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sábado, 12 de maio de 2012 - 14:40

Um carro do futuro que seja mudo, por favor

Adoro ver que o futuro imaginado no setor automobilístico está acontecendo. Carros que identificam que o motorista está sonolento e

em Gettyimages - todos os direitos reservados

Foto de Eric Audras

emitem alertas, carros que fazem a baliza quase sem auxílio humano, carros sem chave, sistemas de ligação de emergência automática em caso de batida, GPS integrado, painéis que projetam imagens… logo mais realidade aumentada…

Mas tem uma tecnologia que eu acho que ainda vai gerar muito problema: a leitura de SMS pelo sistema do carro com reprodução nos autofalantes do carro. Isso ainda vai dar problema.

Não sei se isso é uma lenda urbana, mas diz a história que alguém influente na sociedade brasileira foi fotografado pelo radar eletrônico acima do limite de velocidade em seu automóvel.

Como não havia muito regramento para a forma como a foto identificadora era tirada, a imagem captada foi a do tal figurão influente e uma moça. Nada demais, não fosse o fato de que, quando a multa chegou em sua casa, ela identificou que o carro estava na rodovia “do amor” (cheia de motéis) e a mulher que estava no carro não era a esposa da personagem importante.

Quem abriu a multa? A Esposa. E o barraco em família estava instalado.

Dias depois o figurão processou o Estado por danos morais. Diz a lenda que venceu o processo, recebeu alguma compensação e ficou determinado, a partir de então, que as fotos de multas não poderiam mostrar os passageiros do interior do veículo.

O que isso tem a ver com um futuro rolo de SMS? Imagine que uma gentil donzela esteja com seus filhos no carro, ou com sua avó, ou com seu marido, e ela receba um SMS ousado, com convites sexuais, propostas indecentes ou até mesmo com um trecho da música da Valesca Popozuda…

A tecnologia não tem sentimentos e as vozes de leitura não serão piedosas.

Para que a justiça não sofra enxurradas de processos por danos morais (e quem sabe materiais), será necessário ou que o usuário aprove a leitura do SMS antes (e o serviço se mostrará inútil) ou surja um filtro dotado de inteligência artificial capaz de entender as sutilezas de um relacionamento. Mas isso seria muito avançado para qualquer processador…

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011 - 20:18

Brasilianização da Rede?

Não estou falando que a rede agora é brasileira.

por Don Bishop (coleção Photodisc)

Direitos Autorais Reservados - Network Chain

Também não estou falando do antigo carro da volkswagen, mesmo porque hoje a rede é razoavelmente moderna e veloz, data maxima vênia às cláusulas de limitação e redução de velocidade de bandas.

Estou falando do município de Brasília, Capital Federal da República Brasileira.

De acordo com @danilogentili, a capital é como Las Vegas porque construída no meio do deserto para alguns ganharem dinheiro fácil…
Mas não é essa a comparação que quero fazer (apesar de dar certo também).

Brasília é a capital galáctica do “você-sabe-com-quem-está-falando-?”. Nada contra as pessoas de lá, sempre muito solícitas, receptivas e gentis comigo.

O fato de ser lá ser o nosso centro político faz com que ABSOLUTAMENTE TODO O MUNDO seja amigo de alguém que tem um nome digno de nota no cenário nacional.

O taxista já levou o ministro do STF “para lá e para cá”. O ascensorista consegue levar às alturas deputados que produzem leis orçamentárias. O porteiro abre portas para quem “abre portas”…

O atendente do supermercado é amiga da vizinha do diplomata e esnoba as compras pela esteira afora.

E ai de quem procura encrenca com alguém que tem um quê de quase talvez influência.

A internet, nesse sentido, popularizou a amizade com alguém relevante. Todo o mundo pode ser seguidor ou até mesmo amigo do super star da mídia hoje. Eu mesmo sou “amigo” do Tas, do Kevin Mitnick, do José Eduardo Cardoso, da Soninha… seria legal vê-los um dia…

Isso porque os artistas famosos, os políticos populares e os ícones de suas áreas não se escondem mais. A moda de usar óculos escuros (máscara?) e passar desapercebido acabou. Pelo menos na rede.

As pessoas QUEREM ser perseguidas!!! Os famosos, inclusive, PEDEM que os sigamos ou adicionemos. É ORGULHO ser perserguido por milhares de pessoas!

Sendo assim, todos podemos ser amigos de pessoas importantes. Ou que se julgam (ou nós julgamos) importantes.

Outro dia lia no Facebook um cidadão desconhecido que tinha sido recém aceito como “amigo” de um grande jurista. Ele escrevia assim: “Olá, grande amigo! Obrigado por me aceitar”.

Comecei a rir. Fiquei me imaginando mandando uma mensagem para o papa ou para o Obama, chamando-os de “queridos amigos desconhecidos que nunca vi em toda a minha vida e certamente nunca verei”…

O conceito de amigo perdeu sentido com as redes sociais até a lógica dos círculos do Google+ (por enquanto a melhor coisa), recém adotada pelo FB.

Curiosamente, isso gerava vários impactos jurídicos. Antes de você poder selecionar os alvos de suas postagens, suas mensagens saíam em direcionamento geral.

Algo como alguém que atira para todos os lados. A megaamizadização é um perigo!

Eu mesmo sofri os revezes da postagem generalizada.

Quando queria postar que saiu um novo texto deste blog, sem problemas. Mas quando critiquei uma posição política do governo, ganhei inimigos.

Postei uma foto minha, particular, com um querido amigo, fazendo careta. Muitos interpretaram que divulgava naquela foto um modo de caçoarmos das pessoas.

Postei uma foto minha na Disney. Alguns interpretaram um modo esnobe de mostrar que pude viajar enquanto outros não puderam…

Cliquei num “like” em uma foto de uma amiga e questionou-se se estava paquerando-a…

Dá um trabalho danado apresentar o “nada-disso”…

Os crimes contra a honra existem e a mera publicação de uma opinião para terceiros pode gerar consequências criminais…

Pensei muitas vezes em deletar perfis por motivos pessoais, profissionais, familiares… afinal, eu era obrigado a misturar formas diferentes de ser e viver para grupos sociais diferentes…

A lógica da nova segmentação está prestes a tentar resolver tal problemática. Bondade dos desenvolvedores? Estou mais tendente a crer que isso é uma estratégia para evitar a dispersão dos consumidores, afastando-os de publicidade lucrativa. Forma de evitar que uma parte das pessoas se retire desses serviços e, assim, deixarem de poder ser influenciados em potencial.

No mais, além disso, as redes sociais nessa nova toada farão com que possamos ter comportamentos pessoais e profissionais simultaneamente, num mesmo perfil, sem eventualmente ofender sem querer alguns. E sem perturbar muitos com mensagens enchendo suas páginas acerca de assuntos que não interessam.

Sem querer, nós mesmos poluíamos as páginas alheias com assuntos de interesse exclusivo.

Já disse a Constituição Federal: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei. E ter que ler opiniões religiosas ou brigas, muitas vezes, ninguém merece…

Cabe a nós mesmos, agora, nos educarmos e criarmos o hábito de segmentar nossos contatos e enviar posts, fotos, vídeos, links e mensagens de modo mais focado, para, assim evitarmos ser incômodos com nossos próximos.
E quem avisa, amigo é…

Xi… Amigo? Aceita primeiro, vai.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011 - 0:05

Quais são os impactos das tecnologias que somem?

Muita coisa acaba ou diminui consideravelmente com o surgimento ou popularização das tecnologias.

por Evgeny Terentev

Eu lembro quando linha telefônica era patrimônio e custava uma fortuna. Semana passada joguei uma fora para parar a absurda cobrança de taxa mensal.

Lembro quando tive meu primeiro celular (monocromático) e meu primeiro PC XT em que eu jogava um incrível jogo russo de tetris com uma musica incrivelmente repetitiva e irritante.
Meu último celular joguei no lixo literalmente. Meu primeiro XT hoje serve para segurar uma porta. E tetris, para mim, é um desafio noturno, para encaixar os potes e vasilhas de comida na geladeira.

Meu primeiro Atari explodiu no chão. Meu primeiro Odyssey e seu jogo da tartaruguinha foi doado em 1995. Meu primeiro palmtop nem sei onde está. Hoje jogo de computador se usa e se joga fora. As vezes é mais barato comprar um filme do que alugá-lo.
A tecnologia tem ciclos interessantes e destrutivos. O Direito do Consumidor chama os ciclos previsíveis de OBSOLECÊNCIA PLANEJADA. Mas as vezes não é previsível.

Quando é planejada, maravilha. O fornecedor acha lindo criar uma novidade e oferecer para o consumidor comprar. Joga o preço lá em cima se a procura for muito alta e, mesmo tendo tecnologias bem mais avançadas, empurra ao cidadão um produto médio, geralmente incompleto. Por quê? Porque ele vai ficar obsoleto e o fornecedor lança outro melhor. Assim ele lucra mais vezes com o mesmo produto, explorando o capitalismo ao grau máximo.

Resultado: sentimos como se tivessemos jogado dinheiro fora e como se o outro fosse tão melhor que o nosso que precisássemos imediatamente gastar mais dinheiro (só para sair do iPhone que filma em VGA para um que filma em 3.2 Megapixel).
Já me questionei se haveria algo a se fazer no direito para obrigar a indústria farmacêntica ou tecnológica a sempre colocar no mercado a última tecnologia. Já me perguntei se no momento em que a indústria farmacêutica deixa de lançar no mercado um produto capaz de curar certo mal, se ela não estaria, em verdade, sendo causadora de cilhares de homicídios, lesões corporais, etc.
Continuando.

Se um produto, porém, torna-se obsoleto por atitude do concorrente, do mercado ou dos próprios consumidores, porém, o escândalo começa e o lobby pela criação de instrumentos jurídicos que garantam o direito ao lucro planejado explode.

Em minha opinião, esssa é a obsolecência que faz bem ao mercado. É a tacada de mestre do concorrente que lança um celular como o iphone e pega a concorrência de calças curtas. É a digitalização de filmes que quebra o mercado de locações. É a criação de um método de conversar como se estivesse ao telefone como no skype. É o aproveitar da conexão 3G e criar programa assemelhado com trocas de SMS como o WhatsApp. É transformar a câmera do celular em leitor de código de barras, em scanner de documentos. É transformar o GPS em botão de pânico com geolocalizador. Isso faz bem ao mercado porque o desafia.
Mas assim que surgem tais superinovações ousadas, a indústria critica, alega pirataria, quebra de patentes, constitucionalidade de tarifa básica de telefonia…

E pior: as empresas, ao notarem que não têm alternativa, começam a comprar tais tecnologias, monopolizá-las, e cobrar por elas.
Observe-se a provável fusão entre empresa de fornecimento de energia elétrica e de sinal de internet (quiçá até provedores). Observe-se o futuro do Skype e sua licença paga embutida no pacote do OS da Microsoft. Observe-se a tv a cabo migrando lentamente para conteúdo on demand em plataforma digital.

Nunca pensei que escreveria isso. Mas hoje, o direito é usado como o principal freio na evolução tecnológica.

E ai daquele profissional liberal que começar a ter conteúdos mais interessantes do que os grande portais em seu blog… Esse logo mais sofrerá cens
:P

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011 - 19:28

Como diferenciar bobagens de verdades na web?

R7, G8, F1

Batalha naval? Não. É a mania da sociedade em criar siglas e combinações com significados que se popularizam com o uso. por Jupiterimages

E quem não conhece o NSEOQEAV que tanto rodou por emails e posts?

Mas esse post não é sobre siglas em geral mas sim sobre a sigla do título. O G17 entitula-se o “portal de humor sem compromisso com a informação”. Em outras palavras, é um portal que só veicula boatos falsos e mentiras com aparência de verdade.
O problema? Como diferenciar a bobagem da verdade, na Internet?

Isso é um ponto que venho identificando ao longo de meus 9 anos de docência e pesquisa.

O joio e o trigo realmente precisam ser separados. E é dificílimo. A melhor ferramenta? Credibilidade e instituições sólidas…

O primeiro problema que enfrentamos nas e-ladainhas está no fato de que fofoca não é delito, boato não é difamação e a sociedade tem liberdade de expressão. Ainda bem. O primeiro passo da democracia é permitir que o povo se expresse.

Nossa Constituição Federal faz isso, mas impõe a ressalva de que o anonimato é vedado. Fale o que quiser, mas se mostre. Uma espécie de “se você é macho para falar, tem que ser macho para assumir”. Senão não pode.

Isso está no artigo 5º, IV, assim: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.

Mais conflito: é impossível regular, filtrar ou controlar todo o conteúdo colocado na rede. E nem se quer fazer isso. E nem se deve. A rede é livre por essência.

Mas isso um problema ainda mais grave: a consequencia desastrosa das publicações bizarras.

A melhor forma de se aplicar um golpe, fazer uma publicidade ou espalhar uma fofoca é fazê-lo de modo inteligente.

Basta você ter um pônei em mente (maldito ou não), saber quem matou a Norma ou informar que tem fotos do crime que abalou o país.
Ou seja: desperte o interesse e você ganha credibilidade. A sequência arrasadora? Maquie sua mentira com pó de realidade e voilá, você tem sucesso.

No passado, eram os jornais e as revistas que possuiam a credibilidade. Mas não qualquer publicação mal feita e torta. As revistas de qualidade, todas coloridas, com fotos tiradas por profissionais e linguagem adequada. O que veiculasse ali, era verdade para quem lia. Ainda é. Temos o hábito de achar que o que lemos é verdade. O escrito é mais crível que o dito.

Pois a rede profissionaliza as publicações. Tudo ali parece verdade porque as fontes usadas são perfeitas, as bordas, certinhas. As fotos estão a um Google Images ou Flickr de distância. Em outras palavras, publicar com aparência de realidade é uma realidade.

“Contruído o primeiro presídio 5 estrelas.”

“Lei punirá gente feia que se passa por bonita na Internet.”

“Governo do Rio lança projeto para presos usarem twitter.”

“Dilma define o tipo de pessoas que podem ser algemadas.”

São manchetes falsas produzidas e escritas em linguagem jornalística que aparecem no “portal” G17. A maior parte delas, para piorar, foi divulgada e comentada por pessoas que participam de minha rede social.

Debates sobre a subjetividade do conceito de “feio” e da inconstitucionalidade do poder executivo legislar, além de questionamento sobre a igualdade substancial dos presos. Tudo isso foi levantado e discutido por colegas.

A mentira é tanto mais saborosa, quanto mais verdadeira se afigura

Enquanto a brincadeira estiver no nível irreal, fantasioso e impossível de crer, há graça. Mas a incitação vazia do internauta pode gerar problemas.

Já li trabalhos acadêmicos com notas de rodapé do site em questão. O problema cresce.

Se um dia uma leitura de boato gerar uma reação exagerada, se um dia um boato gerar um delito, se um dia uma mentira ofender alguém, a liberdade de expressão poderá sofrer limitações.

Não acho correto que todos tenhamos que arcar com restrições e limites graças a alguns que não souberam lidar com a liberdade social.
Assim, sou a favor de que antes de o problema surgir, nos previnamos. Sempre que formos compartilhar uma informação, seja por twitter, seja por blog, seja por rede social, citemos a fonte.

Isso evitará que mentiras assumam aparência de verdade. Isso fará com que respeitemos a origem da notícia, a fonte da piada, o crédito da ideia. Isso fará com que possamos acreditar ou duvidar com base.

Por hora, contemos com o bom senso. E não ajudemos a empurrar a bola de neve que é a mentira.

SP

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sexta-feira, 15 de julho de 2011 - 22:12

O programa que derrubou o Facebook

O ser humano é um animal social por natureza, disse Aristóteles.

O homem é o lobo do homem, disse Hobbes.

por Thinkstock

Não cobiçai a mulher do próximo, disse Deus (em todas as religiões que conheço).

E assim fez-se o polêmico “Breakup notifier”. Considerando todas essa premissas.

O serviço nada mais é do que um aplicativo que usa dados do Facebook para que usuários saibam quando outro usuário selecionado teve mudança no status de relacionamento de “comprometido” para “não comprometido”. Em outras palavras, é um dedo duro de rompimentos. E do outro lado da lâmina, um incentivador de novas relações sociais.

Mais ainda, é um bisbilhoteiro que, se previamente provocado, divulga o estado de solteiro de alguém. Expõe a intimidade amorosa (http://www.releituras.com/fpessoa_cartas.asp) fazendo com que o fragilizado ser seja cobiçado pelo lobo próximo, por um smartphone de olhos de águia…

O interessante é que não há cobiça da mulher do próximo. Há eletrônico aguardo, paciente e virtual, como quem não quer nada, mas espreita… Há admiração interessada que se revelará se e somente se a pessoa usuária de facebook permanecer na rede social e voluntariamente modificar o seu status.

Em verdade, o serviço serve como uma possível bandeira verde para a paquera. O(A) usuário(a), após ser informado do novo estado, fará (ou não) o movimento de paquera com maior grau de chance após a notificação legitimadora.

E onde está o direito nisso? Em vários lugares. Em primeiro lugar na questão da intimidade. Depois, na lógica da publicidade do estado civil. Em terceiro plano, na situação de fragilidade instalada por uma pessoa após o fim de um relacionamento, facilitadora de vitimização.

O direito constitucional garante a cada um sua individualidade. É aliás, o inciso X do artigo 5º, aquele que diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Mas observemos que a lógica constitucional proibe a violação mas não a disposição. Assim, apesar de ser inviolável, é dado a cada um dispor de suas informações pessoais como bem entender.

Depois, a questão da publicidade do estado civil. Você já notou que casamento (cerimônia) e enterro (velório) nada mais são do que a forma como a sociedade mostra a todos que a vida acabou? (de solteiro ou de verdade). É o princípio da publicidade. É obrigatório.
O Direito quer que todo mundo saiba quando certas coisas acontecem com você.

Mas quando você termina um namoro, um relacionamento ou uma união, ninguém te pede para contar. Mas o programinha em tela conta. E publica seu estado de disponibilidade aos interessados.

Curioso é que você não pode impedir porque, afinal de contas, foi você mesmo quem publicou a mudança. É certo que ninguém pode obrigar ninguém a fazer algo senão em virtude de lei. Mas no momento em que alguém publica seu novo status, parece que autoriza ou assume o risco da disseminação de tal informação, ainda que implicitamente.

Mas a questão que poucos reparam é o quanto aumentamos nossa própria fragilidade conforme publicamos dados sensíveis na rede (dados importantes).

Perceba que o marketing para solteiros é diferente daquele para casados. Os interesses são diversos. Os gastos mudam. Até o modo de vestir… Para isso foram desenvolvidos os tais “cookies”: para traçar sua tendência de navegação e suas características. E são dados valiosíssimos!

Acredite. Existem muitos golpes no mercado. Vários dedicados a casados/casadas. Vários a viúvos/viuvas. Todos eles exploram vulnerabilidades. E a mais efetiva é a carência afetiva.

Quando alguém se declara solteiro, há todo um movimento de marketing nesse sentido. E quando alguém se declara frágil, há todo um movimento para arrancar dinheiro ou aplicar um golpe.

Uma das curiosas trocas que exploram carência versus dificuldade financeira é a oferta de noivas pela rede. Mulheres muitas vezes lindas, do leste europeu, se oferecem para casar com americanos e europeus do oeste em troca do visto, oportunidade de trabalho e auxílio às suas famílias. De outro lado, marido carentes de países desenvolvidos aceitam. Não raro o caso termina em tragédias.

Interessante que esse programa fez TANTO sucesso, que o FB o tirou do ar. Tantas pessoas vincularam suas contas ao programa, que houve uma sobrecarga de acessos na rede social e a empresa decidiu por retirar a parceria do ar. Hoje, tudo está reestabelecido.
Tantos amores ou interesses escondidos… tanta expectativa de fofoca…

Nesta semana, porém, veio ao Brasil o site OHHTELL.COM. O objetivo? Arrumar para os usuários um “amante discreto”. Mas isso é tema para outro post.

Bom final de semana!

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010 - 15:18

RÉQUIEM PARA O EMPURRA EMPURRA

Compre já o seu! Seja Feliz! Use a cabeça! Ligue Agora! Aproveite a Promoção! Zeroonzecatorzezeromeia!

Deixa que eu empurro

Se você disser que nunca ouviu qualquer uma dessas frases, a conclusão é simples: você não vive neste mundo. Isso porque você não tem ou nunca ouviu rádio. Não tem ou nunca assistiu televisão.

Eu não acredito nisso. Sinceramente.

Isso porque vivemos na sociedade atual, ainda contaminada por resquícios de absolutismo e de poderes dominantes. Logo mais, será possível alguém que nunca tenha ouvido nada disso.

Eu falo para meus colegas e parentes que a televisão morreu e o rádio já está decomposto.

Ninguém acredita. Adjetivam-me!

Na verdade, o aparelho em si permanece, mas a ideia mudou totalmente. E não foi graças aos fornecedores, mas sim graças à internet e seus novos conceitos.

Eu me lembro de ir ao cinema quando eu era mais moço e adorar ver os traillers.

Hoje eu não suporto trailler. Odeio propagandas entre filmes. Viro com força as páginas das revistas semanais quando vejo os comerciais.

Confesso que, por pura revolta, quando vou ao banheiro e leio “use duas folhas para mãos levemente secas”, eu imediatamente tiro quatro. Eu não quero mãos levemente secas! Quero mãos TOTALMENTE secas (com mãos levemente secas, terei calças levemente molhadas em seguida).

Eu decido meu futuro!

E não quero receber ordens. Não aceito que me imponham nada, pelo menos não em meus momentos de lazer e descanso.

A função coativa fica exclusivamente para a ciência jurídica. Deixemos que o Direito imponha, aperte, constranja.

É o Direito, por definição, a ciência que empurra para cima de você as regras e você está obrigado a aceitá-las, afinal de contas, “assinou” um contrato social (Rousseau) e deve alinhar-se com os valores da coletividade. Afinal de contas, há uma normalidade ditada pela sanção.

Acontece que até a difusão da rede mundial, tudo na vida era empurrado para cima de nós. Somos a geração PUSH (palavra que, em inglês, significa EMPURRAR). E nossos antecessores também. Somos os empurrados.

Por haver restrição nos meios de comunicação, decidiam para nós o que queríamos e deveríamos ver. Pura falta de opção, na verdade. Pura manipulação. E custava caro anunciar.

Metaforicamente, antes vivíamos em uma pequena cidade de interior em que os únicos passeios no sábado eram a pracinha, o cinema e quiçá um pseudo parquinho em que encontrávamos aquele sorvete de xarope que derrete rapidíssimo (Lembra? http://migre.me/1Grtg).

Era o dono do cinema que ditava o que iríamos assistir, o preço da entrada e o valor da pipoca.

Seria como sentar-se embaixo de uma árvore e esperar que a árvore resolva qual e se derrubará um fruto para ser comido.
Ilógico e sem liberdade. Errado e manipulador, por um certo ponto de vista.

Hoje mudou. A rede trouxe uma liberdade de ser, de agir e deu um papel ativo ao usuário. Assistimos o que queremos, na hora em que queremos, sem comerciais. Buscamos a publicidade, as promoções e não as aceitamos meramente.

Comparamos preços rapidamente. Há uma variedade inesgotável de aparelhos de celular, notebooks, serviços nas nuvens…

Essa é a geração PULL (em inglês, pull significa PUXAR). Somos puxadores.

Somos nós quem garimpamos, vamos até a macieira, escolhemos o que vamos assistir no cinema…

Hoje somos uma juventude impaciente e ávida por informação, fonte inesgotável. Mas também somos dinâmicos e multitarefas.

Não aceitamos mais ser violentados com informações que não nos interessam. Eu mesmo, já não tenho mais paciência para assistir televisão.

Não aceitamos comprar um CD/DVD por causa de uma música, e ter que engolir as outras 11.

Não aceitamos assistir o jornal e agüentar um monte de notícias desinteressantes.

Não estou disposto a comprar o suplemento de moda que obrigatoriamente vem com o jornal que eu quero!

Odiamos trailers de filmes porque hoje são uma das poucas imposições publicitárias incontornáveis. Praticamente não ouvimos mais rádio. Desenvolvemos a televisão que permite pular as mensagens publicitárias.

Mudou e muito. Vivemos numa sociedade on demand, em que a rede nos proporciona só aquilo que nós quisermos e estamos dispostos a tirar dela. Excetuando os spams, somos responsáveis por o que extraímos da rede.

E veja que interessante. O sistema criado pelo código de defesa do consumidor tratou de forma muito interessante do tema PUBLICIDADE, levando em consideração o fato de que o consumidor destinatário da publicidade era um sujeito PASSIVO.

A lei impôs no artigo 31 que toda a oferta de produtos ou serviços deve ser correta, clara, precisa, ostensiva e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. Lindo, quando se trata de uma sociedade PUSH, mas um tanto impreciso e anacrônico, pensando em nossa sociedade atual.

Já que eu vou atrás da informação, não preciso que a oferta tenha TODOS os dados acima, e, em alguns casos, nem quero que ela esteja em língua portuguesa (exemplo de serviços de “cloud computing”). Eu tenho liberdade de acionar as informações a qualquer momento.

Caso eu precise dessas informações, quero ter a certeza de que a empresa fornecedora me dará a opção de buscá-las.

Mas não precisa jogar tudo em cima de mim!

Uma sociedade mais crítica – creio eu – torna-se mais dinâmica e mais inteligente e, por isso, permite que certas regras sejam interpretadas de modos menos rigorosos.

A informação também sofreu transformação com os paradigmas novos gerados pela rede mundial e pelos novos valores.

E a criação dos hashtags é exatamente nessa toada: um jeito de fazer com que, de modo ainda mais eficiente, você seja capaz de buscar aquela informação que tem interesse ou necessita sem passar pelo ainda persistente empurra empurra dos resultados de busca pagos.

Em breve e se tudo caminhar do jeito que se espera, a imposição de informações perderá força inclusive no nosso método de ensino: não é possível que eu seja obrigado a estudar direito previdenciário em minha vida, se quero ser criminalista.

Sou a favor da tendência RECOMENDE A UM AMIGO; das ideias de SEDUÇÃO do leitor, de DESPERTADORES DE INTERESSE. Batalho pelo fim da lista de presença em sala de aulas: assista minha aula se você quiser, gostar, se interessar. Luto desde a faculdade pelas disciplinas eletivas (algumas obrigatórias e muitas eletivas).

Ninguém nunca precisou me pedir ou me forçar a ler uma página sobre tecnologia. Por que será?

Ninguém gosta de receber ordens. E só para exemplificar tudo o que foi dito acima e não perder a oportunidade: pare de ler o post. Agora.

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quinta-feira, 17 de junho de 2010 - 14:13

OS UEM VÊM AÍ !

Preparem suas caixas de entrada. Eles estão chegando. E se multiplicam mais rápido do que os gremlins em dia de chuva[1]. Para piorar, quanto mais perto de outubro, mais e mais freqüente eles são!

São os UEM ou “Unsolicited Electoral Messages”. Nada mais do que as Mensagens Eleitorais não solicitadas. Propaganda política pela internet, usando nossos emails sem dó nem piedade.

Em suma, a maior parte entende que são SPAMs, mas ao invés de trazerem publicidade, trazem ideais políticos. Se preferir, pedem voto direta ou indiretamente. E não se esqueça que denunciar o adversário e tirar dele votos beneficia o propagandeador.

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domingo, 2 de maio de 2010 - 12:59

LEMBRE-SE DE ESQUECER

É melhor arrepender-se de algo que fez do que se arrepender por nunca ter feito.

Essa máxima que corre a boca dos “bon vivents” – ou dos indivíduos “carpe diem” como eu os prefiro chamar – é absolutamente compreensível. Afinal, a vida é curta, o tempo é efêmero e ninguém quer ser coadjuvante da própria vida.
Mas imagine se tudo o que você fez, seja certo, seja errado, pudesse ser registrado.

Imagine que, como naquele filme com Robin Willians chamado “The Final Cut” (trazido ao Brasil com o nome “Invasão de Privacidade”), todos tivéssemos implantes cerebrais capazes de gravar cada momento de nossas vidas.

E imagine que, ao morrermos, essas memórias todas pudessem ser acessadas por nossos descendentes. Você gostaria que tudo fosse público? Gostaria que pudessem ver tudo?

Eu duvido.

E confesso que não me orgulho de tudo o que fiz. Muito pelo contrário. Gostaria de limpar uma boa quantidade de coisas que passaram.

E eu não estou me referindo a uma limpeza como aquela mania de ficar tirando as marcas de dedo da tela do iPhone. Estou falando de uma total remoção.

Acontece que, feitas as devidas proporções, hoje quase tudo acaba sendo registrado pelos meios informáticos.

Vivemos um Big Brother voluntário, em que aceitamos participar do Google Latitude e informarmos a quem queira saber onde estamos. Editamos nossos documentos nas nuvens. Enviamos a declaração do imposto de renda pela internet. Publicamos nossas fotos e vídeos em álbuns. Nosso dinheiro é virtual e boa parte de nossas informações está online.
Faça um teste. Jogue meu nome no Google ou no Bing e verá quantos artigos escrevi, onde me formei, onde fiz minha pós graduação e até mesmo quais vestibulares prestei. Até aí, nada de mais. Sou da geração que nasceu sem computador e não teve um até os bons 14-15 anos. E o primeiro era de tela monocromática verde (PC XT, lembra?)

Mas reflita sobre a geração totalmente imersa na realidade informática e veja o quanto essas pessoas terão registros online.

Será que eu não poderei controlar aquilo que a rede impiedosamente registra, guarda e mantém sobre mim?

No Direito Penal, depois de se cumprir uma pena, o condenado tem seus registros “limpos” após 5 anos. A sociedade o “perdoa” e tenta permitir seu reingresso no cotidiano apagando seus registros pejorativos.

A internet mundial, porém, não tem normas para permitir o apagamento dos registros indesejados. Mesmo que o pedido parta do próprio prejudicado, o caminho será somente o judicial e com probabilidade de ser negado. Uma mácula pode ficar indefinidamente no ar.

Mas li recentemente um artigo que tratava do Direito de Esquecimento. O autor citava que na França já há um projeto de lei (se alguém souber qual, por favor me passe o link!) tratando desse tema.

Pela leitura, está-se buscando regrar essa ideia de que temos direito de termos nossos registros apagados, se desejarmos.

Parte-se do pressuposto – corretíssimo – de que todo o usuário tem direito a controlar os registros feitos sobre si. Exceto, é claro, as figuras públicas.

Gostei da proposta. Ainda falaremos bastante sobre ela.

Aproveite para não esquecer de dar um beijo na sua mãe no próximo domingo. Você é uma lembrança constante na vida dela e essa tenho certeza que ela jamais apagará.

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domingo, 25 de abril de 2010 - 16:42

A CENSURA AO VIDEOGAME

As novas tecnologias estão sendo responsáveis por grandes debates acerca da liberdade de expressão. No Brasil, blogs vêm sendo censurados, sites impedidos de veicular vídeos, fotos retiradas de redes sociais, tudo em prol de uma pretensa defesa dos limites da liberdade de expressão.

Um juiz estadual de Goiás proibiu blogueiros de veicularem notícias públicas acerca de um político conhecido na cidade, presidente da Assembleia Legislativa, e que possuía contra si diversos processos crime.

Um juiz federal de Minas Gerais impediu que jogos de vídeo game fossem vendidos.

Um juiz estadual de São Paulo determinou que sites fossem multados caso veiculassem o vídeo de uma famosa artista em cenas de sexo.

Afinal, onde está a liberdade de expressão?

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quarta-feira, 7 de abril de 2010 - 2:18

A IMPORTÂNCIA DA IMPRESSÃO

Eu sei. Você já leu diversas vezes naqueles emails corporativos a frase “Antes de imprimir, pense no meio ambiente”. Em geral essa frase e

por CGoulao

suas similares são escritas em verde e logo abaixo da assinatura.  Mas vou lhes dizer alguma coisa: a coisa que a empresa mais quer com essa frase, é a impressão.

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