São Paulo - Era a notícia mais aguardada (e de certa forma mais temida) do mundo da tecnologia.
Ao enviar um comunicado aos funcionários da Apple em que anunciava seu afastamento do cargo de presidente, no dia 24 de agosto passado, Steve Jobs enfrentava uma longa batalha contra o câncer que o impedia de continuar à frente da maior empresa de tecnologia do mundo. Desde então, analistas que acompanham a empresa e os fãs da marca da maçã se perguntam: como será o futuro da Apple sem Jobs?
A filosofia que fez a Apple criar produtos inovadores está bem enraizada na sede da empresa. “Os dias mais brilhantes e inovadores da Apple estão por vir”, disse Jobs em sua despedida do cargo.
É provável que o cofundador da Apple tenha razão. Mas não dá para deixar para trás um fator importante: sua personalidade. “Não há dúvida de que será difícil, senão impossível, substituir o carisma de Jobs”, disse a INFO Carolina Milanesi, analista do instituto Gartner. Jobs tem como grande qualidade antecipar o que as pessoas querem antes mesmo que elas se dêem conta disso. Certa vez, ao ser perguntado sobre qual pesquisa usou para desenvolver o iPad, respondeu: nenhuma. “O trabalho do consumidor não é saber o que ele quer”, afirmou. Nos corredores da Apple corre a lenda de que Jobs teria destruído dois protótipos do iPhone antes do seu lançamento, em 2007.
Foi essa obsessão de Jobs pelos detalhes e a capacidade de agradar em cheio o consumidor que fez a Apple sair da beira do precipício, em meados da década de 1990, para chegar, ainda que por apenas algumas horas, ao posto de maior empresa do mundo, em agosto passado. A virada começou com o iMac. Mas foi o lançamento do iPod, há 10 anos, que levou a Apple para um novo patamar. Desde então, a empresa tem emplacado um sucesso atrás do outro: iTunes, novos modelos do iPod, iPhone e, mais recentemente, o iPad.
O escolhido para preencher o vazio deixado por Jobs é Tim Cook, ex-chefe de operações da empresa. Foi ele quem assumiu interinamente o cargo todas as vezes que Jobs pediu licença médica para se tratar. “Ele é muito bom no operacional”, diz Carolina, do Gartner. “Conseguiu azeitar a cadeia de produção e ajudou a aumentar as margens de lucro da empresa.” Hoje, a Apple produz um número maior de gadgets, por um preço menor e com menos defeitos do que os concorrentes. Resta saber se Cook terá com a criação e o design de novos produtos a mesma habilidade que tem com a logística e os números.