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terça-feira, 13 de dezembro de 2011 - 23:15

Formas Tecnológicas de Evitar Preconceitos

A rede tem, como a própria metáfora promete, o condão de tratar todos os peixes que nela estão do mesmo modo. Sejam de água doce, de

por Atomic Imagery

água salgada, coloridos ou monocromáticos, todos são peixes e ali devem se tolerar. Se não, o espaço deixa de existir.

Pois tolerância na rede é algo variável. Isso porque, por exemplo, nos Estados Unidos da América do Norte, a primeira emenda constitucional garante ampla liberdade de expressão e, no Brasil, a inexistência do marco civil (ainda) gera muitos abusos.

Grupos de ódio, flaggings em bate papo, cyberbullying, injúrias e tantas outras condutas são frequentes.

Lembro-me de um fato repugnante de uma pessoa que usava a internet como ferramenta para pregar o ódio ao nordestino na época das eleições a presidência da República.

Mas a rede também serve para que diversos ou semelhantes se unam. Redes de relacionamento, foursquare, fóruns que acionam coletividade para movimentos de greve… tudo para unir objetivos, destinos e até mesmo corações.

E veja que interessante. Ao mesmo tempo a rede une e desune. Ela ajuda a criar mas também ajuda a vencer o ódio.

Especialmente neste post, gostaria de falar de uma interessante ideia sobre união e vitória sobre o ódio.

É a ideia de misturar geolocalização com redes sociais e criar o serviço GRINDR que nada mais é do que um programa que você instala no seu smartphone e permite que acesse sua localização ao mesmo tempo que mostra interesse em relacionamento.

Ali, a pessoa homossexual coloca seus dados, suas fotos e, ao invés de se expor buscando paquerar pessoas que eventualmente não têm a mesma orientação, o serviço informa a ela se há alguém com os mesmos interesses próximo. Com isso, a exposição gerada por uma paquera que poderia gerar ódio e violência, fica superada. E olhares tortos e estranho, também.

Não estou dizendo que o serviço dispensa uma boa ida a um bar ou uma balada, mas sim que há formas de contornar as dificuldades da timidez, acentuadas pela (ainda) intolerância que há quanto à orientação sexual das pessoas.

Você já notou que ironicamente a maior parte das pessoas chama de “diferente” pessoas que gostam de iguais?

Pois independentemente da sua opinião ou orientação sexual, uma vez que o Estado não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo para coibir condutas racistas, a tecnologia ajuda internautas a focarem seus interesses de modo inteligente.

Todos são iguais, na medida de sua igualdade.

Um brinde ao jeito particular de resolver um problema público.

E não se esqueça que virtualmente somos todos compatíveis.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010 - 12:25

In: Júri

Você sabe como funciona um júri popular?

Sem querer ofender os legisladores e doutrinadores responsáveis pelo procedimento em tela, que serve para julgar crimes dolosos contra a vida (homicídio, infanticídio, aborto e instigação ao suicídio), o júri é um grande teatro.

Digo isso porque não ganhará necessariamente quem tiver razão, mas sim aquele que conseguir tocar a cabeça ou o coração do juiz.
Mas no caso do júri, vejam só, o juiz não tem NENHUM preparo para estar ali. E é por isso que se chama júri popular.

Porque os julgadores são pessoas comuns, do povo. O juiz concursado, que fica lá na frente, é carinhosamente apelidado de samambaia por sua complexa função de (praticamente) nada fazer.

A função de se colocar pessoas sem formação e preparo é dar ao réu que está sendo julgado a chance de ser avaliado por seus pares, ou seja, pela comunidade, representada por aqueles 7 cidadãos que ficam ali sentados a força (ser jurado é obrigatório).

Mas eu refletia com meus botões (do teclado): será que a tecnologia não pode ser usada para transformar o júri numa coisa realmente popular?

Pense comigo. A lei da Ficha Limpa foi uma iniciativa denominada popular. O direito chama de iniciativa popular o projeto de lei que tem assinatura de ao menos 1% do eleitorado.

Quando os institutos de pesquisa fazem aquelas prévias para saber quem venceria as eleições, usa-se uma amostragem de milhares de pessoas para dar uma ideia do pensamento nacional.

Sempre que se dá o nome de “popular”, se consulta muita gente.

Mas no júri, bastam 7?

E aí vem a ideia: que tal se todos pudéssemos votar nos júris? Que tal se todo o júri fosse REALMENTE público? (em tese todos são, mas o número de assentos é limitado) Que tal se fosse obrigatório que câmeras filmassem os júris e os interessados em assistir se cadastrassem, houvesse uma assinatura digital, protocolos eletrônicos de segurança, verificação de IP e, então, ao final, centenas de brasileiros votassem culpado ou inocente, numa página protegida?

Aí sim seria a voz do povo! Ou ao menos uma amostra não desprezível…

Acabariam os impedimentos aos jurados. Tanto faria o pai do réu votar por sua absolvição porque este seria somente mais um no mar de votantes…

As vezes o júri tem que sair de uma comunidade (de uma cidade) e ir para outra porque a população daquele local está contaminada pela parcialidade. Num júri popular eletrônico, problemas como este estariam superados! Gaúchos poderiam julgar amazonenses, roraimenses poderiam julgar paraibanos!

Tantas possibilidades… tanto poder poderia ser exercido pelo povo…

A Constituição da República prevê instrumentos maravilhosos como o referendo e o plebiscito.

A Internet poderia ser tão bem usada para tantos fins…

Já pensou poder votar diretamente num processo contra deputado corrupto? Já pensou poder transformar a democracia indireta em democracia direta?

De repente poderíamos até trocar a presidente por uma webmaster…

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010 - 15:29

EXISTE UM DIREITO A RESPEITO?

foto de Jackeline Chichetti

Nós, brasileiros, vivemos numa sociedade em que a maior parte é egoísta. E é exatamente isso que nos faz eternos países em desenvolvimento.

Joga-se papel no chão porque se tem preguiça de segurá-lo até a próxima lixeira, desconsiderando-se que ao promover tal atitude, prejudicamos todos os outros ao redor.

Seja ou não difícil de aceitar, fumar é um ato altamente egoísta: para o conforto químico de um, quantos não respiram a poluição da fumaça?

E a tecnologia tem também o seu grau de culpa. Primeiro porque foi conceitualmente criada para um indivíduo somente. Um ipad, um celular, um notebook, um monitor, uma cadeira. Tudo precedido pela palavra “seu”. E dá sempre uma impressão egoísta, antissocial e de a uma espécie de retiro.

E é nos aparelhos tecnológicos que colocamos segredos, senhas, mandamos nossas mensagens mais íntimas, estabelecemos nosso próprio recorde nos joguinhos (e tentamos bater-nos a nós mesmos!) e assim por diante.

O problema, é que a tecnologia que usamos tem um viés tão individualista, que não raro desrespeitamos nosso próximo. Outra vez. E outra vez para nosso conforto egoísta, e em detrimento do outro.

E a mesma mão nossa que nos afaga, pode apedrejar tantos…

Escrevo isso porque leciono há 8 anos, sou um apaixonado por tecnologia e ainda assim há gestos dos quais não me conformo.

E o pior de todos hoje é o uso do celular.

Sempre tem um que toca e incomoda. Em palestras, em aulas, no elevador, na igreja.
Chegou-se a ponto de proibir em escolas municipais de São Paulo que os alunos mantenham o celular funcionando sob pena de sanção disciplinar. Idem em relação a concursos públicos, corroborado pela desconfiança perpétua na burla.

No cinema, no teatro, na sala de aula, no hospital… Pelo menos no Brasil, apesar da ideia bastante divulgada no boca a boca de que o direito de um acaba quando começa o direito de outro, não vejo isso funcionando.

E olha que eu adoro celular e sou um adito. Tenho um blackberry 9700, e não largo dele por nada. Mas fui educado para entender que eu incomodo.

E mesmo sendo viciado, confesso que me sinto um pouco aliviado quando entro em um avião para ir a alguma cidade palestrar ou lecionar. Ufa, finalmente um período de tempo sem os agudos tilintares nem vibrações.

(O pior é que mesmo com o celular desligado, por incrível que pareça eu ainda o sinto vibrando em minha coxa direita… desenvolvemos uma sensibilidade nova nessa região?!)

Também fico muito incomodado quando ouço a aeromoça pedir para que os passageiros aguardem saírem do avião para iniciarem seus aparelhos. Não pela ordem, mas pela desobediência. Dezenas de egoístas ligam o aparelho no momento indevido. E eu temo.

Temo porque não sei o quanto isso é prejudicial para a aeronave, mas há tempos temo porque não sou capaz de aceitar que tantas ondas próximas à cabeça não causam nenhum mal.

Nesta semana, a ANAC liberou o uso de telefones celulares e internet e alguns períodos, nos vôos da TAM. Continuo temendo. Acredito nos testes feitos, mas partindo-se do pressuposto que o fumo foi cancelado em viagens de avião porque o direito coletivo prevaleceu, me questiono se eu não teria o direito de voar, nas próximas vezes, em vôos em que o celular não possa ser ligado. Medo meu, ué. Ou um pouco de sossego, vai saber.

E ontem, em uma palestra que assisti, me revoltou ouvir da boca de um promotor de justiça a seguinte frase: “não desligue seu telefone celular no fórum, na sala de aula, em lugar nenhum! Seu filho ou alguém de sua família pode estar precisando de você!”.

E ainda completou dizendo que não há lei que obrigue ninguém a desligar o aparelho.

Fico incomodado com isso. É claro que todos podemos usar nossos tocadores de mp3, ipads, iphones, etc. Mas antes da tecnologia, vem o tal respeito.

Se não me engano, a palavra, em sua origem latina, significa olhar para trás. E tai uma coisa que a tecnologia faz pouco.

Lembro de estudar com afinco a tal NETIQUETTE, a etiqueta de como se comportar na rede. Não se deve escrever tudo em caixa alta, não se deve anexar arquivos muito grandes, não de deve chamar alguém para conversar no Skype sem primeiro enviar uma mensagem…

Mas eu continuo achando que precisamos olhar também para a atitude fora da rede e sua relação com a tecnologia.

Ficar horas na rede sem ajudar os familiares, enfraquece a relação. Ficar horas no computador jogando jogos, gera problemas na vista (talvez isso encareça até mesmo o serviço público de saúde sem nunca terem notado). Falar alto no celular em público, gravar uma aula no seu mp3… tudo isso gera conseqüências no direito.

Sou favorável à criação de aplicativos mais focados no coletivo. Mas se um dia inventarem um aplicativo para IPhone que vibre a cada vez que um de nós for egoísta demais, preparem suas coxas…

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quarta-feira, 14 de abril de 2010 - 12:49

VOCÊ VEM SEMPRE AQUI? ENTÃO AJUDE!

É impressionante como temos capacidade de dar opinião na vida dos outros, nas ações dos governos e até mesmo em assuntos que praticamente nada entendemos. “Se fosse eu” ou “se fosse comigo” são as expressões que mais usamos.

Com base nessa ação corriqueira, outras contraexpressões surgiram como “não se meta onde não é chamado”, “se conselho fosse bom não se dava, se vendia” e o mais recente “cada um com seus problemas”: geralmente ninguém quer saber nossa opinião, apesar de a Constituição Federal garantir nosso direito de expressá-las, desde que identificadas.

Mas agora querem saber nossa opinião sobre algo que entendemos muito bem!

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quarta-feira, 10 de março de 2010 - 19:47

SAUNA VIRTUAL

Infelizmente, somos todos preconceituosos de um modo ou de outro.

foto por Found Studio

Rimos de um email que fala sobre o caráter dos torcedores de certos times de futebol, fazemos piadas com nacionalidades, exibimos nossos novos gadgets com ar de superioridade, enfim todos queremos ser diferentes. E isso nos faz preconceituosos conosco ou com terceiros.

No Japão, por exemplo e sabidamente, os habitantes fazem penteados exuberantes, pintam os cabelos de cores fortes, fazem piercings e tatuagens chamativas. Tudo em prol da diferença. Tudo para sermos especiais.

Mas se você algum dia pensou ou ouviu que o Direito defende que somos todos iguais e assim devemos ser tratados, se enganou.

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