um retorno à vida sem celular, me parece irreal.

Afinal, o conceito de TECNOLOGIA não está associado puramente à lógica da informática. Manuel Castells, sociólogo famosíssimo, mostra em suas obras que tecnologia deve ser compreendida como toda a técnica capaz de gerar melhoria no uso dos recursos disponíveis. Por isso, por exemplo, o uso de rotação de culturas no plantio, é tecnologia e ninguém pensa como era melhor a vida sem ela.

Idem no que se refere à penicilina, ao papel ou ao cartão de crédito. Sendo assim, é possível afirmar que tecnologia é um conceito cumulativo e progressivo. Não há que se pensar em sociedade dando passos para trás em tal conceito (os naturistas que me perdoem).

E tem muita gente que acha que as geotags são o novo big brother. Que elas violariam o conceito constitucional de intimidade.

Em parte eu concordo. Se você pensar em câmeras te filmando sem que você saiba ou celulares te seguindo e monitorando seus passos sem o seu consentimento, isso certamente é ilegal. É como se as pessoas livres tivesses as tais tornozeleiras eletrônicas sem nunca terem feito nada de errado.

Mas se houve liberdade, a disposição da intimidade é totalmente aceitável.

E vejam que interessante o recente caso de um casal que se perdeu na floresta e graças à tecnologia geolocalizadora foram encontrados em 3 horas, numa situação que, caso tivesse se alastrado por mais tempo, poderia gerar suas mortes.

Também existem programas que combatem crime contra o patrimônio, quase que numa autotutela. O cidadão instala no celular um aplicativo passivo. Caso alguém furte, roube ou se aproprie do aparelho e tente utilizá-lo, o erro da senha por 3 vezes, por exemplo, tira uma fotografia secreta do usuário, aciona o geolocalizador e manda, de tempos em tempos um email informando onde o celular está, com precisão de míseros 30 metros!

A ineficiência das forças públicas, cada vez mais é superada pela criatividade e pelos incríveis avanços da tecnologia!

Será que a tecnologia de geolocalização também resolve isso aqui: http://www.findwaldo.com/ ?

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terça-feira, 1 de novembro de 2011 - 1:01

Final Cut

Até que ponto aceitamos que a rede nos informe? Quanto de informação estamos dispostos a aceitar? Quais informações?

Getty Image

foto de Nobutsugu Sato


Em que ponto termina o direito de ser informado e onde começa o direito de ignorância?

Há, afinal, um direito à ignorância?

O Programa Bolsa Família se esforça para que não haja tal direito. Pelo menos no que se refere às crianças e adolescentes e isso está em perfeita sintonia com o ECA (art.4º, 4ª figura, da Lei 8.069/90).

Mas e depois de adultos?

Lia o livro de Paulo José da Costa Jr. sobre o direito que temos de estar sós. Achei ótimo e inovador. Posso, porém, ficar só com meus pensamentos?

Sócrates dizia que só sabia que nada sabia. Percebi há algum tempo que quanto mais estudamos, mais difícil o mundo fica porque percebemos o quanto complexo ele é. E nos esforçamos para entender como um cão que corre atrás do próprio rabo. Mas junto ao conhecimento vem a responsabilidade. E essa endurece a gente.

Várias vezes questionei se a simplicidade da ignorância não faz a vida mais doce e suave.

Apesar de criticar a lógica mercantilista dos romanos, pão e circo as vezes é tão gostoso… (ou seria cerveja e futebol?)

Vi a história da moça, mãe de um rapaz de 16 anos, que navegando pelo Facebook descobriu páginas em homenagem a seu filho que havia falecido num jogo de futebol americano horas antes.

A mãe recebeu a notícia da morte de seu próprio filho pela rede, antes que a escola ou a polícia a encontrassem para o relato fatídico.

A rede tem o direito de apressar amputações de esperança? Será realmente que estamos tão aflitos por obter todas as informações imediatamente?

No caso da mãe e de seu filho morto, será que a rede tirou responsabilidades da polícia e da escola ou criou uma situação de ineficiência indenizável?

Houve dano moral? A forma truculenta e seca, sem qualquer delicadeza, com que uma notícia catastrófica é dada pela rede exime?

Tendo a crer que se há uma coisa que as máquinas custarão a aprender é que se há um jeito de desfazer o nó, não é necessário cortar a corda.

Essa é uma premissa interessante da resolução de conflito. Se há um jeito pouco traumatizante, opte por esse. Um mau acordo vale mais que um ótimo processo.

Mas vai explicar isso para um processador…

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011 - 20:18

Brasilianização da Rede?

Não estou falando que a rede agora é brasileira.

por Don Bishop (coleção Photodisc)

Direitos Autorais Reservados - Network Chain

Também não estou falando do antigo carro da volkswagen, mesmo porque hoje a rede é razoavelmente moderna e veloz, data maxima vênia às cláusulas de limitação e redução de velocidade de bandas.

Estou falando do município de Brasília, Capital Federal da República Brasileira.

De acordo com @danilogentili, a capital é como Las Vegas porque construída no meio do deserto para alguns ganharem dinheiro fácil…
Mas não é essa a comparação que quero fazer (apesar de dar certo também).

Brasília é a capital galáctica do “você-sabe-com-quem-está-falando-?”. Nada contra as pessoas de lá, sempre muito solícitas, receptivas e gentis comigo.

O fato de ser lá ser o nosso centro político faz com que ABSOLUTAMENTE TODO O MUNDO seja amigo de alguém que tem um nome digno de nota no cenário nacional.

O taxista já levou o ministro do STF “para lá e para cá”. O ascensorista consegue levar às alturas deputados que produzem leis orçamentárias. O porteiro abre portas para quem “abre portas”…

O atendente do supermercado é amiga da vizinha do diplomata e esnoba as compras pela esteira afora.

E ai de quem procura encrenca com alguém que tem um quê de quase talvez influência.

A internet, nesse sentido, popularizou a amizade com alguém relevante. Todo o mundo pode ser seguidor ou até mesmo amigo do super star da mídia hoje. Eu mesmo sou “amigo” do Tas, do Kevin Mitnick, do José Eduardo Cardoso, da Soninha… seria legal vê-los um dia…

Isso porque os artistas famosos, os políticos populares e os ícones de suas áreas não se escondem mais. A moda de usar óculos escuros (máscara?) e passar desapercebido acabou. Pelo menos na rede.

As pessoas QUEREM ser perseguidas!!! Os famosos, inclusive, PEDEM que os sigamos ou adicionemos. É ORGULHO ser perserguido por milhares de pessoas!

Sendo assim, todos podemos ser amigos de pessoas importantes. Ou que se julgam (ou nós julgamos) importantes.

Outro dia lia no Facebook um cidadão desconhecido que tinha sido recém aceito como “amigo” de um grande jurista. Ele escrevia assim: “Olá, grande amigo! Obrigado por me aceitar”.

Comecei a rir. Fiquei me imaginando mandando uma mensagem para o papa ou para o Obama, chamando-os de “queridos amigos desconhecidos que nunca vi em toda a minha vida e certamente nunca verei”…

O conceito de amigo perdeu sentido com as redes sociais até a lógica dos círculos do Google+ (por enquanto a melhor coisa), recém adotada pelo FB.

Curiosamente, isso gerava vários impactos jurídicos. Antes de você poder selecionar os alvos de suas postagens, suas mensagens saíam em direcionamento geral.

Algo como alguém que atira para todos os lados. A megaamizadização é um perigo!

Eu mesmo sofri os revezes da postagem generalizada.

Quando queria postar que saiu um novo texto deste blog, sem problemas. Mas quando critiquei uma posição política do governo, ganhei inimigos.

Postei uma foto minha, particular, com um querido amigo, fazendo careta. Muitos interpretaram que divulgava naquela foto um modo de caçoarmos das pessoas.

Postei uma foto minha na Disney. Alguns interpretaram um modo esnobe de mostrar que pude viajar enquanto outros não puderam…

Cliquei num “like” em uma foto de uma amiga e questionou-se se estava paquerando-a…

Dá um trabalho danado apresentar o “nada-disso”…

Os crimes contra a honra existem e a mera publicação de uma opinião para terceiros pode gerar consequências criminais…

Pensei muitas vezes em deletar perfis por motivos pessoais, profissionais, familiares… afinal, eu era obrigado a misturar formas diferentes de ser e viver para grupos sociais diferentes…

A lógica da nova segmentação está prestes a tentar resolver tal problemática. Bondade dos desenvolvedores? Estou mais tendente a crer que isso é uma estratégia para evitar a dispersão dos consumidores, afastando-os de publicidade lucrativa. Forma de evitar que uma parte das pessoas se retire desses serviços e, assim, deixarem de poder ser influenciados em potencial.

No mais, além disso, as redes sociais nessa nova toada farão com que possamos ter comportamentos pessoais e profissionais simultaneamente, num mesmo perfil, sem eventualmente ofender sem querer alguns. E sem perturbar muitos com mensagens enchendo suas páginas acerca de assuntos que não interessam.

Sem querer, nós mesmos poluíamos as páginas alheias com assuntos de interesse exclusivo.

Já disse a Constituição Federal: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei. E ter que ler opiniões religiosas ou brigas, muitas vezes, ninguém merece…

Cabe a nós mesmos, agora, nos educarmos e criarmos o hábito de segmentar nossos contatos e enviar posts, fotos, vídeos, links e mensagens de modo mais focado, para, assim evitarmos ser incômodos com nossos próximos.
E quem avisa, amigo é…

Xi… Amigo? Aceita primeiro, vai.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011 - 22:12

O programa que derrubou o Facebook

O ser humano é um animal social por natureza, disse Aristóteles.

O homem é o lobo do homem, disse Hobbes.

por Thinkstock

Não cobiçai a mulher do próximo, disse Deus (em todas as religiões que conheço).

E assim fez-se o polêmico “Breakup notifier”. Considerando todas essa premissas.

O serviço nada mais é do que um aplicativo que usa dados do Facebook para que usuários saibam quando outro usuário selecionado teve mudança no status de relacionamento de “comprometido” para “não comprometido”. Em outras palavras, é um dedo duro de rompimentos. E do outro lado da lâmina, um incentivador de novas relações sociais.

Mais ainda, é um bisbilhoteiro que, se previamente provocado, divulga o estado de solteiro de alguém. Expõe a intimidade amorosa (http://www.releituras.com/fpessoa_cartas.asp) fazendo com que o fragilizado ser seja cobiçado pelo lobo próximo, por um smartphone de olhos de águia…

O interessante é que não há cobiça da mulher do próximo. Há eletrônico aguardo, paciente e virtual, como quem não quer nada, mas espreita… Há admiração interessada que se revelará se e somente se a pessoa usuária de facebook permanecer na rede social e voluntariamente modificar o seu status.

Em verdade, o serviço serve como uma possível bandeira verde para a paquera. O(A) usuário(a), após ser informado do novo estado, fará (ou não) o movimento de paquera com maior grau de chance após a notificação legitimadora.

E onde está o direito nisso? Em vários lugares. Em primeiro lugar na questão da intimidade. Depois, na lógica da publicidade do estado civil. Em terceiro plano, na situação de fragilidade instalada por uma pessoa após o fim de um relacionamento, facilitadora de vitimização.

O direito constitucional garante a cada um sua individualidade. É aliás, o inciso X do artigo 5º, aquele que diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Mas observemos que a lógica constitucional proibe a violação mas não a disposição. Assim, apesar de ser inviolável, é dado a cada um dispor de suas informações pessoais como bem entender.

Depois, a questão da publicidade do estado civil. Você já notou que casamento (cerimônia) e enterro (velório) nada mais são do que a forma como a sociedade mostra a todos que a vida acabou? (de solteiro ou de verdade). É o princípio da publicidade. É obrigatório.
O Direito quer que todo mundo saiba quando certas coisas acontecem com você.

Mas quando você termina um namoro, um relacionamento ou uma união, ninguém te pede para contar. Mas o programinha em tela conta. E publica seu estado de disponibilidade aos interessados.

Curioso é que você não pode impedir porque, afinal de contas, foi você mesmo quem publicou a mudança. É certo que ninguém pode obrigar ninguém a fazer algo senão em virtude de lei. Mas no momento em que alguém publica seu novo status, parece que autoriza ou assume o risco da disseminação de tal informação, ainda que implicitamente.

Mas a questão que poucos reparam é o quanto aumentamos nossa própria fragilidade conforme publicamos dados sensíveis na rede (dados importantes).

Perceba que o marketing para solteiros é diferente daquele para casados. Os interesses são diversos. Os gastos mudam. Até o modo de vestir… Para isso foram desenvolvidos os tais “cookies”: para traçar sua tendência de navegação e suas características. E são dados valiosíssimos!

Acredite. Existem muitos golpes no mercado. Vários dedicados a casados/casadas. Vários a viúvos/viuvas. Todos eles exploram vulnerabilidades. E a mais efetiva é a carência afetiva.

Quando alguém se declara solteiro, há todo um movimento de marketing nesse sentido. E quando alguém se declara frágil, há todo um movimento para arrancar dinheiro ou aplicar um golpe.

Uma das curiosas trocas que exploram carência versus dificuldade financeira é a oferta de noivas pela rede. Mulheres muitas vezes lindas, do leste europeu, se oferecem para casar com americanos e europeus do oeste em troca do visto, oportunidade de trabalho e auxílio às suas famílias. De outro lado, marido carentes de países desenvolvidos aceitam. Não raro o caso termina em tragédias.

Interessante que esse programa fez TANTO sucesso, que o FB o tirou do ar. Tantas pessoas vincularam suas contas ao programa, que houve uma sobrecarga de acessos na rede social e a empresa decidiu por retirar a parceria do ar. Hoje, tudo está reestabelecido.
Tantos amores ou interesses escondidos… tanta expectativa de fofoca…

Nesta semana, porém, veio ao Brasil o site OHHTELL.COM. O objetivo? Arrumar para os usuários um “amante discreto”. Mas isso é tema para outro post.

Bom final de semana!

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010 - 15:29

EXISTE UM DIREITO A RESPEITO?

foto de Jackeline Chichetti

Nós, brasileiros, vivemos numa sociedade em que a maior parte é egoísta. E é exatamente isso que nos faz eternos países em desenvolvimento.

Joga-se papel no chão porque se tem preguiça de segurá-lo até a próxima lixeira, desconsiderando-se que ao promover tal atitude, prejudicamos todos os outros ao redor.

Seja ou não difícil de aceitar, fumar é um ato altamente egoísta: para o conforto químico de um, quantos não respiram a poluição da fumaça?

E a tecnologia tem também o seu grau de culpa. Primeiro porque foi conceitualmente criada para um indivíduo somente. Um ipad, um celular, um notebook, um monitor, uma cadeira. Tudo precedido pela palavra “seu”. E dá sempre uma impressão egoísta, antissocial e de a uma espécie de retiro.

E é nos aparelhos tecnológicos que colocamos segredos, senhas, mandamos nossas mensagens mais íntimas, estabelecemos nosso próprio recorde nos joguinhos (e tentamos bater-nos a nós mesmos!) e assim por diante.

O problema, é que a tecnologia que usamos tem um viés tão individualista, que não raro desrespeitamos nosso próximo. Outra vez. E outra vez para nosso conforto egoísta, e em detrimento do outro.

E a mesma mão nossa que nos afaga, pode apedrejar tantos…

Escrevo isso porque leciono há 8 anos, sou um apaixonado por tecnologia e ainda assim há gestos dos quais não me conformo.

E o pior de todos hoje é o uso do celular.

Sempre tem um que toca e incomoda. Em palestras, em aulas, no elevador, na igreja.
Chegou-se a ponto de proibir em escolas municipais de São Paulo que os alunos mantenham o celular funcionando sob pena de sanção disciplinar. Idem em relação a concursos públicos, corroborado pela desconfiança perpétua na burla.

No cinema, no teatro, na sala de aula, no hospital… Pelo menos no Brasil, apesar da ideia bastante divulgada no boca a boca de que o direito de um acaba quando começa o direito de outro, não vejo isso funcionando.

E olha que eu adoro celular e sou um adito. Tenho um blackberry 9700, e não largo dele por nada. Mas fui educado para entender que eu incomodo.

E mesmo sendo viciado, confesso que me sinto um pouco aliviado quando entro em um avião para ir a alguma cidade palestrar ou lecionar. Ufa, finalmente um período de tempo sem os agudos tilintares nem vibrações.

(O pior é que mesmo com o celular desligado, por incrível que pareça eu ainda o sinto vibrando em minha coxa direita… desenvolvemos uma sensibilidade nova nessa região?!)

Também fico muito incomodado quando ouço a aeromoça pedir para que os passageiros aguardem saírem do avião para iniciarem seus aparelhos. Não pela ordem, mas pela desobediência. Dezenas de egoístas ligam o aparelho no momento indevido. E eu temo.

Temo porque não sei o quanto isso é prejudicial para a aeronave, mas há tempos temo porque não sou capaz de aceitar que tantas ondas próximas à cabeça não causam nenhum mal.

Nesta semana, a ANAC liberou o uso de telefones celulares e internet e alguns períodos, nos vôos da TAM. Continuo temendo. Acredito nos testes feitos, mas partindo-se do pressuposto que o fumo foi cancelado em viagens de avião porque o direito coletivo prevaleceu, me questiono se eu não teria o direito de voar, nas próximas vezes, em vôos em que o celular não possa ser ligado. Medo meu, ué. Ou um pouco de sossego, vai saber.

E ontem, em uma palestra que assisti, me revoltou ouvir da boca de um promotor de justiça a seguinte frase: “não desligue seu telefone celular no fórum, na sala de aula, em lugar nenhum! Seu filho ou alguém de sua família pode estar precisando de você!”.

E ainda completou dizendo que não há lei que obrigue ninguém a desligar o aparelho.

Fico incomodado com isso. É claro que todos podemos usar nossos tocadores de mp3, ipads, iphones, etc. Mas antes da tecnologia, vem o tal respeito.

Se não me engano, a palavra, em sua origem latina, significa olhar para trás. E tai uma coisa que a tecnologia faz pouco.

Lembro de estudar com afinco a tal NETIQUETTE, a etiqueta de como se comportar na rede. Não se deve escrever tudo em caixa alta, não se deve anexar arquivos muito grandes, não de deve chamar alguém para conversar no Skype sem primeiro enviar uma mensagem…

Mas eu continuo achando que precisamos olhar também para a atitude fora da rede e sua relação com a tecnologia.

Ficar horas na rede sem ajudar os familiares, enfraquece a relação. Ficar horas no computador jogando jogos, gera problemas na vista (talvez isso encareça até mesmo o serviço público de saúde sem nunca terem notado). Falar alto no celular em público, gravar uma aula no seu mp3… tudo isso gera conseqüências no direito.

Sou favorável à criação de aplicativos mais focados no coletivo. Mas se um dia inventarem um aplicativo para IPhone que vibre a cada vez que um de nós for egoísta demais, preparem suas coxas…

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segunda-feira, 31 de maio de 2010 - 20:23

CHOQUE

A palavra do título é muito interessante.

Foto de João Gomes

Pode significar aquilo que levamos na tomada – e nesse sentido trata-se de interação por troca de energia. Isso gera susto.


Pode significar colisão ou impacto entre forças. Isso gera destruição.


Mas pode significar também conflito de direitos. E isso gera muita coisa…


Pois eu fiquei em choque. Em todos os sentidos acima ao ler a seguinte notícia em um portal conhecido: “Google mapeou com intenções comerciais toda a rede Wi-Fi britânica”.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010 - 9:50

CHIFR-E

Cena um

O marido sairá cedo de casa. Mas antes toma seu caprichado café da manhã. Lê o jornal até a página que for possível. Levanta-se apressado, dá um carinhoso beijo em sua esposa, afaga a cabeça de seus 4 filhos, dá adeus e sai dirigindo seu Aerowilis 65 (cinza e de banco de couro vermelho) para o trabalho.

Chegando no escritório, percebe a falta de seu chapéu e, sentindo-se nu sem ele, resolve voltar à casa para apanhá-lo. A cena fatídica: ao adentrar-se em seu quarto, vê sua esposa com outro na cama. [música de suspense]

O final de cinema: vai até o criado mudo, pega seu revolver e dá cabo da vida de ambos.

O final jurídico: ele pede a separação judicial por grave violação dos deveres de casamento que torna inviável a vida em comum.

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domingo, 2 de maio de 2010 - 12:59

LEMBRE-SE DE ESQUECER

É melhor arrepender-se de algo que fez do que se arrepender por nunca ter feito.

Essa máxima que corre a boca dos “bon vivents” – ou dos indivíduos “carpe diem” como eu os prefiro chamar – é absolutamente compreensível. Afinal, a vida é curta, o tempo é efêmero e ninguém quer ser coadjuvante da própria vida.
Mas imagine se tudo o que você fez, seja certo, seja errado, pudesse ser registrado.

Imagine que, como naquele filme com Robin Willians chamado “The Final Cut” (trazido ao Brasil com o nome “Invasão de Privacidade”), todos tivéssemos implantes cerebrais capazes de gravar cada momento de nossas vidas.

E imagine que, ao morrermos, essas memórias todas pudessem ser acessadas por nossos descendentes. Você gostaria que tudo fosse público? Gostaria que pudessem ver tudo?

Eu duvido.

E confesso que não me orgulho de tudo o que fiz. Muito pelo contrário. Gostaria de limpar uma boa quantidade de coisas que passaram.

E eu não estou me referindo a uma limpeza como aquela mania de ficar tirando as marcas de dedo da tela do iPhone. Estou falando de uma total remoção.

Acontece que, feitas as devidas proporções, hoje quase tudo acaba sendo registrado pelos meios informáticos.

Vivemos um Big Brother voluntário, em que aceitamos participar do Google Latitude e informarmos a quem queira saber onde estamos. Editamos nossos documentos nas nuvens. Enviamos a declaração do imposto de renda pela internet. Publicamos nossas fotos e vídeos em álbuns. Nosso dinheiro é virtual e boa parte de nossas informações está online.
Faça um teste. Jogue meu nome no Google ou no Bing e verá quantos artigos escrevi, onde me formei, onde fiz minha pós graduação e até mesmo quais vestibulares prestei. Até aí, nada de mais. Sou da geração que nasceu sem computador e não teve um até os bons 14-15 anos. E o primeiro era de tela monocromática verde (PC XT, lembra?)

Mas reflita sobre a geração totalmente imersa na realidade informática e veja o quanto essas pessoas terão registros online.

Será que eu não poderei controlar aquilo que a rede impiedosamente registra, guarda e mantém sobre mim?

No Direito Penal, depois de se cumprir uma pena, o condenado tem seus registros “limpos” após 5 anos. A sociedade o “perdoa” e tenta permitir seu reingresso no cotidiano apagando seus registros pejorativos.

A internet mundial, porém, não tem normas para permitir o apagamento dos registros indesejados. Mesmo que o pedido parta do próprio prejudicado, o caminho será somente o judicial e com probabilidade de ser negado. Uma mácula pode ficar indefinidamente no ar.

Mas li recentemente um artigo que tratava do Direito de Esquecimento. O autor citava que na França já há um projeto de lei (se alguém souber qual, por favor me passe o link!) tratando desse tema.

Pela leitura, está-se buscando regrar essa ideia de que temos direito de termos nossos registros apagados, se desejarmos.

Parte-se do pressuposto – corretíssimo – de que todo o usuário tem direito a controlar os registros feitos sobre si. Exceto, é claro, as figuras públicas.

Gostei da proposta. Ainda falaremos bastante sobre ela.

Aproveite para não esquecer de dar um beijo na sua mãe no próximo domingo. Você é uma lembrança constante na vida dela e essa tenho certeza que ela jamais apagará.

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quarta-feira, 14 de abril de 2010 - 12:49

VOCÊ VEM SEMPRE AQUI? ENTÃO AJUDE!

É impressionante como temos capacidade de dar opinião na vida dos outros, nas ações dos governos e até mesmo em assuntos que praticamente nada entendemos. “Se fosse eu” ou “se fosse comigo” são as expressões que mais usamos.

Com base nessa ação corriqueira, outras contraexpressões surgiram como “não se meta onde não é chamado”, “se conselho fosse bom não se dava, se vendia” e o mais recente “cada um com seus problemas”: geralmente ninguém quer saber nossa opinião, apesar de a Constituição Federal garantir nosso direito de expressá-las, desde que identificadas.

Mas agora querem saber nossa opinião sobre algo que entendemos muito bem!

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