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Artigo: Modelo aberto nas finanças

Por Don Tapscott
• Quarta-feira, 14 de setembro de 2011 - 10h32

São Paulo - Em nosso livro Wikinomics, publicado em 2006, Anthony D. Williams e eu analisamos dezenas de companhias que usaram a internet para transformar seus modelos de negócios e alcançar extraordinário sucesso.

Contudo, nos cinco anos que se seguiram à publicação, notamos algo impressionante: a taxa de inovação dos modelos de negócios não evoluiu. Durante esse período, a internet se tornou mais onipresente e mais rica em recursos. Estamos vendo a revolução dos dispositivos móveis e dos aplicativos. E, claro, algumas empresas conquistaram vantagens competitivas com a web. Elas usam a rede para atrair talentos ou para desenvolver trabalhos de parceria inovadora com seus clientes. Mas, em geral, os ganhos são modestos.

Estamos começando a entender por quê. Torna-se cada vez mais difícil, e até impossível, para as companhias alcançar sucesso estrepitoso sem mudar completamente seu modus operandi. Por exemplo, a jogatina diária de Wall Street quase pôs no chão todo o capitalismo. Mesmo assim, nada mudou de fundamental.

Para restaurar a confiança de longo prazo em seus serviços, o setor financeiro precisa mais do que a mudança de comportamento de bancos ou mesmo a intervenção do governo e a definição de novas regras. O setor requer uma nova forma de operar, na qual todas as peças-chave (bancos, seguradoras, corretoras de investimento, agências de classificação e reguladores) abracem princípios como transparência, integridade, colaboração e compartilhamento de informações.

Formato wiki

Os bancos, por exemplo, devem abrir sua modelagem financeira, trabalhar com premissas pertinentes e ser transparentes. A modelagem financeira permite que os analistas estimem o valor dos bens, das ações de uma empresa ao barril de petróleo. As avaliações e as estimativas de risco estão por trás de todos os instrumentos financeiros. Mas, com o tempo, tanto os produtos como os modelos financeiros subjacentes tornaram-se cada vez mais complexos e, portanto, opacos.

Em contraste, a Open Models Valuation Company (OMVC) está usando a web para criar uma comunidade global de especialistas dedicados a estabelecer avaliações confiáveis e estimativas de risco para contratos financeiros. Ela rejeita a falta de transparência do sistema atual e usa um processo aberto para que acadêmicos, analistas quantitativos, bancos e investidores colaborem e determinem o grau de confiabilidade dos negócios.

Craig Heimark, veterano das finanças e um dos fundadores da Open Models, equipara isso à atividade dos cientistas. “No mundo científico, quando alguém publica um trabalho não divulga apenas os resultados, mas também mostra os passos do processo, os métodos e premissas, permitindo que outros examinem tudo.”

O modelo de negócio da OMVC foi concebido para avaliar tanto ativos existentes como as problemáticas transações baseadas em hipotecas, quanto novas ofertas dos bancos de investimento. Diz Heimark: “Proprietários e vendedores de ativos podem procurar a OMVC para ajudar na avaliação. A empresa então usa uma rede independente de especialistas que vai determinar um valor e, mais importante, comentar as premissas assumidas na análise. O processo todo é documentado num formato wiki e aberto à comunidade”.

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