Mercado
Lei pode limitar capital externo em portais
Agência Brasil Domingo, 11 de julho de 2010 - 19h40BRASÍLIA - As grandes empresas de rádio, televisão e jornais querem que a participação do capital estrangeiro no controle dos portais da internet fique restrita a 30%, conforme estabelece o Artigo 222 da Constituição Federal.
O artigo restringe o controle da propriedade de empresas jornalísticas e de radiodifusão (som e imagem) a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos e a empresas com sede no país.
“As regras valem para todas as empresas jornalísticas, independentemente do meio pelo qual elas difundem suas informações”, acredita o advogado Gustavo Binenbojn, consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A mesma opinião tem Kalled Adib Antonio, da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra): “A Constituição tem que ser cumprida. O capital estrangeiro não pode ter portal na internet e TV a cabo”, acrescentou.
A Abra e a Abert participaram na última quarta-feira (8) de audiência pública sobre a participação do capital estrangeiro na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. Gustavo Binenbojn disse aos parlamentares que as regras têm como finalidade a preservação da cultura nacional.
O argumento, no entanto, é questionado por especialistas como o professor da Universidade de Brasília (UnB) Venício Artur de Lima, autor de 11 livros sobre comunicação de massa. Para ele, a posição das empresas brasileiras de comunicação tem a ver com os interesses financeiro e político.
“A atividade econômica nas comunicações envolve a produção de capital simbólico, que tem o valor muito alto. Além disso, a atividade assegura uma fatia de poder”, disse Lima à Agência Brasil.
Binenbojn admitiu o interesse econômico. “Secundariamente, existe uma preocupação de que o mercado nacional não seja inviabilizado por uma competição predatória. Isso é uma razão relevante para fortalecer o mercado jornalístico. O interesse nacional está também no funcionamento saudável das empresas do ponto de vista financeiro”, avaliou.
Para Venício Lima, as empresas de rádio, TV e jornal estão “lutando para manter o que têm”. O esforço, no entanto, pode perder o sentido: “O que vai surgir após a [atual] transição tecnológica ninguém sabe”.
Essa também é a opinião do deputado Jorge Bittar (PT-RJ), membro da CCTCI, que teme que a manutenção das atuais restrições seja inócua no ambiente eletrônico: “Nada impede que o portal se transfira do país e opere em outro lugar com conteúdos brasileiros e estrangeiros”.
O parlamentar ressalta que o controle acionário da empresa não necessariamente assegura a veiculação de conteúdos nacionais. “Podemos ter uma empresa controlada por brasileiros em que os conteúdos veiculados não sejam majoritariamente brasileiros”, lembrou.
A Abert e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) estão aguardando resposta do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, quanto à representação que fizeram em abril contra um portal da internet de capital espanhol que também veicula notícias.
Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério das Comunicações, publicado em maio, admitiu que a regra constitucional vale também para a internet, mas que não compete ao ministério fiscalizar o meio.
O tema deverá ser contemplado no Marco Regulatório Civil da Internet que o Ministério da Justiça prepara, após consulta pública desde outubro do ano passado. A Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009, propôs diminuir a participação do capital estrangeiro para 10%.
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Acho que empresas estrangeiras podem contribuir muito para melhorar a qualidade deste setor, acostumado com lucros enormes e quase nenhuma concorrência.
Na minha opinião não devemos temer o capital externo, mas evoluir com ele e pensarmos nós mesmos no mercado internacional.
enviado por: Marcelo Marchi Negreira em 13/07/2010 - 08:31 -
Tá, do que adianta fazer isso? Basta eu abrir um site na Espanha www.siteespanhol.com/brasil e tá feita a coisa: o site apresenta notícias do Brasil e é hospedado no exterior com espelho no Brasil. A BBC funciona assim!
enviado por: Ricardo Andre Varnier em 12/07/2010 - 10:48 -
Caro Rodrigo de Matos , concordo plenamente com a sua pessoa o maior problema é que infelismente sabemos que não só as empresas de radio e difusão mas tb nossos politicos só pensam em encher seus bolsos e pra piorar a sintuação temos a plena consiencia de que são todos eles vendidos , pricipalmente pelo fato deles saberem que certas empresas de comunicação colocam e tiram do poder quem eles querem, é quase que impossivel as coisas andaram em direção do povo.
Lembrando que uma empresa que tem como meta de campanha beneficente o valor do pagamento integral do imposto de renda num precisa se falar mais nada.
enviado por: Frederico Fernandes de Oliveira em 12/07/2010 - 09:07 -
Ótima consideração do professor Venício Artur de Lima. As empresas nacionais que atuam no meio não se preocupam com o enriquecimento do povo. Preocupam-se, sim, em encher seus bolsos de dinheiro e trabalhar para eleger representantes públicos que facilitem seus negócios. Os brasileiros, infelizmente, não podem contar com meios de difusão de informação íntegros e que exerçam papéis importantes no enriquecimento da nossa nação sem meter uma facada por trás.
enviado por: Rodrigo de Matos Silva em 11/07/2010 - 21:27




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