No dia 18 de maio de 2012, Facebook entrou para NASDAQ. Para muitos um dia “histórico”, afinal a rede social congrega mais de 900 milhões de internautas e gerou em 2011 o equivalente a 3.7 bilhões de dólares em receitas (85% das receitas do Facebook têm origem em publicidade). O resultado do IPO é que o Facebook tem agora 16 bilhões de dólares para investir em seu crescimento.
Antes porém de ficarmos “jogando confete” nesta captação monstruosa de dinheiro e imaginarmos que isto é sinal de sucesso é preciso refletir não sobre o Facebook, mas sobre o universo digital, seus velhos modelos de negócios baseados em publicidade e em especial sobre esta fase da internet chamada de “web social”.
O universo digital é notoriamente movido por “ondas”. Estas ondas são definidas por fatores tecnológicos, sociais e econômicos. Três fatores que estão totalmente fora do controle de qualquer empreendedor digital.
Basta olhar os tablets. Há dois anos e meio atrás, absolutamente ninguém (e você pode vasculhar a internet em busca de análises sobre isto) dizia algo sobre esta nova plataforma, o mundo estava voltado para os smartphones e notebooks. Os tablets, e em especial os iPads, estão se mostrando plataformas inovadoras para leitura de revistas, livros, negócios (em especial vendas diretas) e educação. Ninguém viu os tablets e ninguém está vendo a próxima onda digital, inclusive o Facebook.
Os modelos de negócios que hoje temos para internet, com raras exceções, continuam sendo baseados em publicidade. Isto quer dizer que quando você faz uma busca no Google e não está pagando para usar seus milhares de servidores, redes, algorítmos de busca e times de desenvolvimento, alguém está pagando esta conta. No caso do Google, é o anunciante.
Para continuar oferecendo a caixinha de busca sem custo para você, alguém tem que “clicar” num banner. Basicamente o mesmo faz o Facebook. Para que você possa publicar gratuitamente a foto de sua última viagem, alguém tem que “clicar” num banner.
Mas enquanto no Google buscar alguma coisa significa um forte interesse nesta coisa (inclusive de comprá-la), nas redes sociais é preciso analisar uma centena de fatores diferentes. Se um internauta publica uma foto de um cachorro lambendo um sorvete e centenas de pessoas curtiram isso, significa o que? Que ele quer comprar um cachorro, comprar ração pra cachorro, comprar sorvete ou simplesmente levar seu cachorro pra passear na praia? Contextualizar publicidade em redes sociais é muito mais complexo do que em ferramentas de busca.
Os portais e as redes sociais por outro lado aumentam as áreas de exposição para os banners (velha estratégia para chamar mais a atenção) e vão deixando o conteúdo (inclusive o seu) cada vez mais para baixo da página, menor e apertado.
Historicamente, o efeito da publicidade sobre os portais de conteúdo foi nefasto, transformando-os numa fantasia, com pop-ups, animações, banners que se desenrolam sobre o texto, enfim um inferno para o leitor. Devo ressaltar que não tenho nada contra o modelo de negócios baseado em publicidade, mas nas redes sociais todo o conteúdo é pessoal, publicado pelos internautas, o que nos leva a refletir com cautela sobre diversos outros fatores como por exemplo: privacidade, censura, discriminação, bulling, entre outros. “Enfiar” publicidade goela abaixo do internauta, analisando seu perfil e comportamento tem sérias limitações e implicações.
Finalmente na web social vale a regra da migração. Um usuário descobre uma nova balada da hora e leva seus amigos. Quando o Facebook começou, havia o combalido Orkut e o MySpace (preso e amordaçado por um grande grupo de mídia). Resultado, migração em massa para o Facebook.
Se compararmos friamente as redes sociais do passado, então chamadas de “comunidades virtuais” e as de hoje, não vamos encontrar nada de novo. As redes sociais continuam sendo um espaço para compartilhar fotos, jogar conversa fora, fazer um chat e tirar uma dos amigos. O perigo está em pensar que a bolha social vale bilhões de dólares. Certamente que não.
Houve um tempo digital em que ninguém gostava de revelar a própria identidade na rede mundial de computadores, a tal da internet, cada um tinha seu “nick_name”. Entrar em comunidades virtuais ou salas de bate-papo para conversar, ou comentar qualquer assunto em fóruns de discussão, sempre usando um avatar. Um tempo onde o maior desafio dos portais e nascentes negócios virtuais era saber quais eram aquelas milhares de pessoas que diariamente acessavam seus serviços virtuais, por exemplo de conteúdo. Hoje a história mudou. Uma nova geração está no comando da rede, uma geração que busca autonomia e tem voz própria e possui novos códigos de relacionamento. Uma geração mais personalista, individualista, que publica suas próprias fotos, sem medo de mostrar a cara no ciberespaço. Vivemos o novo tempo das redes sociais, onde na porta de entrada você precisa apresentar sua carteirinha. Para entrar neste clube, é preciso dizer exatamente quem você é. Bem, a história é um pouco diferente.
O recente caso do perfil falso de Wendi Deng Murdoch no Twitter nos leva à pergunta natural: quanto de inverdade existe no mundo virtual? O evento é ainda mais emblemático porque a tal conta de Wendi Deng havia recebido o “selo de autenticidade” do próprio Twitter! Algumas estatísticas recentes apontam para algo em torno de 10% de contas falsas no Facebook e algo próximo de 25% no Twitter (dados do fiverr e internetevolution). De um lado, perfis falsos representam um perigo real para as redes sociais, pois afetam diretamente a credibilidade dos serviços. De outro, para os usuários, não existe como fazer um “duplo-check” de identidade, somente se houver um encontro pessoal, isto é, sair do ciberespaço e caindo na real.
De fato, qualquer jovem com algum conhecimento de edição de imagens, boa imaginação e paciência, pode criar em uma hora, dezenas de perfis falsos em qualquer rede social. Contas de e-mail ou números de celular continuam sendo alguns dos critérios adotados para verificar autenticidade de identidade. Infelizmente, critérios fracos e fáceis de burlar.
Mas nada se compara à arte da dissimulação em massa dos spammers. Apesar de todo esforço mundial, ainda recebemos diariamente centenas de e-mails com falsas mensagens, enviados por servidores zumbis espalhados pelo mundo, à serviço de quadrilhas ou hackers especialistas em criar falsas identidades.
Computadores não possuem juízo de valor, basta programá-los e agirão de acordo. Como realmente saber se um e-mail da Receita Federal é verdadeiro ou falso? Afinal, quem é quem no espaço programável, apagável e fluído do virtual? É certo que o virtual tornou imprecisa, ambígua e questionável a identidade de cada um de nós. Ao se buscar uma relação unívoca entre o eu real e a persona virtual, as redes sociais conseguiram justamente o oposto: fortalecer o jogo de sombras, colocando num mesmo ambiente crível, perfis autênticos e hologramas virtuais.
Bruce Sterling em seu livro “The hacker crackdown” escreveu: “Apesar de não ser exatemente real, o ciberespaço é um lugar genuíno. Coisas acontecem lá e têm consequências muito genuínas”.
Ou talvez seja isto mesmo, viver nesta nova cultura, ou melhor cibercultura, signifique aceitar o jogo de sombras, os clichês, andar por um território povoado por ciborgues, imagens e fatos construídos, conversar com bots dotados de inteligência artificial e marcar encontros virtuais com pessoas que nunca encontraremos na vida real. Real? Mas o que é a realidade?
A internet e sua infinita conectividade está modificando o cenário de como os jovens adquirem conhecimento, indo mais longe, de como os jovens produzem, transformam e compartilham conhecimento. Se num primeiro momento a ênfase do universo digital estava em disponibilizar ferramentas de comunicação síncronas (chat, video chat, etc) e assíncronas (email, fóruns), o momento agora é o de prover ferramentas de construção de conteúdo texto, vídeo e áudio, apoiadas em plataformas e APIs programáveis.
Faz sentido pensar no virtual como espaço de aprendizagem, a infinita biblioteca de Babel de Borges, onde cada objeto digital pode ser transformado numa peça no jogo de quebra-cabeças do conhecimento. Aprende-se os princípios da eletricidade construindo-se um robô com partes de um celular, assistindo-se a um vídeo sobre tempestades tropicais e conversando online com um especialista indiano, tudo ao mesmo tempo agora. Ao contrário do espaço organizado, regular, controlado e estruturado da escola, as redes sociais promovem o auto-aprendizado, a capacidade crítica, a discussão em grupo, a colaboração e a associatividade.
Nas redes sociais, professores/mestres são aqueles capazes de apontar os caminhos dentro do universo virtual capazes de levar o aluno/aprendiz ao conhecimento. Nada de respostas prontas ou padronizadas. Aprender no virtual é uma jornada infinita, não um livro com um número exato de páginas.
A combinação das ferramentas de comunicação digitais, as bases de informação e os relacionamentos das redes sociais transformam o ciberespaço na nova escola, sem paredes, sem carteiras, sem conceitos pré-estabelecidos. Tudo está interconectado numa rede de conhecimento sem limites.
Apesar das redes sociais ainda estarem longe de explorar todo o seu potencial para educação, vale conhecer a ferramenta de e-learning Odijoo.