“A coisa mais importante sobre a tecnologia
é como ela muda as pessoas”
Jaron Lanier (1960 -)
Ao fazermos uma análise dos conteúdos digitais, vamos observar que o domínio e a produção destes foi sendo transferido dos grandes conglomerados de mídia e notícias para os internautas e a onda da digitalização está colocando em xeque os veículos impressos, a tal ponto que hoje, já temos alguns jornais produzidos somente em formato digital. Estas evoluções são resultado não só da disponibilização de ferramentas de produção e publicação gratuitas, fáceis de usar e amigáveis, mas de um novo tipo de internauta, interessado em fazer parte da construção e evolução da aldeia global digital. Cada um pode e quer deixar sua assinatura neste infinito quadro feito de bits. Em paralelo, uma nova forma de “agir” sobre os conteúdos digitais está em curso, um movimento capaz de modificar profundamente como produzimos, consumimos e distribuímos conteúdos digitais, o movimento que tem como base a dupla “plataforma-aplicativo”. Se até agora, o formato básico para se “navegar” nos conteúdos digitais era a partir de um “internet-navegador(browser)”, o que está acontecendo é que, cada vez mais pessoas do mundo estão online “fora” dos navegadores, estão consumindo e distribuindo conteúdos a partir de aplicativos, muitos destes instalados em smartphones ou tablets. Para você ler conteúdos, que antes eram entregues somente dentro de navegadores, existem ótimos aplicativos tais como o Flipboard ou o Zite. Novamente, nada de Internet Explorer, Firefox ou Safari.
Este novo modelo coloca em xeque o universo dos navegadores, pois estes foram construídos baseados em servidor push HTTP, um mecanismo para envio de informações do servidor para o navegador. Nesta nova internet plataforma-aplicativo, o mecanismo é outro, é PULL. Cabe ao aplicativo selecionado pelo usuário buscar conteúdo no servidor, de forma personalizada e quando for conveniente. Se olharmos ainda mais longe, num futuro próximo, bastará “construir” o aplicativo de nosso interesse. Futuro próximo? Hoje, com um SDK (Software Development Kit – Kit de Desenvolvimento de Software) já é possível para qualquer pessoa criar seu próprio aplicativo. O mais interessante é que estas ferramentas são de “alto nível”, isto quer dizer que não há necessidade de profundos conhecimentos de programação. Experimente por exemplo o Corona SDK da ANSCA Inc. e me conte depois. Esta ferramenta já atingiu mais de 19 milhões de downloads e com ela você mesmo pode fazer seus próprios aplicativos para plataforma iPhone ou Android.
Ao libertar a internet dos navegadores, estamos entregando aos internautas uma nova capacidade criativa sem limites. Como os detentores das plataformas permitem não só a publicação mas também a comercialização global dos aplicativos, este novo universo digital coloca nas mãos de cada internauta a possibilidade de ser, ele mesmo, dono de seu próprio destino.
A internet e sua infinita conectividade está modificando o cenário de como os jovens adquirem conhecimento, indo mais longe, de como os jovens produzem, transformam e compartilham conhecimento. Se num primeiro momento a ênfase do universo digital estava em disponibilizar ferramentas de comunicação síncronas (chat, video chat, etc) e assíncronas (email, fóruns), o momento agora é o de prover ferramentas de construção de conteúdo texto, vídeo e áudio, apoiadas em plataformas e APIs programáveis.
Faz sentido pensar no virtual como espaço de aprendizagem, a infinita biblioteca de Babel de Borges, onde cada objeto digital pode ser transformado numa peça no jogo de quebra-cabeças do conhecimento. Aprende-se os princípios da eletricidade construindo-se um robô com partes de um celular, assistindo-se a um vídeo sobre tempestades tropicais e conversando online com um especialista indiano, tudo ao mesmo tempo agora. Ao contrário do espaço organizado, regular, controlado e estruturado da escola, as redes sociais promovem o auto-aprendizado, a capacidade crítica, a discussão em grupo, a colaboração e a associatividade.
Nas redes sociais, professores/mestres são aqueles capazes de apontar os caminhos dentro do universo virtual capazes de levar o aluno/aprendiz ao conhecimento. Nada de respostas prontas ou padronizadas. Aprender no virtual é uma jornada infinita, não um livro com um número exato de páginas.
A combinação das ferramentas de comunicação digitais, as bases de informação e os relacionamentos das redes sociais transformam o ciberespaço na nova escola, sem paredes, sem carteiras, sem conceitos pré-estabelecidos. Tudo está interconectado numa rede de conhecimento sem limites.
Apesar das redes sociais ainda estarem longe de explorar todo o seu potencial para educação, vale conhecer a ferramenta de e-learning Odijoo.