Gestão 2.0

terça-feira, 21 de setembro de 2010 - 9:03

VII Seminário de Gerenciamento de Projetos – PMI-RS

Esta semana participarei do VII Seminário de Gerenciamento de Projetos, do PMI-RS. O evento será de 21 a 24 de setembro. Eu palestrarei no dia 24, sexta-feira. Se você é de Porto Alegre e é gerente ou tem interesse em gerenciamento de projetos, não deixe de aparecer na PUC-RS.

Uma vez que eu falo muito sobre Agilidade e métodos mais modernos de gestão de software, poucos sabem que eu sou certificado como PMP desde 2005 e estudei muito o PMBOK. Com isso posso dar uma perspectiva dos dois lados: PMI e Agile.

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sábado, 28 de agosto de 2010 - 22:28

Centros de Custo

Toda empresa que lida com software tem sempre graves problemas de comunicação. Um deles tem a ver com a Lei de Conway. Não é exatamente uma “Lei” mas uma observação sobre design de software em organizações. Eu li sobre isso pela primeira vez anos atrás no famoso livro The Mythical Man Month, de Fred Brooks.

Conway afirma que “organizações que fazem design de software … estão restritas a produzir designs que refletem as estruturas de comunicação da empresa.”

Pior ainda, um corolário dessa lei é que “quando as estruturas sociais da organização são rígidas, elas podem ser refletidas no design do sofware, resultando em qualidade sempre ruim.” Significa que inclusive as relações interpessoais vão se manifestar no software.

De forma simplificada, se tivermos 3 departamentos responsáveis por desenvolver um mesmo software, provavelmente o resultado serão 3 sub-módulos que se integrarão no mesmo software. Se forem 5 departamentos, o software terá 5 sub-módulos.

Mesmo em uma única equipe tradicional, se tiver 4 programadores, possivelmente teremos 4 sub-sistemas ou um design em 4 partes onde cada um fez uma parte.

Isso é ainda pior porque a maioria das corporações que consomem TI não tem software como negócio principal. Por exemplo, manufaturas, lojas, fábricas, todas apenas consomem software para reduzir custos, otimizar processos, automatizar procedimentos. As grandes até tem departamentos internos de desenvolvimento de software, mas elas são vistas não como real investimento e sim como custo. E como todo custo, a meta é sempre diminuí-los.

Centros de Custo

Falei um pouco sobre isso no meu artigo anterior Fábrica de Software é uma Besteira justamente porque um dos motivadores para fábricas de software é apenas diminuir custos, sem entender que não existe almoço grátis: pense apenas em diminuir custos via mão de obra barata e necessariamente a qualidade vai diminuir exponencialmente.

A questão principal nessas organizações é que todo departamento é tratado principalmente como Centro de Custo. Esse tipo de mecanismo existe para saber onde os custos da empresa estão indo. O mecanismo em si não é o problema, mas sim seu uso. Quando você tem um centro de custo de marketing e outro de RH, não é difícil ratear os custos porque os recursos de um não são reaproveitados trivialmente pelo outro.

Porém, se você tem múltiplos departamentos de software e cada um tem seu centro de custo separado, prepare-se para grandes dores de cabeça e enormes desperdícios. Departamentos que tem recursos compartilhados tem sérios problemas se uma das diretrizes principais é a gestão dos custos. Software é volátil, abstrato, não é um material estocável. Se um departamento precisa do conhecimento do funcionário que está em outro departamento, não é fácil remanejá-los, porque ele faz parte de uma hierarquia, é representado como um recurso e o custo do seu salário está no centro de um departamento. Emprestá-lo é como emprestar dinheiro sem ter retorno direto, porque o salário continua saindo de um centro e não do outro a menos que ele mude de gerência e passe para a hierarquia do outro departamento. Mas se você só precisa dele temporariamente, como algumas semanas, esse tipo de burocracia garante que o conhecimento de um departamento não será reutilizado em outro.

Mais ainda: muitos softwares usam partes que são naturalmente reusáveis. Se um departamento faz essa parte, os outros poderiam se aproveitar dela. Mas o custo saiu de um departamento e não é trivialmente rateável entre os outros. Cria-se mais um problema burocrático: de quem deve ser o investimento pelo reuso? Para isso, criam-se mais gambiarras para essa gambiarra pré-existente: cria-se um Departamento separado de Reuso, um absurdo! Reuso não é sempre planejável, e os melhores componentes na realidade emergem de um sistema onde eles não eram previstos. Crie um departamento para cada coisa reusável da empresa e rapidamente você terá software com qualidade decrescente.

E isso se a empresa tem algum tipo de preocupação mínima em tirar o máximo de seu investimento inicial. Outra coisa que representa enorme desperdício é quando o software feito por um departamento é deliberadamente duplicado por outro. Esse tipo de organização hierárquica baseada em departamentos e centros garante que cada um quer ter controle total sobre seus recursos. Cansei de ver, em inúmeras empresas, um departamento preferir reescrever ou comprar um software que já existia na empresa porque caso contrário ela não teria o controle desejado. Você é dono de uma empresa onde se desenvolve software internamente? Comece a procurar, você vai facilmente encontrar diversos sub-sistemas duplicados que fazem a mesma coisa mas que seu gerente preferiu reescrever, aumentando seus custos totais e desperdiçando investimento que já foi feito.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010 - 14:19

Eventos de TI de Setembro

Se você é desenvolvedor de software ou gerente de projetos de software, é importante sempre atualizar seu networking e a melhor forma de fazer isso é indo em bons eventos de tecnologia. Se você precisa escolher no máximo 1 em Setembro, recomendo que seja a QCon SP.

O evento é organizado mundialmente pela InfoQ, e no Brasil será pela Caelum, que sempre é muito competente em organizar eventos. Teremos grandes nomes como Charles Nutter, Nick Callen, Alexandre Magno, Bruno Souza e muitos outros de diversas comunidades para falar sobre Java, .NET, Ruby, Agilidade, arquiteturas, cases, boas práticas.

Além disso, estão acontecendo eventos pelo Brasil inteiro e para se manter atualizado utilize o novo site AgendaTech. Ele lista os principais eventos de diversas comunidades. Se você é organizador de eventos, não deixe de cadastrá-lo nesse site também.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010 - 20:31

Novela e Gestão

O fato de eu estar passando uma temporada de home-office é interessante. Minha mulher deixa a TV ligada no fim da tarde e no meio do café não pude deixar de notar uma cena na novela Ti-ti-ti, que acabou de estrear. A cena é com Christiane Torloni, que está fazendo o papel de Rebeca Bianchi. Pelo que entendi ela é uma viúva que está tentando assumir o lugar do falecido marido em sua empresa. Ela fazendo as vezes de uma total novata como executiva e tentando tirar a empresa do vermelho.

O que achei interessante foi a cena onde ela vai almoçar no bandejão junto com os operários da fábrica. Os funcionários, claro, ficam surpresos em vez a manda-chuva comendo junto com eles. O que me chamou a atenção foi o autor da novela entender que essa situação é rara e diferente o suficiente para virar uma cena de novela. Afinal, a enorme maioria dos chefes dificilmente gosta de dividir a mesa com seus subordinados. Mais interessante, como também sempre acontece, a chefa está achando que a situação da empresa é ruim, mas os funcionários explicam que eles estavam tendo produtividade recorde. Ou seja: informações cruzadas entre a alta gerência e o chão de fábrica.

Rebeca almoça no restaurante da fábrica com Gino e os operários

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terça-feira, 27 de julho de 2010 - 14:26

Contratação, Entrevistas e Candidatos

Contratar não é fácil. Todos que já participaram de um processo de contratação sabem disso. Falando especificamente do nosso mercado de tecnologia, eu mesmo já tive que contratar e demitir muitas pessoas. O principal problema? Existe falta de bons profissionais no mercado. E não estou falando de pouco, estou falando de uma enorme maneira.

É muito fácil hoje fazer parte do mercado de informática. Qualquer um pode dizer que é programador, analista, engenheiro. O sintoma mais comum é que quanto mais de baixa qualidade é a mão-de-obra disponível, começa a se subir os critérios na hora de filtrar os currículos. Oras, basta pedir mais qualificações, certo? Errado!

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terça-feira, 13 de julho de 2010 - 18:54

Minha Primeira Visita à Semco

Quem me conhece há algum tempo sabe que um dos cases que mais me interessa é o grupo brasileiro Semco. É difícil definir essa empresa que existe desde a década de 50 e passou as últimas décadas se reinventando, passando desde fornecedor da indústria naval, passando por serviços imobiliários com a Cushman & Wakefield, serviços e consultoria ambiental com a ERM, informatização de inventário com a RGIS, investimentos com a Tarpon, soluções de gerenciamento postal de documentos com a Pitney Bowes. Ela acredita em diversificação de negócios, fez diversas joint ventures, já revendeu várias delas. Em seu pico chegou a ter mais de 5 mil colaboradores.

Hoje, fiz minha primeira visita à sede da Semco, em Santo Amaro. O vídeo abaixo foi feito durante o horário do almoço, por isso parece tão vazio :-) Espero poder retornar e inclusive visitar as outras filiais e fábricas.

(clique na imagem abaixo para assistir o vídeo)

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quinta-feira, 24 de junho de 2010 - 5:54

Processos, Metodologias e o Cérebro Humano

O cérebro humano é uma máquina fantástica, e dizer isso é basicamente uma redundância do termo. Porém existem muitas anedotas e misticismo quando se fala sobre ela.

Todos já discutiram alguma vez a separação da “Emoção” do “Raciocínio”. Desde os tempos de Platão, as emoções são vistas como algo que atrapalha o pensamento lógico. Pior ainda: a maioria das pessoas realmente acredita que, pelo menos nas decisões mais importantes, nós somos capazes de deixar as emoções de lado e pensar de acordo com o pensamento de economia clássica: baseados em fatos, evidências e custo-benefício.

Porém, a verdade é que na grande maioria das vezes não é assim que nos comportamos. Em uma situação cotidiana, quando vamos a um supermercado, dificilmente ficamos fazendo aritmética, considerando os ingredientes de cada produto, o valor nutricional. Normalmente olhamos para um produto e decidimos se compramos ou não baseados no que sentimos. No meio de dezenas de marcas diferentes para um mesmo tipo de produto, escolhemos baseado em experiências passadas, em algum acontecimento marcante, nas lembranças e assim por diante, e tudo em frações de segundos. Nós preferimos levar um produto “80% light” do que levar um “20% gorduroso”, apesar de ambas as frases dizerem a mesma coisa.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010 - 17:35

Introdução à Agilidade

Eu retornei no último fim de semana de uma viagem à Baltimore, Maryland, onde palestrei na RailsConf. Neste evento tivemos grandes palestras e algumas delas voltadas não somente a Ruby on Rails mas à carreira de programação em geral. Uma dessas palestras foi de ninguém menos que Robert Martin, da Object Mentor. Eu traduzi um artigo seu no meu post anterior.

Recomendo assistir à palestra na íntegra.

Desde que comecei este blog, tento explicar as condições e dificuldades que um Gestor de Projetos enfrenta. Porém também estava tomando cuidado para não mencionar o termos “Agile” muitas vezes. Atualmente estamos sofrendo uma febre de “agilidade”. Todo CIO, CTO, Gerente, Consultor, para parecer “moderno” diz que sabe “Scrum”, que é “ágil”. Isso é por um lado bom, porque finalmente algumas empresas talvez consigam adotar da forma correta, mas por outro lado é muito ruim, porque estamos queimando o nome “Agile” por causa de consultorias ruins implementando isso errado no cliente. Daí a percepção que muitos desavisados ficam é que “Agile não funciona”.

Pois bem, durante a RailsConf, eu tive a oportunidade de conversar e entrevistar o Robert Martin, cuja gravação você pode assistir no Blip.TV:

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domingo, 30 de maio de 2010 - 21:26

Certificações – Não Desperdicem seu Tempo!

Todos sabem como sou contra certificações com o objetivo primário de segurar o canudo. Ja disse isso em artigos anteriores. E para fortalecer essa posição, achei interessante que o Uncle Bob Martin - conhecido agilista da Object Mentor e um dos signatários do Manifesto Ágil - tenha se manifestado com a mesma opinião.

Sempre que vejo recomendações a jovens profissionais sobre como embelezar seu currículo – o “SEO” de currículos e outras grandes bobagens do gênero – fico pasmo com a ingenuidade que as pessoas tem sobre trabalho profissional. Enganar para entrar numa empresa, se enganar achando que sabe o que está dizendo, ser enganado contratando tais aberrações, isso não faz nenhum sentido.

A seguir segue a tradução do seu artigo.

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terça-feira, 25 de maio de 2010 - 7:37

Palestra: Desmembrando Pessoas

Este ano participei novamente da caravana do Encontro Locaweb, o evento anual de desenvolvedores da Locaweb, que fechou este ano sua 12a edição. Palestraram nomes conhecidos como  Luli Radfahrer, Gil Giardelli, Rene de Paula, Vinicius Teles e mais. Foram 6 cidades no total, começando em Salvador e terminando na minha grande São Paulo.

O tema da minha palestra foi “Desmembrando Pessoas, Pensamentos Aleatórios sobre Gestão”. Depois de quase 10 anos coordenando, gerenciando e dando coaching em projetos, resolvi pesquisar mais sobre o assunto. Foram quase 2 anos onde descobri, ou melhor, redescobri muitos temas que são ignorados pela maioria das pessoas. Digo “redescobri” porque a maioria dos assuntos tem mais de 40 anos de desenvolvimento. São campos que variam desde economia, passando por psicologia até mesmo física e biologia.

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