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Pausa para Gutenberg
Dagomir Marquezi, da INFO Segunda-feira, 12 de abril de 2010 - 09h34Reprodução |
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SÃO PAULO - Livros eletrônicos terão vídeos e ilustrações dinâmicas.
O ano de 2010 será conhecido como aquele em que resolvemos aposentar o senhor Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg. Desconfio até que ao imprimir e encadernar o primeiro livro do mundo (a Bíblia, em 1439) olhou para a impressora e pensou: “Esse sistema deu certo. Mas logo vão inventar algo melhor”. Depois de 570 anos, o livro está igual. Mas o mundo finalmente se moveu. Primeiro foi (como modéstia à parte, eu sempre previ aqui) a popularização do leitor eletrônico, o Kindle. Depois virá a provável explosão de vendas do iPad. O terceiro sinal eu acabei de ler no New York Times. Anne Rice, autora de Entrevista com o Vampiro, está preparando a edição eletrônica “reforçada” do novo The Master of Rampling Gate. Não será um “book”, mas um “vook” — um vídeolivro. A empresa que o produz se chama Vook e faz livros para computadores e iPhones.
O The Master of Rampling Gate manterá a concepção do livro eletrônico, com letras e ilustrações. Mas incluirá uma entrevista em vídeo com a autora e um passeio por Nova Orleans (cenário do conto) com seu filho, Christopher. Como ela disse, “estamos no meio de uma revolução”. Para quem tem imaginação, as possibilidades são infinitas — ilustrações dinâmicas, música, narração simultânea. Gutenberg pode enfim passar o resto de seus dias com a gratidão dos humanos. Feliz porque, quase seis séculos depois de sua Bíblia, damos um passo a frente.
Aliás, li a notícia no Times Reader, que aponta um bom caminho para os jornais superarem a era do papel. (Acho que as edições tradicionais continuarão existindo, mas vendendo cada vez menos.) Existem outros leitores de jornais eletrônicos, mas nenhum tão bem-sucedido quanto o Times Reader. Você consulta o New York Times quase inteiro, de graça. Mas o ato de “ler o jornal” se perde. A web é a mais dispersa das mídias. A tendência é que você leia o que interessa e pule a maior parte dos textos. Isso nos empobrece. Passar os olhos pelo jornal sempre nos obrigou a ampliar os horizontes de realidade.
Por 13,80 dólares por mês (cerca de 25 reais) você recebe o NYT inteiro no Times Reader. Outros jornais (inclusive no Brasil) procuram fazer uma imitação do ato de ler — mostrando páginas inteiras viradas em animação. O Times Reader “remasteriza” o jornal. Esquece a versão de papel. Cada notícia é lida separadamente. Com dois dedos você folheia (olha o termo analógico!) o jornal todo. Seta para baixo, lê a próxima página do texto. Para a direita, outra matéria. As últimas seis edições ficam à disposição. Há “cadernos” de fotos e vídeos e uma seção de palavras cruzadas realmente pensada para a era digital.
Minha teoria para a nova era de leitura digitalizada é: quanto menos imitar o papel, melhor. Quanto mais for pensada digitalmente, mais rápida será a mudança. Os conservadores seguirão fiéis aos livros impressos com tinta e costurados com linha. Serão cada vez menos. O resto de nós deve apertar os cintos porque a aventura mal começou.
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Tive que rir aqui... Gente mal informada defendendo mídias ortodoxas; que ambíguo!
enviado por: fabio lima em 17/04/2010 - 20:29 -
O Amigo Christian disse tudo!
enviado por: Rodrigo Villas Bôas em 13/04/2010 - 13:58 -
Apesar de gostar muito de ler, considero que o jornal de papel atualmente tem 3 aplicações insubstituíveis: a primeira, para inicializar o fogo na churrasqueira...a segunda, como fundo de lixeira, para absorver umidade eventual...e a terceira...esperem, acho que me enganei, afinal o papel higiênico já foi inventado...são só duas mesmo!! Se bem que pelo conteudo dos jornalões, a última seria mais adequada...
enviado por: Ricardo Teixeira em 12/04/2010 - 23:14 -
Eu creio que os jornais impressos serão engolidos pelos sites de notícias. Só penso que ainda não encontraram um formato mais adequado para expor centenas de notícias numa página inicial. Já os livros ainda terão vida longa (ao menos os que não são técnicos). Os livros técnicos podem e devem praticamente desaparecer do meio físico. Imagina um médico procurando um prognóstico com base no diagnóstico que ele acabou de fazer num livro de mil, mil e tantas páginas? Por mais que o livro tenha um índice bem organizado, uma versão digital sempre vai lhe economizar tempo. Um programador tendo de digitar o código impresso no livro antes de testá-lo. A Bíblia por exemplo. A primeira impressão de Gutenberg, era extremamente prática de ler no meu antigo Palm Zire 71. Achar cada livro ou capítulo era muito prazeroso e simples. Num iPad/iPhone deve ser igualmente. Agora um romance, provavelmente não vai ter tanto apelo do jeito que é hoje em dia. Pois é uma leitura sequencial. Ainda assim dá pra usufruir dos marcadores infinitos de página ou trecho. Mas concordo que a tendência é cada vez mais o desuso do papel, por milhares de motivos.
enviado por: Rodrigo Melo em 12/04/2010 - 11:14 -
Nem o sr. Dagomar nem o leitor Christian. O papel deverá deixar a função de mídia de massa por questões ambientais e logísticas. Mas ainda levará muito tempo. Como foi dito, temos mais de 500 anos de aprimoramento da "tecnologia livro" e os leitores eletrônicos somente agora estão deixando sua pré-história. São muito caros, o acesso a eles é difícil e são aparelhos ainda limitados e dependentes de tecnologias agregadas. O caminho natural da substituição do e-book, considerando o impacto e relevância do que é impresso, pressuporia primeiro o fim dos jornais de papel, seguido pelas revistas e somente após livros. Contudo o mercado, ao menos por enquanto, tem sinalizado o sentido contrário, oferecendo publicações eletrônicas bibliográficas como meio auxiliar à mídia de papel. Talvez isso ainda se deva por conta da oferta incipiente dos aparelhos leitores.
Sr. Christian: um livro no ano de 1600 era, certamente, algo muito menos prático (e barato) do que é hoje um aparelho como o Kindle, por exemplo.
Portanto é difícil acreditar que continaremos processando milhões de toneladas diárias de papel para alimentar jornais e outras literaturas de ciclo rápido.
enviado por: Eduardo Figueiredo em 12/04/2010 - 10:39 -
Ler no LCD cansa mais do que no papel. O LCD precisa de energia. Numa viagem longa, ele não dura, mas dá prá ler um edição pocket de alguma obra. Como fazer prá levar um eBook à praia (areia, oxidação, etc.) - fora o incomodo do trambolho que é. O jornal, se dobra na sacola e na volta, põe-se no descarte evitando acumulo de coisas na volta...
enviado por: Ricardo Andre Varnier em 12/04/2010 - 10:34 -
Não acho que o livro sera substituído. Talvez as revistas e os jornais, que são mídias mais dinâmicas e mais "descartáveis" (desculpaê Info, descartáveis no sentido de que aquela informação impressa perde relevância com o tempo). O conteúdo do livro não muda tão rapidamente, e o relacionamento das pessoas com os livros é mais íntimo e emocional do que com as revistas e jornais. Haverá quem prefira os livros em e-book, mas sempre haverá uma boa massa de gente que não abrirá mão da experiência de ler um bom livro de papel como o Christian descreveu.
enviado por: Fábio Alves Corrêa em 12/04/2010 - 10:27 -
Nada substituirá o papel. Em quase 600 anos nada substituiu. Nada se compara ao prazer de folhear um livro, sentir o cheiro de um livro, manuseá-lo, sentir seu peso. Ele não precisa de baterias, nem de monitor, nem teclado, porta USB, conexão com internet, sistema operacional, bug, vírus, peças trocadas.
enviado por: Christian em 12/04/2010 - 10:07





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