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Ganhe dinheiro com e-books

Por Maurício Moraes, de INFO
• Terça-feira, 16 de agosto de 2011 - 09h34
Joene Knaus

São Paulo - Alexandre Pires Vieira solta uma gargalhada quando se lembra da primeira vez que ganhou dinheiro com um livro digital na Amazon. “Formatei a Constituição brasileira e coloquei à venda”, diz. “Dois dias depois, a primeira cópia foi comprada por 3 dólares.” Dono de uma corretora de seguros e estudante de direito, Vieira havia preparado o livro para ler no seu Kindle. Descobriu, por acaso, que a Amazon tinha uma área para autores independentes e publicou a obra. Resolveu fazer o mesmo com outros livros que tinham caído em domínio público — ou seja, isentos do pagamento de direitos autorais. Deu certo.

Surpreendido pelo sucesso, Vieira criou, há pouco mais de um ano, a Legatus, que fatura 6 mil dólares por mês, em média, com e-books. Desse total, um terço vem de livros em português. Entre março de 2010 e abril deste ano, ele vendeu 26 193 livros sem gastar um centavo para produzi-los. Foram 9 459 edições em português e 16 734 em inglês. “Não tenho trabalho, a única coisa que faço é receber meu dinheiro”, afirma. Formado em engenharia da computação pela Unicamp, Vieira, 37 anos, trabalhou na Microsoft e na IBM e já foi dono de lojas de celular em shoppings.

Sem concorrência

Preparar uma edição para o Kindle é um processo simples e rápido. Praticamente tudo pode ser feito no Word. A grande sacada de Vieira foi descobrir o site Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br), do Ministério da Educação, e baixar textos de Machado de Assis, Eça de Queirós e José de Alencar, entre outros autores. Também reuniu leis brasileiras, como os Códigos Penal e Civil. Converteu tudo e colocou à venda na Amazon. “As pessoas não pagam pelo conteúdo, mas pelo serviço”, afirma. “Elas querem ler Dom Casmurro sem o trabalho de procurar, formatar e converter o texto.”

O catálogo da Legatus soma 88 títulos e tem como best seller o erótico Sexy Hot Tales. Embora Vieira diga que se trata de um livro que caiu em domínio público, ele reúne contos anônimos postados no site A Erotic Stories Archive. O número de vendas da editora caiu nos últimos meses por causa de um deslize. Além de formatar obras de autores brasileiros e portugueses, o empresário reuniu traduções de clássicos de escritores famosos, como os russos Fiódor Dostoiévski e Leon Tolstói. Só não se atentou a um detalhe: nas versões em português era preciso pagar direitos autorais aos tradutores. Um deles, Paulo Bezerra, ameaçou processar Vieira, que tirou das prateleiras virtuais cerca de 30 livros irregulares. Apesar de adotar uma solução simples e lucrativa, a Legatus não tem concorrentes na Amazon. A maioria das editoras do país ainda não vende livros eletrônicos na loja. Nova Fronteira, Ediouro e Agir estão entre as poucas que se arriscaram.

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comentários

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    Lucas Ferreira • 31/08/2011 - 07:55
  • Transcrevendo a reportagem: "O número de vendas da editora caiu nos últimos meses por causa de um deslize... o empresário reuniu traduções de clássicos de escritores famosos, como os russos Fiódor Dostoiévski e Leon Tolstói. Só não se atentou a um detalhe: nas versões em português era preciso pagar direitos autorais aos tradutores." O "deslize" está previsto no art. 184 do Código Penal e se chama violação de direitos autorais, no caso, dos tradutores. Trata-se de ação de penal pública incondicionada, ou seja, a autoridade policial ou o Ministério Público tendo notícia do fato (ou seja, lendo a reportagem) está obrigado, por dever de ofício e força de lei, a iniciar uma investigação. Eis o motivo da minha primeira indignação. As vítimas não são os apenas os tradutores, ao contrários do que se pode pensar, mas toda a sociedade. Outro motivo da minha indignação, é que mesmo quem defendeu a ideia vê que a lógica da editora custo zero não se sustenta. O meu exemplo da INFO foi gritante e indignou. Era para indignar mesmo. Mas a lógica é essa. A editora não paga direitos autorais para ninguém, produz seu próprio conteúdo, então o custo também é zero. Absurdo! Repito, a reportagem é totalmente desprovida de cabimento e não dá uma noção real da produção independente de livros eletrônicos, fenômeno crescente nos EUA que merece ser visto com mais carinho pela mídia não sensacionalista e mais bem INFOrmada brasileira.

    Magno Kretzschmar Nardin • 18/08/2011 - 08:23
  • Não tenho procuração para defender ninguém aqui , más parece que as pessoas não leem a matéria inteira e querem comentar e pixar quem publicou a reportagem , notem que a reportagem diz livros de domínio publico , quer dizer que ninguém tem que pagar direitos autorais e aí eu vejo comparações bizarras onde pessoas falam em baixar conteúdo da info e distribuí-la a r$ 0,99 , eu pergunto a info é de dominio público? Vejo falarem em materialidade de crime em copiar uma obra de dominio público e ainda chamar quem públicou a reportagem de incompetente ,meu DEUS , se não há crime como póde haver materialidade de crime? Por favor pelo menos leiam a reportagem inteira e comentem , respeito todas a opiniões e aqui deixo a minha , a titulo de informação é uma ótima reportagem , se alguém vai querer copiar a idéia , isto é pessoal.

    sergiobalsanulfo da silva • 18/08/2011 - 03:28
  • Vou dar um exemplo básico sobre o absurdo dessa reportagem que talvez o pessoal da INFO não tenha captado. Vamos reduzir a zero o custo da revista INFO usando a lógica dessa matéria. Vamos parar de imprir a revista na gráfica e editá-la somente em meio eletrônico :-) Pronto :-) Acabaram-se os custos! Agora a INFO sai a custo zero! É de graça! O lucro será de 100%! Genial! E ninguém pensou nisso antes! Podemos vender a bagaça a 0.99 centavos e teremos tudo de lucro!

    Magno Kretzschmar Nardin • 17/08/2011 - 22:57
  • Algumas mentiras e outras meias verdades. Dizer que produzir livros, mesmo que sejam os lixos eletrônicos que esse senhor produz e que eles não tem custo é, no mínimo, falar de má-fé. Talvez para quem se aproprie da propriedade intelectual alheia como a matéria mesmo informa o custo seja bem baixo. A exemplo da Editora Martim Claret essa aí merecia um inquérito no MP também por crime contra a propriedade intelectual, inclusive confessada. Aliás, a materialidade dos crimes ainda está lá, no site da Amazon. Uma breve busca comprava: Legatus (o gato? será coincidência). Mais uma vez, a INFO pisa na bola fazendo matéria sobre temas que não domina. No início era o LInux, agora são os ebooks. Santa incompetência!

    Magno Kretzschmar Nardin • 17/08/2011 - 22:32
  • Li esta matéria e ja publiquei um livro por domínio público, tenho que esperar 2 dias para ser aprovado, vamos ver se consigo. Esta matéria veio em boa hora, abriu um leque de possibilidades e abriu minhas idéias, valew.

    Aguiar junior • 17/08/2011 - 16:19
  • Boa matéria, apenas deveriam ressaltar ainda mais a questão dos direitos autorais.

    UrubasmaN • 16/08/2011 - 13:16

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