Estou falando sim em dinheiro. Mas duas formas dele.
E essa pergunta é bastante interessante, especialmente porque a resposta não está na ponta da língua. E há vários motivos que fazem com que a resposta varie.
Existem, no direito, conceitos de bens materiais e bens imateriais. Assim, por exemplo, um lápis é um bem material, mas os direitos autorais sobre um livro escrito com esse lápis, bem imaterial.
Um carro é um bem material e a participação numa empresa, imaterial.
Há quem chame os bens materiais de tangíveis ou corpóreos e os imateriais, de intangíveis ou incorpóreos. Mas aqui cabe uma ideia de nova classificação: bens mistos, que possuem parte corpórea e parte incorpórea. Os aparelhos eletrônicos, em sua grande maioria, estariam incluidos nessa classe.
Isso porque há a parte dos componentes, dos chips, circuitos, soldas, tela, etc, mas há o sistema operacional e demais aplicativos. Tudo isso está incluso no custo de um celular. E todos precisamos entender.
Lia no jornal que o custo do iPhone é de cerca de US$ 180,00. E via que a população leitora se rasgava em inconformismo dizendo que um bem que custa 180 para ser feito, nao poderia custar 400, 500, 600 dólares…
Me deixa um pouco incomodado quando saem reportagens nesse sentido, de modo irresponsável, dando ao consumidor a ideia de que o custo do bem está meramente atrelado ao custo dos componentes materiais e da montagem do aparelho.
Esquece-se dos custos autorais de todos os softwares e aplicativos compenentes. E passa-se ao consumidor uma ideia errada do valor de um bem, restringindo-se à mera materialidade.
Mas com o avanço dos códigos abertos, do lucro possível sobre aplicativos para smartphones, das lojas online acessíveis e da idéia de baixo preço e alta popularidade, tudo isso somado à boa velocidade e capacidade dos dispositivos, a cada dia mais adquire-se programas para tablets e smartphones.
Mas em breve o smartphone passará a ter valor inferior aos aplicativos nele contidos.
Isso significa, que os aplicativos, hoje, agregam valores e utilidades aos smartphones e ipads, de modo que o tornam mais valioso ou mais úteis.
Na advocacia, há algo semelhante. Dá uma trabalheira bastante grande fazer boas peças. E boas peças têm base teórica que, não raro, pode ser aproveitada em muitas outras peças. Sendo assim, escritórios costumam desenvolver peças modelo, que acabam sendo utilizadas e modificadas muitas vezes.
Como existem muitas peças, chega um momento, depois de muitos anos de advocacia, que constituímos um acervo (ou arsenal) muito precioso e colocamos em nossos pen drives e sistemas. Acreditem: esses arquivos valem MUITO mais que os sistemas.
Repete-se, pois, a máxima: o conteúdo vale mais que a aparência!
Ok. No momento em que escrevo este post o dólar comercial está valendo cerca de 1,75 real. Mas a ideia do título vale mesmo assim.

Disponível em http://www.gettyimages.com/detail/photo/sale-advertisment-on-screen-of-laptop-royalty-free-image/200446206-001
Eu me recordo quando surgiram as lojas que vendiam objetos a R$ 1,00. Assim que entrei percebi que na verdade os valores eram A PARTIR de 1 real. E hoje existem tanto as que vendem tudo a R$ 1,99 quanto as que vendem a partir desse valor.
Todo o mundo se interessou pela ideia. Isso porque um real ou 1,99 são valores baixos o suficiente para que gastemos com nenhum ou quase nenhum remorso.
É um valor tão baixo, que pensamos muito pouco para gastar, essa é a verdade. E o comércio aproveita…
E veja que curioso o preço majoritáriodos aplicativos na AppStore. A maior parte custa US$ 0,99!
Aproveitando essa onda, mês passado conheci o serviço japonês “1dollarscan”. Trata-se de um serviço em que se remete livros ou documentos para um endereço que escaneia, digitaliza e envia o arquivo de volta, de modo eletrônico, para o usuário e, em seguida, recicla a papelada.
Eles propugnam o fim da poeira e do espaço inútil desperdiçado em troca de 1 dólar por centena de páginas escaneadas.
Corro um grande risco dando idéias, mas a digitalização fácil fará com que cada dia mais o conteúdo de cola seja eletrônico e se propague. Talvez num futuro não muito distante, tenhamos que repensar a forma como avaliamos os alunos por conta de o conteúdo não poder mais ser contido ou inacessado. O conteúdo perderá o sentido e o raciocínio será avaliado (finalmente).
Preocupa-me, também, a questão dos direitos autorais. Isso porque há dezenas de sites que adquirem licitamente CDs e DVDs e os digitalizam, disponibilizando livremente para download. Isso prejudica muito o artista, que não recebe pelo trabalho feito, a não ser naquela mídia corretamente adquirida.
Sendo assim, fica a questão: o que vale mais a pena? Pagar U$ 0,99 e ter uma música lícita, adquirida por um preço justo e com a qualidade verdadeira, ou não pagar nada e prejudicar toda uma classe de produtores?
Saberemos como o Brasil lidará juridicamente com isso em breve. Por hora, fique a vontade para copiar meu post.
Estamos de volta! Puxa vida… que saudade de vocês!
E como já é perceptível, começamos com um título intrigante.
Dentre tantas facetas (instrumento, meio ambiente, plataforma, etc), a minha opinião é a de que a rede também pode ser considerada uma mão. E não só pelo fato de que você a manipula, mas por vários sentidos diretos e figurados.
Isso é corroborado pelos ditados populares. Olhe só.
A rede é uma mão na roda: eu não tenho dúvidas de que você está escravizado pela rede. Eu também estou. Enviar mensagens, fazer pesquisas, pesquisas preços, publicar opiniões… a rede deu uma grande ajuda. Se em algum momento a sociedade estava na mão de um pequeno grupo de pessoas, pode-se dizer que foi a rede quem deixou que pessoas com mérito tivessem sua vez, apesar da oligopólio.
Aliás, a rede também gerou uma nova forma de emprego (ou trabalho) e uma nova forma de estudo (ou aperfeiçoamento), através do conceito de trabalhe-em-casa (work-at-home) e do EAD (ensino a distância). Sem contar o SaaS (software as a service) e as inúmeras possibilidade de empreguiçamento como poder-ficar-em-casa-nas-noites-de-inverno-sem-precisar-ir-até-a-locadora, deixar de ter que pegar as filas de banco para pagamento de contas é sensacional…
E não adianta você relutar: o futuro é você trabalhar a partir de um notebook e estudar através de seu tablet ou celular.
A propósito. Anote aí uma previsão. Um dia haverá uma nova categoria de professores. Professores exclusivamente online que darão aulas muito mais íntima, cheias de recursos interativos conosco e que receberão seus honorários de acordo com o quanto são capazes de cativar os alunos. Proporcional ao seus espectadores estudantes e não pagos por hora aula. Aliás, sou candidato.
Não haverá mais necessidade de abaixo assinado: o aluno escolherá seu professor. Não gostou dele? Troque… de canal…!!! Chega de o consumidor ser obrigado a ficar com serviço que não lhe agrada… (aliás, corpo docente parece tv a cabo… para poder ususfruir de um ou outro satisfatório, temos que comprar um pacote inteiro…)
Próximo.
Na rede, uma mão lava a outra: afinal, ela é colaborativa. Quando todos dão uma mãozinha, compõe-se um serviço extraordinário. Vide wikipedia, código fonte aberto e composição coletiva de documentos. Mas isso todo mundo já sabe.
O que parece faltar é a discussão para se saber quem responde quando uma criação coletiva ocorre. Digo isso porque vejo o gritante desrespeito à dublagem no mercado e percebo o mesmo ocorrendo na rede. Diversos atores participam na composição de uma obra e na hora de responsabilizar ou beneficiar alguém, a grande dúvida. Ou o delinquente sai impune, ou não se remunera quem de direito.
Afinal, quem merece as glórias por um vídeo viral? Quem ganha quando uma obra é escrita a centenas de mãos? E quem perde? Um dia o direito terá que tentar resolver essa questão de mensuração.
A mão que afaga é a mesma que apedreja: aqui há um misto de desabafo e constatação.
Quem lê os post do #Blogleg@l sabe que além de advogado, sou professor.
E apesar de eu ter dito que a rede é/foi uma mão na roda, que o futuro do estudo está no ensino à distância, no momento presente a situação é dúplice.
Se por um lado os mecanismos de busca nos permitem aumentar nosso espectro de pesquisa e estudo, por outro lado encontramos uma avalanche de abobrinhas.
Se por um lado as fontes que encontramos tornam-se mais vastas e facilmente internacionais, por outro lado, ficamos preguiçosos.
Se por um lado conseguimos, graças à imensa quantidade de material existente na rede, fazermos nosso trabalho de faculdade de um dia para outro, por outro lado, nossos professores também têm Google. E existe mais: existe um site chamado Plagium (www.plagium.com), maravilhoso. Ele diz até QUANTOS POR CENTO de um trabalho foi copiado de fontes da rede, e o percentual de originalidade.
Reitero sempre que plagiar é crime. É delito que viola o bem imaterial chamado direito autoral. E como bem assevera o meu caro amigo Guilherme, é um verdadeiro furto de idéia.
Abaixo a desonestidade acadêmica. Abaixo os plagiadores e os professores coniventes. Abaixo ao crime intelectual!
Usemos a mão. Mas com muito cuidado quando se tratar do nosso futuro. Ele é feito de cristal e basta uma atitude sinistra para acabar com o que estava direito.