segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 - 14:39
Spencer Toth Sydow

Tudo a 1,99

Ok. No momento em que escrevo este post o dólar comercial está valendo cerca de 1,75 real. Mas a ideia do título vale mesmo assim.

Disponível em http://www.gettyimages.com/detail/photo/sale-advertisment-on-screen-of-laptop-royalty-free-image/200446206-001

Eu me recordo quando surgiram as lojas que vendiam objetos a R$ 1,00. Assim que entrei percebi que na verdade os valores eram A PARTIR de 1 real. E hoje existem tanto as que vendem tudo a R$ 1,99 quanto as que vendem a partir desse valor.

Todo o mundo se interessou pela ideia. Isso porque um real ou 1,99 são valores baixos o suficiente para que gastemos com nenhum ou quase nenhum remorso.

É um valor tão baixo, que pensamos muito pouco para gastar, essa é a verdade. E o comércio aproveita…

E veja que curioso o preço majoritáriodos aplicativos na AppStore. A maior parte custa US$ 0,99!

Aproveitando essa onda, mês passado conheci o serviço japonês “1dollarscan”. Trata-se de um serviço em que se remete livros ou documentos para um endereço que escaneia, digitaliza e envia o arquivo de volta, de modo eletrônico, para o usuário e, em seguida, recicla a papelada.

Eles propugnam o fim da poeira e do espaço inútil desperdiçado em troca de 1 dólar por centena de páginas escaneadas.

Corro um grande risco dando idéias, mas a digitalização fácil fará com que cada dia mais o conteúdo de cola seja eletrônico e se propague. Talvez num futuro não muito distante, tenhamos que repensar a forma como avaliamos os alunos por conta de o conteúdo não poder mais ser contido ou inacessado. O conteúdo perderá o sentido e o raciocínio será avaliado (finalmente).

Preocupa-me, também, a questão dos direitos autorais. Isso porque há dezenas de sites que adquirem licitamente CDs e DVDs e os digitalizam, disponibilizando livremente para download. Isso prejudica muito o artista, que não recebe pelo trabalho feito, a não ser naquela mídia corretamente adquirida.

Sendo assim, fica a questão: o que vale mais a pena? Pagar U$ 0,99 e ter uma música lícita, adquirida por um preço justo e com a qualidade verdadeira, ou não pagar nada e prejudicar toda uma classe de produtores?

Saberemos como o Brasil lidará juridicamente com isso em breve. Por hora, fique a vontade para copiar meu post.

Categorias

Tags

sábado, 31 de dezembro de 2011 - 20:31
Spencer Toth Sydow

Iphone, Direito e Economia

O mundo não é justo. Em verdade, a luta entre a liberdade econômica e o papel assistencialista do Estado está perdida há muito tempo,

em Gettyimages - todos os direitos reservados

por Medioimages/Photodisc

se olharmos ao redor e entendermos um pouquinho da lógica capitalista.

Veja só que simples, se pensarmos este exemplo. O crédito é emprestado a taxas de juros diferentes, dependendo da solidez econômica que você tem. Se você tem mais patrimônio, o dinheiro custará mais barato para você. Isso faz com que o mais pobre pague mais caro pelo crédito.

Se você vai ao supermercado e compra 1 sabão em pó, o custo unitário é bem maior do que se você for num atacadista e comprar logo 10. Mas para comprar 10, você precisa ter o capital inicial necessário. Logo, o mais pobre paga mais caro pelo produto também. (Aproveite para lembrar que o minuto mais caro da telefonia é o pré pago)

O dinheiro vale menos (porque os juros são maiores) e o produto custa mais caro. É o pesadelo da igualdade social.

Todo esse início para dizer que eu comprei um Iphone. E de modo algum eu estou me vangloriando. Mas após muitos anos, eu cedi à Apple e estou fascinado com algumas perspectivas que se abrem.

Primeiro uma curiosidade: minha conta de telefone irá baratear bastante com a aquisição e eu calculo que em menos de 12 meses, terei o dinheiro investido de volta. O que perpetua o pesadelo da igualdade social.

A conectividade 3G e wifi nitidamente vão matar a telefonia tradicional. Isso porque, em poucos cliques nos novos smartphones, baixa-se programas como skype, viber, voxer e whatsapp que praticamente conectam você com todas as pessoas que você costuma estar em contato. O ponto é que as ligações passam a ser feitas através de tais programinhas, assim como os sms e assim sucessivamente. A tarifa cobrada por minuto e os custos de roaming e deslocamento perdem a razão de existir.

Os pagamentos em código de barra podem ser feitos através da câmera do celular que já substitui os tradicionais leitores.

E se você quiser comparar preços para ver se está pagando caro num produto, basta escanear a etiqueta e um programa compara os preços em outros estabelecimentos. Isso sem contar a possibilidade de você fazer uma lista de compras de supermercado e o programa comparar cada produto em cada estabelecimento e te dizer em qual supermercado você deve ir e quanto economizará.

Por hora, fica a reflexão do impacto que a tecnologia dos smartphones gerará na concorrência. E todo o direito empresarial fica de olho bem aberto porque nessa luta, somos nós que driblamos as dificuldades de modo criativo.

Categorias

Tags

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 - 10:02
Spencer Toth Sydow

Enfim, SOS

Quem nunca viu um telefone celular de um amigo, que se vangloriava pelas incríveis

por Bloomberg/Contributor

disponível em Gettyimages.com

tarefas que o aparelho era capaz de executar e fez a fatídica pergunta: “E ele faz ligações também?”

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu a frase: “eu só quero um aparelho que faça e receba ligações” ou então “10 anos atrás a gente viva muito bem sem celular”.

Eu compreendo perfeitamente certas indignações com o fato de estarmos cada dia mais sendo vigiados porque se exige ou porque nós mesmos permitimos que nos vigiem. Mas dizer que a tecnologia é dispensável e pregar um retorno à vida sem celular, me parece irreal.

Afinal, o conceito de TECNOLOGIA não está associado puramente à lógica da informática. Manuel Castells, sociólogo famosíssimo, mostra em suas obras que tecnologia deve ser compreendida como toda a técnica capaz de gerar melhoria no uso dos recursos disponíveis. Por isso, por exemplo, o uso de rotação de culturas no plantio, é tecnologia e ninguém pensa como era melhor a vida sem ela.

Idem no que se refere à penicilina, ao papel ou ao cartão de crédito. Sendo assim, é possível afirmar que tecnologia é um conceito cumulativo e progressivo. Não há que se pensar em sociedade dando passos para trás em tal conceito (os naturistas que me perdoem).

E tem muita gente que acha que as geotags são o novo big brother. Que elas violariam o conceito constitucional de intimidade.

Em parte eu concordo. Se você pensar em câmeras te filmando sem que você saiba ou celulares te seguindo e monitorando seus passos sem o seu consentimento, isso certamente é ilegal. É como se as pessoas livres tivesses as tais tornozeleiras eletrônicas sem nunca terem feito nada de errado.

Mas se houve liberdade, a disposição da intimidade é totalmente aceitável.

E vejam que interessante o recente caso de um casal que se perdeu na floresta e graças à tecnologia geolocalizadora foram encontrados em 3 horas, numa situação que, caso tivesse se alastrado por mais tempo, poderia gerar suas mortes.

Também existem programas que combatem crime contra o patrimônio, quase que numa autotutela. O cidadão instala no celular um aplicativo passivo. Caso alguém furte, roube ou se aproprie do aparelho e tente utilizá-lo, o erro da senha por 3 vezes, por exemplo, tira uma fotografia secreta do usuário, aciona o geolocalizador e manda, de tempos em tempos um email informando onde o celular está, com precisão de míseros 30 metros!

A ineficiência das forças públicas, cada vez mais é superada pela criatividade e pelos incríveis avanços da tecnologia!

Será que a tecnologia de geolocalização também resolve isso aqui: http://www.findwaldo.com/ ?

Categorias

Tags

terça-feira, 13 de dezembro de 2011 - 23:15
Spencer Toth Sydow

Formas Tecnológicas de Evitar Preconceitos

A rede tem, como a própria metáfora promete, o condão de tratar todos os peixes que nela estão do mesmo modo. Sejam de água doce, de

por Atomic Imagery

água salgada, coloridos ou monocromáticos, todos são peixes e ali devem se tolerar. Se não, o espaço deixa de existir.

Pois tolerância na rede é algo variável. Isso porque, por exemplo, nos Estados Unidos da América do Norte, a primeira emenda constitucional garante ampla liberdade de expressão e, no Brasil, a inexistência do marco civil (ainda) gera muitos abusos.

Grupos de ódio, flaggings em bate papo, cyberbullying, injúrias e tantas outras condutas são frequentes.

Lembro-me de um fato repugnante de uma pessoa que usava a internet como ferramenta para pregar o ódio ao nordestino na época das eleições a presidência da República.

Mas a rede também serve para que diversos ou semelhantes se unam. Redes de relacionamento, foursquare, fóruns que acionam coletividade para movimentos de greve… tudo para unir objetivos, destinos e até mesmo corações.

E veja que interessante. Ao mesmo tempo a rede une e desune. Ela ajuda a criar mas também ajuda a vencer o ódio.

Especialmente neste post, gostaria de falar de uma interessante ideia sobre união e vitória sobre o ódio.

É a ideia de misturar geolocalização com redes sociais e criar o serviço GRINDR que nada mais é do que um programa que você instala no seu smartphone e permite que acesse sua localização ao mesmo tempo que mostra interesse em relacionamento.

Ali, a pessoa homossexual coloca seus dados, suas fotos e, ao invés de se expor buscando paquerar pessoas que eventualmente não têm a mesma orientação, o serviço informa a ela se há alguém com os mesmos interesses próximo. Com isso, a exposição gerada por uma paquera que poderia gerar ódio e violência, fica superada. E olhares tortos e estranho, também.

Não estou dizendo que o serviço dispensa uma boa ida a um bar ou uma balada, mas sim que há formas de contornar as dificuldades da timidez, acentuadas pela (ainda) intolerância que há quanto à orientação sexual das pessoas.

Você já notou que ironicamente a maior parte das pessoas chama de “diferente” pessoas que gostam de iguais?

Pois independentemente da sua opinião ou orientação sexual, uma vez que o Estado não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo para coibir condutas racistas, a tecnologia ajuda internautas a focarem seus interesses de modo inteligente.

Todos são iguais, na medida de sua igualdade.

Um brinde ao jeito particular de resolver um problema público.

E não se esqueça que virtualmente somos todos compatíveis.

Categorias

Tags

segunda-feira, 28 de novembro de 2011 - 13:40
Spencer Toth Sydow

V1C10

Reportagem da Folha de São Paulo de hoje aponta que o crescimento no uso de emails e de celulares faz com que as jornadas de trabalho iTrabalhode trabalhadores em cargos de escritório sejam estendidas até o local de respouso (casa, hotéis, etc), chegando até mesmo a impactar nas férias do trabalhador.

É muito importante primeiramente que entendamos que o Direito do Trabalho considera a jornada de trabalho o período diário de até 8 horas e que a legislação permite que sejam acrescidas até duas horas suplementares a tal período, se houver acordo ou contrato coletivo de trabalho. Essas horas a mais recebem um acréscimo de 20% ou geram possibilidade de compensação, segundo o artigo 59 da tal CLT.

O que ocorre frequentemente é que nossa vida está cada dia mais indissociada da tecnologia. O mesmo aparelho que usamos como smartphone pessoal agrega função de receber comunicações do trabalho. Sendo assim, a verdade é que a cada dia nos tornamos mais “encontráveis” e isso, para fins de trabalho em uma economia aquecida, é a fórmula perfeita para a perturbação nos momentos de lazer e descanso.

Mas a CLT apresenta claramente a ideia de que entre as jornadas de trabalho é necessário ao menos 11 horas consecutivas de descanso, além de ao menos um período de 24 horas ininterruptas de descanso também.

Trabalho aos domingos? Somente com autorização de autoridade competente!

Trabalho em feriados nacionais ou religiosos? Proibido!

Trabalho a noite? 20% de acréscimo na hora diurna!

E ai de quem descumprir porque a justiça aplica ao empregador uma BELÍSSIMA multa para que isso não ocorra novamente! (pare de rir ironicamente, por favor)

Um dos principais problemas é que quem mexe com tecnologia ou usa tecnologia como ferramenta complementar ao trabalho está SEMPRE naquilo que chamamos de DISPONIBILIDADE.

Se recebessemos por tais períodos, estaríamos 25% mais “ricos” (pus aspas).

Mas, posto que assim como ocorre comigo, raríssimas empresas respeitam o descanso de seus empregados e pouquissimas reconhecem que abusam de seus empregados em horários além das jornadas, o que ocorre são constantes explorações além do contratado, que deveriam gerar indenizações trabalhista gordas lá na frente.

As empresas e os empregadores usam de um discurso de “você tem que fazer hora extra e estar disponível sempre se quiser se estabelecer e crescer no mercado” e nós, trouxas, acreditamos. A tecnologia mascara a disposnibilidade e o trabalho extra para locais de conforto e férias, sem que sejamos devidamente remunerados por isso.

Aliás, é com base nisso que muito propõe a lógico do trabalho em casa. Afinal, já se trabalha de todo o jeito de lá e o deslocamento até o local físico, muitas vezes, é meramente formal. Eu mesmo trabalhei numa universidade em que batia o ponto às 15 horas e trabalhava até às 23hs. Mas lá os computadores eram TÃO RUINS e o uso de impressoras TÃO BUROCRÁTICO, que eu escrevia tudo a mão, chegava em casa (depois das 23hs, claro) e ali sim começava a jornada para fazer o trabalho render…
Quem não fica nada feliz com a tecnologia são as namoradas, noivos, maridos, esposas, companheiros, etc…

(Muitas vezes já pensei em batizar meu note com um nome feminino, visto que minha relação com ele muitas vezes supera a com minha namorada em tempo….)

Pior do que isso: Trabalho vicia. Tecnologia vicia.

Pausa para um cafezinho?

Categorias

Tags

terça-feira, 8 de novembro de 2011 - 23:21
Spencer Toth Sydow

MAC-Tub

Diz a Constituição Federal, em seu artigo 5º. Inciso VI, que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

em gettyimages

foto de: Medioimages/Photodisc

Aliás, Constituição essa que assegura que o país não adota nenhuma religião oficialmente, admitindo qualquer delas.

Auguste Comte teve como um de seus exponenciais literários a obra “Lei dos Três Estados”, em que, linhas gerais, descreve que a humanidade se desenvolve em três etapas claras. Na primeira, a humanidade, ainda incapaz de compreender os fenômenos ao seu redor, alicerça-se num Estado puramente teológico; na segunda, em uma etapa mista, conjuga-se o teológico com o científico/jurídico; na terceira, a humanidade gera um Estado puramente científico, fundado em valores positivados pela razão humana.

Isso não quer dizer que o Estado deixe de lado o culto ou diminua importância à religião. Simplesmente ele não está baseado nesta. Por mais que sabidamente haja uma relevante e importante bancada no Congresso Nacional, o Estado não se desenvolve PORQUE há religião mas sim CONJUNTAMENTE COM todas elas, num saudável diálogo de valores.

A rede é livre é, por certo, construída em valores amplíssimos. A criação de páginas somente se submete a uma valoração acerca de abusos que cometem após estar no ar e gerar divulgação.

Pois a totalidade das igrejas está on line. E utiliza-se de instrumentos variados para cativar os jovens e adequar-se às realidades cotidianas. Há dízimo pago por boleto enviado para o email. Trechos de livros sagrados sendo tuitados. Missa on line.

Há até curiosos sites de comércio em que se pode encomendar pacotes de hóstias já abençoadas e todos os aparatos litúrgicos. Sites em que se pode comprar “certidões de nascimento judaica”. Enfim, o comércio rola solto. E a possibilidade de falsidade ideológica ou uso de indumentárias religiosas para conquistar confiança das pessoas, também.

Sou favorável às religiões e seus esforços informáticos. Num mundo em que cada vez mais os jovens se desinteressam pelo místico, ou se corre atrás, ou sucumbe.

A única coisa que me incomoda um pouco é o esforço de pregação feita nas redes sociais por amigos.

Entendo que quando se aceita uma amizade nesse contexto social, muita coisa vem junto. Mas a rede, por seu caráter onipresente e obrigatório, nos põe numa posição mais dificil do que a vida real.

Explico: se você conhece uma pessoa e essa pessoa fica o tempo todo falando de religião e tentando te convencer a frequentar uma igreja ou acreditar em algo, de modo impositivo, e você não gosta, você só precisará encontrar essa pessoa uma vez e nunca mais. Você só sofrerá o assédio uma vez. Mesmo porque, se você não gostou da atitude, essa pessoa não será sua amiga. Ponto final. Se um dia cruzarem na rua, ficarão simplesmente no “passa em casa um dia desses” que nunca será cumprido.

O mesmo ocorre com pessoas pessimistas, ou obcecadas por futebol. Se você não compartilha com a sintonia dela, adeus.

Mas no mundo da tecnologia não. Essa pessoa sempre poderá te atingir, seja com um post, seja com um email, seja com um SMS.

Mas a Carta da República diz, também, que ninguém será obrigado a fazer algo senão em virtude de lei. Como compatibilizar minha vontade de não ser alvo de mensagens religiosas, por exemplo, com o direito de uma pessoa pregar seus ideais e crenças?

Bendito seja o filtro de emails. E bendito seja o “unsign” das redes sociais.

Já pensei num botão novo para o FB: o cutuco indutor de “semancol”.

Só faltava termos que pedir para parar de receber mensagens assim de modo explícito, numa espécie de “opt out” com amigos e conhecidos. Deus nos livre…

Categorias

Tags

terça-feira, 1 de novembro de 2011 - 1:01
Spencer Toth Sydow

Final Cut

Até que ponto aceitamos que a rede nos informe? Quanto de informação estamos dispostos a aceitar? Quais informações?

Getty Image

foto de Nobutsugu Sato


Em que ponto termina o direito de ser informado e onde começa o direito de ignorância?

Há, afinal, um direito à ignorância?

O Programa Bolsa Família se esforça para que não haja tal direito. Pelo menos no que se refere às crianças e adolescentes e isso está em perfeita sintonia com o ECA (art.4º, 4ª figura, da Lei 8.069/90).

Mas e depois de adultos?

Lia o livro de Paulo José da Costa Jr. sobre o direito que temos de estar sós. Achei ótimo e inovador. Posso, porém, ficar só com meus pensamentos?

Sócrates dizia que só sabia que nada sabia. Percebi há algum tempo que quanto mais estudamos, mais difícil o mundo fica porque percebemos o quanto complexo ele é. E nos esforçamos para entender como um cão que corre atrás do próprio rabo. Mas junto ao conhecimento vem a responsabilidade. E essa endurece a gente.

Várias vezes questionei se a simplicidade da ignorância não faz a vida mais doce e suave.

Apesar de criticar a lógica mercantilista dos romanos, pão e circo as vezes é tão gostoso… (ou seria cerveja e futebol?)

Vi a história da moça, mãe de um rapaz de 16 anos, que navegando pelo Facebook descobriu páginas em homenagem a seu filho que havia falecido num jogo de futebol americano horas antes.

A mãe recebeu a notícia da morte de seu próprio filho pela rede, antes que a escola ou a polícia a encontrassem para o relato fatídico.

A rede tem o direito de apressar amputações de esperança? Será realmente que estamos tão aflitos por obter todas as informações imediatamente?

No caso da mãe e de seu filho morto, será que a rede tirou responsabilidades da polícia e da escola ou criou uma situação de ineficiência indenizável?

Houve dano moral? A forma truculenta e seca, sem qualquer delicadeza, com que uma notícia catastrófica é dada pela rede exime?

Tendo a crer que se há uma coisa que as máquinas custarão a aprender é que se há um jeito de desfazer o nó, não é necessário cortar a corda.

Essa é uma premissa interessante da resolução de conflito. Se há um jeito pouco traumatizante, opte por esse. Um mau acordo vale mais que um ótimo processo.

Mas vai explicar isso para um processador…

Categorias

Tags

quinta-feira, 13 de outubro de 2011 - 2:54
Spencer Toth Sydow

Semi Greve

Vivemos duas vidas bem diferentes. A real e a digital.

por Paul Gilligan

Pelo menos numa a gente vive na aparência. Mas não vou dizer qual porque varia. As vezes é nas duas…

Tem gente que vive mais na net do que no mundo sólido. E tem gente que acha que pode dispensar o mundo virtual.

Tem gente que só se solta atrás da tela e tem gente que só usa a tela para fingir.

(eu posso jurar que uma vez vi, numa roda de amigos, uma pessoa achar engraçada uma piada e rir falando “LOL”)

Mas a verdade é que no mínimo das gerações X em diante não existe uma vida sem a outra. Se é que estão dissociadas.

E por lógica, a informática misturou-se com a maior parte das profissões. Não há advogado sem computador. Nem professor. Nem engenheiro. Nem publicitário. Nem médico. A maior parte imprescinde de informática.

Em alguns casos, a informática é a própria profissão e em outros, é parte complementar.

Pois pensando no segundo caso veio a ideia da semi greve.

Chamei de semi greve porque não chega a ser uma paralisação total. Não se cruzam os braços totalmente. Não. O trabalho continua andando, mas os trabalhadores recusam-se a utilizar-se dos computadores ou quaisquer aparatos de tecnologia.

Talvez, mais do que uma greve propriamente dita, a semi greve seja um regresso ao momento pré revolução digital.

Por aumentos de salários, acordaremos cedo, nos deslocaremos ao local de trabalho, bateremos os devidos pontos, mas não usaremos o editor de texto, ou a planilha ou ainda melhor: não usaremos o email, nem os aparelhos de videoconferência.

Estou aqui a disposição, senhor patrão. Eu só não usarei a tecnologia…

O tribunal do trabalho nunca poderá dizer que eu não fui trabalhar. Não poderá mandar que os empregados “voltem ao trabalho” porque eles de lá nunca saíram e nunca pararam.

Só que no estado de semi greve, no que se refere à porção informática eu me recuso a colaborar.

A Constituição Federal garante o direito a greve em sentido amplo. Ela diz, em seu artigo 9º, que “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. § 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.”

Mas será que no caso concreto alguém pode dizer que o exercício da semi greve poderia gerar penalidade aos semi parados? No meu ponto de vista, parece que não.

Seria um jeito interessante de mostrar o quanto é possível reivindicar sem prejudicar no extremo. E de dar um valor importante às habilidades do trabalhador no trato com a tecnologia que o circunda.

No dia dessa semi greve – se um dia ocorrer – os trabalhadores voltaram a conversar na sala de cafezinho, tiveram menos dores na coluna e diz a lenda que todos se sentiram exatamente 15 anos mais jovens e até montaram uma banda, denominada “larga”.

Nunca ninguém descobriu se o LARGA era um verbo no imperativo ou o prenúncio do retorno ao pleno trabalho.

P.S.: Feliz Dia do Professor!

Categorias

Tags

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 - 20:18
Spencer Toth Sydow

Brasilianização da Rede?

Não estou falando que a rede agora é brasileira.

por Don Bishop (coleção Photodisc)

Direitos Autorais Reservados - Network Chain

Também não estou falando do antigo carro da volkswagen, mesmo porque hoje a rede é razoavelmente moderna e veloz, data maxima vênia às cláusulas de limitação e redução de velocidade de bandas.

Estou falando do município de Brasília, Capital Federal da República Brasileira.

De acordo com @danilogentili, a capital é como Las Vegas porque construída no meio do deserto para alguns ganharem dinheiro fácil…
Mas não é essa a comparação que quero fazer (apesar de dar certo também).

Brasília é a capital galáctica do “você-sabe-com-quem-está-falando-?”. Nada contra as pessoas de lá, sempre muito solícitas, receptivas e gentis comigo.

O fato de ser lá ser o nosso centro político faz com que ABSOLUTAMENTE TODO O MUNDO seja amigo de alguém que tem um nome digno de nota no cenário nacional.

O taxista já levou o ministro do STF “para lá e para cá”. O ascensorista consegue levar às alturas deputados que produzem leis orçamentárias. O porteiro abre portas para quem “abre portas”…

O atendente do supermercado é amiga da vizinha do diplomata e esnoba as compras pela esteira afora.

E ai de quem procura encrenca com alguém que tem um quê de quase talvez influência.

A internet, nesse sentido, popularizou a amizade com alguém relevante. Todo o mundo pode ser seguidor ou até mesmo amigo do super star da mídia hoje. Eu mesmo sou “amigo” do Tas, do Kevin Mitnick, do José Eduardo Cardoso, da Soninha… seria legal vê-los um dia…

Isso porque os artistas famosos, os políticos populares e os ícones de suas áreas não se escondem mais. A moda de usar óculos escuros (máscara?) e passar desapercebido acabou. Pelo menos na rede.

As pessoas QUEREM ser perseguidas!!! Os famosos, inclusive, PEDEM que os sigamos ou adicionemos. É ORGULHO ser perserguido por milhares de pessoas!

Sendo assim, todos podemos ser amigos de pessoas importantes. Ou que se julgam (ou nós julgamos) importantes.

Outro dia lia no Facebook um cidadão desconhecido que tinha sido recém aceito como “amigo” de um grande jurista. Ele escrevia assim: “Olá, grande amigo! Obrigado por me aceitar”.

Comecei a rir. Fiquei me imaginando mandando uma mensagem para o papa ou para o Obama, chamando-os de “queridos amigos desconhecidos que nunca vi em toda a minha vida e certamente nunca verei”…

O conceito de amigo perdeu sentido com as redes sociais até a lógica dos círculos do Google+ (por enquanto a melhor coisa), recém adotada pelo FB.

Curiosamente, isso gerava vários impactos jurídicos. Antes de você poder selecionar os alvos de suas postagens, suas mensagens saíam em direcionamento geral.

Algo como alguém que atira para todos os lados. A megaamizadização é um perigo!

Eu mesmo sofri os revezes da postagem generalizada.

Quando queria postar que saiu um novo texto deste blog, sem problemas. Mas quando critiquei uma posição política do governo, ganhei inimigos.

Postei uma foto minha, particular, com um querido amigo, fazendo careta. Muitos interpretaram que divulgava naquela foto um modo de caçoarmos das pessoas.

Postei uma foto minha na Disney. Alguns interpretaram um modo esnobe de mostrar que pude viajar enquanto outros não puderam…

Cliquei num “like” em uma foto de uma amiga e questionou-se se estava paquerando-a…

Dá um trabalho danado apresentar o “nada-disso”…

Os crimes contra a honra existem e a mera publicação de uma opinião para terceiros pode gerar consequências criminais…

Pensei muitas vezes em deletar perfis por motivos pessoais, profissionais, familiares… afinal, eu era obrigado a misturar formas diferentes de ser e viver para grupos sociais diferentes…

A lógica da nova segmentação está prestes a tentar resolver tal problemática. Bondade dos desenvolvedores? Estou mais tendente a crer que isso é uma estratégia para evitar a dispersão dos consumidores, afastando-os de publicidade lucrativa. Forma de evitar que uma parte das pessoas se retire desses serviços e, assim, deixarem de poder ser influenciados em potencial.

No mais, além disso, as redes sociais nessa nova toada farão com que possamos ter comportamentos pessoais e profissionais simultaneamente, num mesmo perfil, sem eventualmente ofender sem querer alguns. E sem perturbar muitos com mensagens enchendo suas páginas acerca de assuntos que não interessam.

Sem querer, nós mesmos poluíamos as páginas alheias com assuntos de interesse exclusivo.

Já disse a Constituição Federal: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei. E ter que ler opiniões religiosas ou brigas, muitas vezes, ninguém merece…

Cabe a nós mesmos, agora, nos educarmos e criarmos o hábito de segmentar nossos contatos e enviar posts, fotos, vídeos, links e mensagens de modo mais focado, para, assim evitarmos ser incômodos com nossos próximos.
E quem avisa, amigo é…

Xi… Amigo? Aceita primeiro, vai.

Categorias

Tags

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 - 23:42
Spencer Toth Sydow

Babá Digital

Eu adorava assistir o desenho dos Jetsons. Sempre quis ter a coleira do Astro que fazia ele falar e mais do que tudo, eu sempre quis ter a Rose, a babá computador.

por Brand X Pictures

em Gettyimages

Para minha surpresa, porém, EU virei uma babá informática…

Como muitos leitores sabem, sou advogado e sou professor. E ambas minhas profissões lembram muito a profissão de médico: onde quer que um advogado ou médico vão – sejam festas, seja restaurante, seja boteco – sempre tem uma pessoa pronta para “sem querer abusar, mas já abusando, fazer uma perguntinha ou tirar uma dúvida”…

É um inferno. Lá vem perguntas sobre emprego, sobre contrato, sobre pensão… E isso começa já na faculdade. O aluno de primeiro ano já é especialista em direito de família, na opinião dos vizinhos…

Mas eu falava de mim. E da minha condição de babá digital.

Veja só se você não passa por isso também. Você faz cursos de informática, de programação, de webdesign, de cloud computing, de pacote office, de cibersegurança… passa o dia resolvendo complexidades… Mas quando você chega na casa da sua mãe, ela quer que você, já que você “entende de computador”, explique porque a impressora está produzindo uma linha preta vertical nos documentos.
Você aprende códigos complexos, algoritmos, criptografia… mas seu tio te chama na casa dele porque quer limpar o teclado e tem medo de puxar o botão…

Você conhece macros, atalhos, hastags, rss, mas seu avô precisa de ajuda porque precisa instalar um tal aplicativo de segurança para usar o banco na internet…

Ou seja: também nesse aspecto da vida, todo mundo sempre tem um pedido para fazer e uma consultoria grátis para aproveitar.
E eu sei exatamente o que acontece com você. Se seu chefe pede ajuda para arrumar o computador dele que está lento ou não sabe se primeiro vem o ctrl Z ou o ctrl C, você explica calmamente, com toda a paciência. Mas se for sua irmã, lá vem chumbo grosso. Você vira uma fera.

Aí, eu também sei que ao invés de você explicar, você decide fazer. Você senta, arruma a rede sem fio, recupera a senha que alguém esqueceu, instala o software e aumenta a RAM. Mas faz sozinho, você mesmo. Você prefere fazer a explicar.

Isso se chama mandato.

Alguém te concede poderes e você tem a função de exercer uma atividade em nome dela.

Mas alguns chamam isso de ser babá. Outros, de receber uma procuração.

Parabéns. Você entendeu um pedaço da minha vida. Ou eu, um pedaço da sua.

Categorias

Tags

Fãs

///

Notícias

///
INFO Online - Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.