Internet
O último post
Dagomir Marquezi, da INFO Sexta-feira, 09 de outubro de 2009 - 09h35Maurício Medeiros |
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SÃO PAULO - A internet está alterando nossa relação com a posteridade.
Perguntaram a um ex-presidente do Liverpool Football Club, BillShankly, o que ele achava do futebol. A resposta de Shankly foi: “futebol não é uma questão de vida ou de morte. É mais importante que isso”. A mesma resposta cabe a uma pergunta sobre a internet. Por meio dela, cada vez mais estamos estabelecendo uma nova relação com a posteridade.
Antes da internet, cada pessoa deixava ao mundo pistas desconexas sobre a sua vida, sinais acidentais do dia a dia. Qual seria o último retrato de alguém que tivesse, digamos, um súbito e fatal ataque do coração? Um cheque em alguma caixa. Um bilhete na porta da geladeira. Um recado em alguma secretária eletrônica. Um relatório burocrático escrito na manhã daquela fatalidade.
Hoje, nossos passos são muito mais claros, nossas pegadas são muito mais conscientes. Nós racionalizamos mais o registro de nossas atividades e pensamentos diários, por meio dessa chamada rede social. Temos retratos instantâneos de nossas vidas diárias. Dizemos ao mundo o que pensamos dele num blog, de graça, com toda a facilidade possível. Postamos fotos num momento e podemos não estar mais aqui no próximo.
Outro dia li na revista Newsweek um melancólico artigo sobre pais que perderam seus filhos muito cedo e o sentimento conflituoso com os fartos registros que os jovens tinham deixado nessas comunidades virtuais todas. E agora? Entrar neles para viver intensamente os últimos momentos de suas vidas? Ou se afastar para não enfrentar a dor da perda? Antigamente essa angústia se limitava a diarinhos fechados por um pequeno cadeado. Hoje são registros que estão expostos em escala planetária.
Com o tempo aprendemos que a morte é um fato que faz parte da vida. A cada dia estamos mais perto do dia em que não estaremos mais por aqui. Isso é um fato, não um pensamento depressivo. A possibilidade de uma morte súbita é ainda mais difícil de aceitar. Isso acontece com os outros. A gente entra no carro, vai para o trabalho, passeia no shopping, desce a serra, sobe o elevador, chora, ri, tosse, assoa o nariz. Passa na padaria, assiste à novela, lê mais uma página do livro, suspira, encontra algum conhecido na rua, resolve atravessar a avenida. Aí pode ser um motoboy, pode ser uma bala perdida, pode ser um derrame devastador, pode ser qualquer coisa. Acabou.
Aprendi com o tempo que a vida é mais do que um dia após o outro. A vida é um minuto depois do outro. Nasci a tempo de ver essa lenta e fabulosa revolução do registro digital. Não sou grande frequentador de Twitter e do orkut, mas me obrigo a escrever antes de dormir um novo post no meu blog. Não me parece mórbido a consciência de que cada post no blog, cada tweet, cada recado no Facebook pode ser o último. Apenas valoriza cada momento.
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Palhaçada! Tirando o fato de que alguem esta ganhando muito dinheiro enquanto perdemos nosso tempo no twweeter/orkut/facebook.
tinhamos que cobrar pelos posts, isso ninguem pensa.
enviado por: MARCUS ROBERTO em 11/10/2009 - 09:25 -
Opa... já que este pode ser meu último post, vou aproveitar. Família: amo todos vocês. Vocês foram as melhores pessoas do mundo. Ah... e viva a Música Eletrônica. Me enterrem com um fonde de ouvido nas orelhas, por favor e toquem Deadmau5 - Finished Symphony enquanto cobrem de terra meu caixão. E mais, podem doar todos os meus órgãos, exceto as orelhas (vou precisar delas pra encaixar o fone). Pronto, agora posso esperar o próximo post (se ele vier)
enviado por: Fábio Horbach Garcia em 09/10/2009 - 13:49 -
Estou deixando aqui meu ultimo comentário na info!!!!!!! que que isso... ainda vou pegar muito no pé de quem postar algum mico aqui, vou elogiar muitos post's, os review's então... quero destrinchar muitos ainda, não quero pensar em despedida, no máximo, até amanhã!!!
enviado por: Aluisio Souza Sobreira em 09/10/2009 - 13:41 -
Parabéns pelo post (espero que não seja o último). Hoje vivemos em uma sociedade de superexposição o que dificulta a simples intimidade. Sei o que todos os meus amigos estão fazendo no momento, quais filmes assistiram, quais produtos compraram, quais viagens fizeram... ao mesmo tempo que temos cada vez mais informações sobre todos, nos sentimos cada vez mais distantes já que não somos os únicos destinatários daquelas informações. É um contra senso mas faz sentido.
enviado por: Carlos Gabriel Arpini em 09/10/2009 - 11:21 -
q coisa mais fúnebre!
enviado por: Cléber Ivo de Oliveira em 09/10/2009 - 11:18 -
Parabéns pelo post (espero que não seja o último). Hoje vivemos em uma sociedade de superexposição o que dificulta a simples intimidade. Sei o que todos os meus amigos estão fazendo no momento, quais filmes assistiram, quais produtos compraram, quais viagens fizeram... ao mesmo tempo que temos cada vez mais informações sobre todos, nos sentimos cada vez mais distantes já que não somos os únicos destinatários daquelas informações. É um contra senso mas faz sentido.
enviado por: Carlos Gabriel Arpini em 09/10/2009 - 11:11





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