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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 - 8:24

Tablet e uso corporativo – Adote uma plataforma não um app

carro e gasolina

Segundo o IDC, foram vendidos 627 mil tablets em agosto deste ano, crescimento de 134% em relação ao mesmo período de 2012, contra 597 mil notebooks, número 28% menor. Tablets, em especial o emblemático iPad da Apple, representam para as empresas uma oportunidade e um risco. Oportunidade para “automatizar” a força de vendas com um dispositivo simples, intuitivo e de baixo custo de manutenção, ou ainda para conversar diretamente com os clientes, promovendo ações de marketing e comunicação. Por outro lado, são um risco porque muitas empresas optam pelo uso de apps os quais uma vez “baixados” pelos usuários, possuem diferentes limitações que irão criar mais problemas que soluções para as empresas que criaram os mesmos. As diferenças entre uma plataforma e um app são consideráveis e devem ser avaliadas com extremo cuidado. Cabe ao time de marketing, vendas e tecnologia da empresa fazer as ponderações antes da adoção de um ou de outro. Então vejamos:

Conteúdo não é software
A primeira distinção que deve ser observada parece simples, mas nem sempre é observada: conteúdo não é software. A melhor forma de explicar este fato é pensarmos no carro e na gasolina. O carro você compra uma vez, mas irá precisar encher o tanque com frequência para usá-lo. Carro é software, gasolina é conteúdo. Empresas precisam renovar periódicamente sua comunicação, seu catálogo de vendas, seu portfólio de produtos, realizar novas ações de marketing, etc. Isto é conteúdo, basicamente imagens, vídeos, texto, tabela de preços. Num app, software e conteúdo, estes dois elementos distintos, estarão “misturados”, isto é, para qualquer tipo de alteração mesmo que mínima no conteúdo, o app terá que ser aberto e editado. Numa plataforma, o conteúdo está separado do software. Isto dá total independência para editar, apagar, alterar, renovar qualquer parte do conteúdo sem precisar “abrir” a plataforma. Para empresas que desejam usar tablets nas áreas de vendas e marketing por exemplo, isto representa maior agilidade, menor custo e controle da comunicação.

Independência das “lojas virtuais”
Quando o assunto é edição ou publicação de novos conteúdos, as plataformas oferecem ainda uma vantagem adicional: independência das lojas virtuais, tais como Apple Store ou Google Play. Uma plataforma permite que o conteúdo seja atualizado sem a necessidade deste “passar pela loja virtual”. Isto dá maior independência e agilidade para as áreas de produto, marketing e vendas para fazer as atualizações. Apps estão amarradas às lojas virtuais. Pior ainda: é impossível garantir que um cliente (ou até mesmo um vendedor) esteja usando a última versão do app. Caberá sempre ao usuário final a decisão da atualização do app, o que pode não ocorrer.

Plataformas e sistemas de gestão
Uma plataforma está muito além do tablet, é um sistema. Uma plataforma oferece gestão do conteúdo, controle de acesso e histórico dos usuários, controle de versão, workflow para aprovação e publicação de conteúdos, compartilhamento e colaboração. Uma plataforma oferece ferramentas de back-end que irão auxiliar a empresa no dia-a-dia das ações de marketing e vendas. Com um app, isto não existe. Haverá sempre a necessidade de se fazer um novo software, testá-lo, publicá-lo na loja virtual, aguardar que os usuários baixem. Enfim, um ciclo de uso complexo, lento e de maior custo.

Métricas
Empresas podem obter diferentes métricas quando adotam um app, mas são sempre as mesmas, restritas a quantidade de downloads e dados demográficos. Com uma plataforma, basta elaborar KPIs (Key Performance Indicators – Indicadores Chave de Performance) no momento da concepção do conteúdo, e será possível visualizar estas métricas em relatórios de BI (Business Intelligence) personalizados. Além disso, os dados coletados pelas plataformas podem ser integradas diretamente ao CRM corporativo, facilitando a avaliação do resultado de ações multi-canais por exemplo.

Evidentemente que existem casos em que apps podem ser adotadas por empresas, mas dentro de um universo muito restrito. Considerando a dinâmica dos negócios, adotar uma plataforma é o melhor caminho.

Notas
App – acrônimo para applications ou aplicativo – Android app iPhone app por exemplo. Um programa de computador desenvolvido para ser instalado em dispositivo móvel tais como tablets ou smartphones.
Links
Invisible engines

The Age of the Platform

Vendas de tablets superam PCs no Brasil e podem bater notebooks em breve

Introdução às plataformas de software
Ricardo Murer
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segunda-feira, 18 de junho de 2012 - 13:58

Introdução às plataformas de software

O que há de comum entre um aplicativo para previsão do tempo no iPhone, uma calculadora em um smartphone Android e um game dentro do Facebook?

O fato de que todos foram desenvolvidos sobre plataformas de software. Interessante que são três empresas diferentes, mas que encontram uma forma de agradar seu público abrindo espaço para que desenvolvedores pudessem desenvolver e comercializar suas próprias criações digitais.

Quando pensamos nas mais diferentes tecnologias que estão ao nosso redor é fácil perceber que estamos vivendo a “era da plataforma”. Mas afinal quais são os fatores que definem uma plataforma de software? Quais as vantagens para as empresas e seus clientes quando adotam uma plataforma de software? Por que jovens nerds estão se tornando milionários desenvolvendo aplicativos “sobre” plataformas de software? Antes porém de responder estas perguntas fundamentais, importante revisar alguns conceitos fundamentais, os quais explicam o sucesso desta inovação.
Algoritmos

Antes do software existe o algoritmo, um conjunto de instruções que descreve, passo a passo, como uma tarefa será realizada. Estas instruções formam uma sequência lógica, a qual uma vez realizada, leva à conclusão da tarefa. Uma linguagem de programação (Java, C++, Javascript etc) é usada para codificar um algoritmo, este é o software.
Software proprietários e livres

Nos primórdios da computação, praticamente todo software era proprietário. A arte da programação estava restrita às empresas que vendiam programas e aplicativos. Com a chegada do software livre e de linguagens de programação abertas este cenário mudou radicalmente.

Linguagens de programação tais como Java, Python e PHP e sistemas operacionais gratuitos tais como o Linux, começaram a ser usados por talentosos programadores, os quais colocaram em xeque a estrutura fechada do mercado de software. A arte da programação tornava-se acessível para todos e várias organizações surgiram para promover o software livre, entre estas a The Open Source Initiative (OSI).

Em pouco tempo, surgiram bancos de dados livres tais como o Firebird e o PostgreSQL, gerenciadores de conteúdo tais como Joomla! e o Drupal, e tantos outros produtos em diferentes áreas.
Compartilhamento e colaboração

Um efeito colateral do movimento de software livre foi o de estabelecer duas atitudes de trabalho muito diferentes do que a indústria de software vinha adotando: compartilhar e colaborar.

Se na era do software proprietário o segredo e as patentes eram palavras de ordem, os jovens da nova era do software livre adotaram o compartilhamento aberto e irrestrito das informações, dos códigos fonte e conteúdos.

Além disso, colaborar e trabalhar em equipes multidisciplinares, muitas vezes 100% virtuais também se tomaram práticas comuns. Não por acaso, as empresas e startups que surgiram nesta onda publicam abertamente seus códigos fonte e trabalham em conjunto com os usuários de forma aberta e irrestrita.
Plataformas de software

A Motorola possui uma das melhores definições para plataforma:

“Plataforma é um conjunto de ativos que podem ser usados para alavancar o reuso e o rápido desenvolvimento de novos produtos. No mínimo, ela define o ambiente operacional, a arquitetura em alto nível de todos os produtos desenvolvidos com base nesta plataforma, e um conjunto de políticas de desenvolvimento para aperfeiçoar a plataforma e o desenvolvimento de produtos.”

Quando entramos no ambiente de desenvolvimento de software, os “ativos” são as ferramentas de programação e os “produtos” são os aplicativos. Entre estas ferramentas estão:

1. Kits ou pacotes para o desenvolvimento de aplicativos – SDK (Software Development Kit);
2. Emuladores ou Simuladores, que permitem ao desenvolvedor visualizar e testar seu aplicativo como se estivesse no ar;
3. APIs (Application Program Interfaces) as quais definem padrões e especificam como os diferentes componentes da plataforma se comunicam;
4. Bibliotecas e frameworks, os quais podem ser usados pelos desenvolvedores para agilizar o desenvolvimento dos aplicativos.

Mas as atuais plataformas de software de maior sucesso, e aqui estou me referindo a Apple, Google Android e Facebook, estão indo além, adicionando três importantes componentes:

1. Fator social

Para um aplicativo obter sucesso é preciso que ele tenha volume de acessos ou downloads. Para os jovens desenvolvedores e mesmo para as empresas, uma plataforma que tenha ao redor de si milhões de usuários é um fator crítico.

Ao oferecer um ambiente de compartilhamento, divulgação e mídia espontânea, as plataformas estão potencializando os bons aplicativos.

2. Multiplaforma

Um dos fatores mais importantes de sucesso de um aplicativo está relacionado a facilidade com que o usuário possa acessá-lo e isto significa poder acessá-lo de qualquer plataforma, seja web, tablet ou mobile.

Neste sentido, o que temos hoje é o Facebook como plataforma web, enquanto Apple e Google Android estão estabelecidos nas plataformas móveis e tablets. Mas este cenário deverá mudar nos próximos anos, com o Facebook estendendo sua plataforma para smartphones e tablets.

3. Comercialização

Aplicativos podem ser gratuitos ou pagos. Alguns podem adotar ainda o modelo Freemium (modelo de negócios onde o internauta adota um aplicativo gratuitamente, mas para ter mais recursos deve pagar).

Reconhecendo que as integrações e requisitos técnicos para adoção de modos de pagamento são um “gargalo” para os desenvolvedores de aplicativos, as plataformas oferecem modelos prontos para comercialização dos aplicativos.
Conclusão

As plataformas de software têm se mostrado até agora um ecossistema onde indústria, desenvolvedores e consumidores podem estabelecer relações de valor, com benefícios para todos.

Se prestarmos atenção vamos observar que outros setores estão “namorando” com plataformas, tais como a construção civil, educação e o setor automobilístico.

A alavanca inicial porém vem da sociedade. Ao exigirmos abertura, compartilhamento e transparência, quebramos as estruturas de mercados estabelecidos. A indústria de software foi somente a primeira.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011 - 15:37

O modelo plataforma-aplicativos e o fim dos navegadores

“A coisa mais importante sobre a tecnologia
é como ela muda as pessoas”
Jaron Lanier (1960 -)

Ao fazermos uma análise dos conteúdos digitais, vamos observar que o domínio e a produção destes foi sendo transferido dos grandes conglomerados de mídia e notícias para os internautas e a onda da digitalização está colocando em xeque os veículos impressos, a tal ponto que hoje, já temos alguns jornais produzidos somente em formato digital. Estas evoluções são resultado não só da disponibilização de ferramentas de produção e publicação gratuitas, fáceis de usar e amigáveis, mas de um novo tipo de internauta, interessado em fazer parte da construção e evolução da aldeia global digital. Cada um pode e quer deixar sua assinatura neste infinito quadro feito de bits. Em paralelo, uma nova forma de “agir” sobre os conteúdos digitais está em curso, um movimento capaz de modificar profundamente como produzimos, consumimos e distribuímos conteúdos digitais, o movimento que tem como base a dupla “plataforma-aplicativo”. Se até agora, o formato básico para se “navegar” nos conteúdos digitais era a partir de um “internet-navegador(browser)”, o que está acontecendo é que, cada vez mais pessoas do mundo estão online “fora” dos navegadores, estão consumindo e distribuindo conteúdos a partir de aplicativos, muitos destes instalados em smartphones ou tablets. Para você ler conteúdos, que antes eram entregues somente dentro de navegadores, existem ótimos aplicativos tais como o Flipboard ou o Zite. Novamente, nada de Internet Explorer, Firefox ou Safari.

Este novo modelo coloca em xeque o universo dos navegadores, pois estes foram construídos baseados em servidor push HTTP, um mecanismo para envio de informações do servidor para o navegador. Nesta nova internet plataforma-aplicativo, o mecanismo é outro, é PULL. Cabe ao aplicativo selecionado pelo usuário buscar conteúdo no servidor, de forma personalizada e quando for conveniente. Se olharmos ainda mais longe, num futuro próximo, bastará “construir” o aplicativo de nosso interesse. Futuro próximo? Hoje, com um SDK (Software Development Kit – Kit de Desenvolvimento de Software) já é possível para qualquer pessoa criar seu próprio aplicativo. O mais interessante é que estas ferramentas são de “alto nível”, isto quer dizer que não há necessidade de profundos conhecimentos de programação. Experimente por exemplo o Corona SDK da ANSCA Inc. e me conte depois. Esta ferramenta já atingiu mais de 19 milhões de downloads e com ela você mesmo pode fazer seus próprios aplicativos para plataforma iPhone ou Android.

Ao libertar a internet dos navegadores, estamos entregando aos internautas uma nova capacidade criativa sem limites. Como os detentores das plataformas permitem não só a publicação mas também a comercialização global dos aplicativos, este novo universo digital coloca nas mãos de cada internauta a possibilidade de ser, ele mesmo, dono de seu próprio destino.

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