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Análise: Telmex não é boa para América Móvil
Reuters Segunda-feira, 07 de junho de 2010 - 14h09CIDADE DO MÉXICO - O plano do homem mais rico do mundo, Carlos Slim, de consolidar suas operações com telecomunicações é bom para seu império, mas pode não ser tão positivo para os acionistas minoritários da América Móvil.
A relutância de Slim em fornecer detalhes financeiros específicos sobre os benefícios que espera obter com a fusão anunciada em janeiro tem alimentado avaliações de que a operação é planejada para resgatar a holding mexicana de telefonia fixa às custas da América Móvil.
"Acreditamos que o principal motivador para a operação não são sinergias de custos ou receitas, mas o desejo de Carlos Slim de usar os minoritários da América Móvil para comprar sua participação na Telmex e na Telmex Internacional a um preço generoso", disse o analista James Ratzer, da New Street Research, em relatório a clientes.
Pelas ofertas que se encerram na quinta-feira, a América Móvil, controlada por Slim, vai adquirir a Telmex International e a maior parte da operadora fixa mexicana Telmex.
Slim afirma que a combinação das companhias criará uma força de telecomunicações mais bem colocada para competir com rivais como a espanhola Telefónica, mas alguns analistas alertam que a aliança será um peso para a América Móvil, controladora da segunda maior operadora celular do Brasil, Claro.
A Telmex é uma companhia que está encolhendo e cujas ações têm perdido valor desde meados de 2008. No ano passado, foi a ação de pior performance na bolsa do México. A empresa tem sido forçada a congelar preços por uma década enquanto as famílias mexicanas optam por trocar suas linhas fixas por números celulares.
Enquanto isso, a Telmex Internacional tem se saído melhor, mas enfrenta dura competição em seus mercados, particularmente no Brasil, onde controla a Embratel.
Em contrapartida, a América Móvil, maior operadora celular da América Latina, ainda é vista como tendo forte potencial de crescimento nos próximos anos.
A combinação de Telmex Internacional com América Móvil criará uma companhia que oferecerá telefonia fixa, móvel, Internet e serviços de TV, e que estará melhor posicionada para competir com a Oi no Brasil.
O vice-presidente financeiro da América Móvil, Carlos Garcia-Moreno, afirmou durante o Reuters Latin America Investment Summit em maio que a maior parte das sinergias com a consolidação virão da área de investimentos. O compartilhamento de infraestrutura permitirá um incremento nos investimentos, disse o executivo.
Mas alguns analistas mostram-se frustrados. "Ei, se eles não me dão nada, como eu posso tomar uma decisão (sobre recomendação de investimento)?", reclama um analista que pediu para não ser identificado.
Apesar da incerteza e das preocupações de que a consolidação vai diluir o valor da América Móvil, muitos analistas recomendam a compra com base nas expectativas de que a empresa continuará crescendo rapidamente nos próximos anos na América Latina, onde seu principal rival é a Telefónica.
A América Móvil já separou 9,8 bilhões de ações, avaliadas em cerca de 24 bilhões de dólares, para pagar pelas transações.
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