Internet

O homem que duvida da Web 2.0

Guilherme Pavarin, de INFO Online Quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 17h58


Divulgação/ Catherine Betts
O homem que duvida da Web 2.0
Andrew Keen, ou o Anticristo do Vale do Silício: ´A mídia social deveria tornar as pessoas mais sociais, mas elas estão ficando mais narcisistas´
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  • Se me permitem adicionair mais um comentário, é a respeito justamente de valores. Realmente, a facilidade de acesso, legalizada ou não, de material na internet é algo que mudou drasticamente a forma como ocorrem negócios. Tomando música e livros como exemplo, eu sou escritor e músico semi-profissional. Tenho músicas no www.myspace.com/gilbertostrapazon e noutros sites de música. Mas pesquisando no Google, vejo minhas músicas disponíveis para download em centenas de sites do mundo todo. Mas não recebo um único centavo por isto. E não é tanto pelo download gratuito, mas porque nós não temos aqui no país, a possibilidade de receber valores de forma mais simples, como ocorre em diversos países. Por exemplo, através de cartão de crédito, como nos Estados Unidos. Lá, você pode receber valores pelo cartão. Com isto, eu poderia colocar um valor mínimo, e isto, utilizar os serviços de sites especializados, incluindo o próprio Myspace e outros, que intermediam a compra de músicas, livros, etc. Quando não existem tantos empecilhos burocráticos, e também estimulados por uma economia mais forte, as pessoas fazem questão de pagar os artistas. Nem tudo é pirateado, pelo contrário. Mercados como o Japão, onde dezenas de milhares as pessoas compram as novidades só para conhecer, e outras centenas de milhares que poderão ser potenciais interessados, representam imensos potenciais a serem explorados. Hoje, a venda de CDs e DVDs pirateados, prejudica primeiro os artistas, que não recebem nada. Mas além destes e de todo pessoal envolvido, gravadoras, produtores, diagramadores, equipes de estúdio, etc existe um vilão (um entre muitos) que as pessoas parecem não perceber: São os fabricantes de CDs e DVDs (a mídia física). Estes, recebem 100% do valor do seu produto. Quando inventaram a fita cassete, houve a sugestão de criar impostos e taxas sobre as fitas, justamente para compensar o problema das cópias. Mas acho que deve-se pensar, em ter mais facilidade para as pessoas pagarem valores mais justos, de forma direta mesmo, na internet, seja por cartão de crédito, ou até como débito direto no celular, etc Gilberto Strapazon http://gilbertostrapazon.blogspot.com
    enviado por: Gilberto Strapazon em 21/09/2009 - 11:15
  • Pelas suas idéias, considero o sujeito um reacionário da revolução da internet. Dizer que compartilhar arquivos é roubo é ser tão tapado e imbecil quanto as gravadoras e estúdios. É não perceber a prisão e monopólio que estas máfias fazem/faziam com o que se chama cultura. A cultura está muito além de sua monetarização. Quem produz algo de interessante, o faz especialmente para transcender, e não para ganhar dinheiro com isso. É preciso ser muito limitado para não perceber a possibilidade gigantesca quando saimos de uma lógica de mercado e passamos a um padrão aberto de compartilhamento de arquivos. Um exemplo prático: a série Lost. É crime baixar o episódio que recém passou noa EUA na ABC via torrent? Isso é conteúdo ilegal? Então o correto é esperar um ano para ver a série quando ela chegar "legalizada" ao Brasil? Enquanto isso, terei de cortar relações e não visitar os sites que falam sobre ela, porque já saberei o que teria acontecido? Isso é algo que funcionou no mundo sem internet, mas hoje não funciona mais. Quem não acordar para esse fato, vai desaparecer.
    enviado por: Nao Digo em 19/09/2009 - 13:58
  • Concordo com a maior parte do que ele diz, mas em minha opinião, ele generaliza quando diz que tudo deve ser comprado, e tudo deve ser pago, não há dúvidas quanto ao conteúdo pago, que por direito deve ser devidamente cobrado ao preço acessivel daquela região em que está sendo vendido; e é exatamente onde quero expressar minha indignação quanto à internet, onde tudo está sobre a mesa sem distinguir procedência nem destino, ela apresenta o seu conteúdo à todos indistintamente, sem considerar que a realidade de uma região é bem diferente em outra região, simplesmente disponibiliza na internet pelo valor igual à todos. É bem aí que entra o conceito de responsabilidade que o Sr. Keens levantou em sua explanação, num mundo informatizado, a internet tem sim sua parcela de bemfeitoria para com o ego humano, que por conta exclusiva de cada indivíduo pode se torna excessivamente narcisista ou não, como por exemplo nos fóruns de discusão de softwares livres, onde podemos interagir para chegar numa solução, num acordo comum, se essa idéia difundir para influenciar outras áreas da socialização em massa, é muito impressionante os pontos positivos que podem ser gerados, mas ainda tem se muito o que questionar a respeito de como e quando deve ser repeitados quais valores culturais, que não combinam com estas idéias; se auto titular um anticristo eu acho que é um tanto agressivo o termo, eu diria que seria mais propício o título de "pedra angular", que na construção da cidade, não é percebida mas esquecida, e com o tempo ela se torna um marco de direção permitindo que as pessoas escolham qual rumo preferem tomar, uma base limiar para decisão de qual lado seguir. Sim uma pedra angular no mundo cibernético, que faz com que as pessoas reflitam e pensem em que rumo querem seguir...
    enviado por: Cleberson Cavalheiro Cordeiro em 19/09/2009 - 10:32
  • Não acredito que uma atitude pode ser "justificada" por ser cultural. Como se, por fazer parte da cultura, fosse correta. Por exemplo, culturalmente, em alguns países, as mulheres não tem direito ao voto. Por ser a cultura daquele país, é certo? Acredito que não. Dito isso, não vejo como uma cultura que está baseada na lei de Gérson (levar vantagem em tudo), possa servir de álibi para a pirataria digital. Vejo isso em amigos, por exemplo. Mesmo que um livro ou um CD custasse R$ 1,00 quem é adepto da lei de Gerson iria querer pirateá-lo por R$ 0,50, dizendo que é da nossa cultura brasileira. Eu, toda vez que pago a NET (tv a cabo) no final do mês, me sinto roubado, pois sei que há aparelhos vendendo como água no Paraguai para piratear o sinal. É cultural, mas cara... eu acho muito errado. Ha, só pra completar, perto da pirataria de remédios, cigarros, alimentos, etc... pirataria digital é uma coisa até que meio "burguesa", vcs não acham? Abraços.
    enviado por: Marcus em 18/09/2009 - 14:48
  • Parece-me que o Andrew crítica "o quê" é feito com a tecnologia, e não o "como". Daí que ele logicamente utilize os recursos disponíveis. Esta distinção é importante, pois é disto que se originam alcunhas, mesmo que extrapoladas, como de "anticristo", que na verdade, é apenas um apelido satírico. As pessoas muitas vezes vão restringir-se ao sentido literal de palavras, perdendo a oportunidade de ler as frases escritas e seu conteúdo. É como escutar e não ouvir. Nota-se pela leitora que critica o uso de palavras como "crentes, igreja", esquecendo que estamos falando de sociedade, tecnologia, evolução humana. E se for mesmo o caso de perceberem que a Internet é realmente uma grande igreja, o maior templo do mundo, a face externa de Xangrilá, ou a manifestação do grande Nirvana na Terra, com crentes, devotos, místicos, sacerdotes, seguidores, etc apinhados em multidões nas portas de seu templo, instaladas em computadores ao redor de todo mundo? A Fé tornou-se a confiança de que a caminhada será feita a cada clique do mouse, a cada Enter. Cada website visitado será uma benção ou um desafio a ser vencido. As respostas, que passado, estariam restritas a locais cheirando a vela, passam a ser encontradas nos sites de busca e os confessionários preferidos, são os sites eroticos e as salas de chat. As grandes liturgias, tornam-se em debates nos fóruns apinhados de gente suada esfregando-se ensandecidas e apertadas nos minusculos discos miniaturizados que concentram gigabytes e mais gigabytes em poucos centímetros e pelos grande e longos cabos de fibra ótica ou nos devaneios espaciais das transmissões wireless, como quentes sussurros no ouvido... A busca e o encontro da espiritualidade nunca foi tão próximo dos que trocam sua fé por um Deus que pode ser ligado e desligado da tomada. Mas este mesmo deus que está na tela do computador, penetra seus súditos que trocam os cultos, por longas sessões hipnóticas e envolventes, chegando com frequencia ao extase rock-religioso. Quem vai processar Deus por estar disponível ao alcance de um click? Quem é dono da idéia de Deus para cometer a heresia suprema de que ele não existe tão perto de nós? Ué... o que são aquelas nuvens se abrindo e o sol aparecendo tão forte? Que luz estranha é essa sobre mim? Daonde vem essa música tao linda que parece tocar em todos os lados? Por que o Santo Google de repente está falando sózinho? Gilberto Strapazon http://gilbertostrapazon.blogspot.com
    enviado por: Gilberto Strapazon em 18/09/2009 - 14:14
  • No meu entender, a grande questão levantada pelo sr. Keen (sobrenome esse bastante apropriado, na minha opinião) não envolve copyright ou propriedade intelectual. Ele critica o que poderíamos chamar de "senso comum da internet", o conjunto de ideologias, doutrinas e pensamentos adotados pelos que circulam pelas páginas da rede. Vende-se idéias que não correspondem aos fatos, e endeusa-se (ou endemoniza-se) quem "joga de acordo com as regras". Foi importante ele nos lembrar que, à exceção da MS (quem viu o documentário "Piratas do Vale do Silício" sabe por qual motivo estou dizendo isso) e de umas poucas empresas, quase todos os grandes nomes do Vale do Silício foram hippies ou pelo menos concordam com a idéia da liberdade sem limites. Isso influencia até hoje o discurso de muita gente, com slogans como "a informação tem que ser livre", "a internet não tem dono", "tudo é permitido". A entrevista do sr. Keen nos convida a refletir a amplitude disso tudo.
    enviado por: Luís Fernando Carvalho Cavalheiro em 18/09/2009 - 14:06
  • Da até gosto de ler uma entrevista bem feita com um sujeito que tem o que falar e base para explicar seus pontos de vista. Melhor que isso só os comentários pertinentes, de pessoas que tem opinião própria e sabem usar acentos, algo em falta hoje em dia nesse meio.
    enviado por: Marcos Felipe Tonelli de Carvalho em 18/09/2009 - 13:23
  • Outra coisa! "Anti-cristo" que respeita copyright, é nada mais que um santinho mimado! Consumo, copio e divulgo livremente tudo o que vejo pela frente! O problema não é a pirataria, mas as leis bizarras que juridicamente fazem dela o que é! Quem não está preparado para isso está condenado ao esquecimento! Não se preocupem! Quando (e se) os monopólios midiáticos afundarem de vez, não faltarão coisas novas (e de qualidade)na rede!
    enviado por: Honestino Goulart em 18/09/2009 - 00:52
  • akela limonada gelada no meio de um dia de calor escaldante... eh a melhor forma de 'amaldicoar' o calor... esse cara sabe fazer uma limonada das boas no meio dessa febre por tecnologia...
    enviado por: Cesar Pradela em 18/09/2009 - 00:48
  • Nós estamos matando a nossa cultura? Do que se trata? Nada está fora da cultura! Por isso a cultura não pode ser morta enquanto existir um único ser humano. Podemos até falar que a internet seja um terreno propício para o desenvolvimento de um narcisismo próprio de uma cultura permeada pelo individualismo liberal burguês. Também não existe qualquer fundamento científico-filosófico que legitime qualquer hierarquização entre culturas. Gostei da entrevista e das respostas, mas neste trecho a reflexão ficou prejudicada pela utilização "vulgar" do que ele entende por "cultura"!
    enviado por: Honestino Goulart em 17/09/2009 - 23:40
  • O título do livro dele é "O Culto do Amador", não "ao amadorismo".
    enviado por: Lúcio F. em 17/09/2009 - 22:51
  • Concordo com vários pontos colocados por Keens. Contudo, penso que a entrevista da INFO poderia ter explorado as novas mídias em termos de Brasil. Apesar de praticamente compartilhar com o mesmo pensamento que o dele, no que diz respeito à aquisição de produtos pela internet, eu, por exemplo, não tenho condições de consumi-los pelo seu valor real. O salário da maioria dos brasileiros - e eu estou inserido nesta estatística - é insuficiente. Comprar um livro ou um cd por mais de R$ 50,00 faz diferença no orçamento da maioria das pessoas. Muitas vezes é a falta de condições que obriga o cidadão a usufruir determinador produtos por meio deste recurso. Penso que não se pode resumir a discussão apenas no que diz respeito às mudanças que a internet ocasionou (e ocasiona) na mentalidade de quaisquer culturas. Outra coisa que gostaria de destacar é que, no meu entendimento, há uma diferença entre consumir pela internet e a compra ilegal (pirataria). Se por um lado esbarra-se no fator copyright, pelo menos não se está sustentando um mecanismo que enriquece o crime organizado. Sei que o assunto não foi abordado na entrevista, mas acredito que está indiretamente relacionado. Espero que o livro aborde assuntos do tipo. No mais, fica a sugestão. att. Modesto, jornalista
    enviado por: Cesar Modesto em 17/09/2009 - 21:06
  • Excelente entrevista. Percebe que ele não é nada contra ao que provoca e sim, pede que façamos uma reflexão a respeito de tecnologia e internet. Estou procurando seu livro....
    enviado por: RICHARDSON NITZ DA ROSA em 17/09/2009 - 20:50
  • Se houver o livro dele no Brasil, irei comprar. Dane-se a Rede Mundial de Computadores. Internet não é democracia.
    enviado por: Fábïö em 17/09/2009 - 17:08
  • Ele diz: "Não há diferença entre um roubo de conteúdo digital e um roubo físico." Está correto. Um exemplo é o Blog Um que Tenha. É um crime, mas muitos acham que por não haver venda, o Blog é legal.
    enviado por: Fábïö em 17/09/2009 - 17:05
  • Aos colegas que comentam (Gislaine e Guilherme Masson Vital). Vocês leram a entrevista?! Se leram, será que foi a mesma que li?!!! Seria muitíssimo interessante que antes de opinar, dizendo que ele deve ser hipócrita e tudo mais, vocês tivessem realmente lido. Eu confesso que baixo conteúdo da web sem estar preocupado com os direitos autorais. Isso é algo é fato e cultural, apesar de não ser correto, a questão do direito nem passa pela minha cabeça enquanto baixo 90% conteúdo do meu interesse. Por outro lado concordo PLENAMENTE quando ele diz que a maneira como usamos esse meio de comunicação de maneira egoísta. Não só por 'baixar sem pensar', mas pela questão de que "eu não quero nem saber se você está ouvindo jazz agora ou vai ao show de fulano de tal na quinta-feira" (tipo de coisa estúpida que você encontra postada no twitter). Eu uso a internet por entretenimento e informação, estudo muito através de conteúdos online. Essa leva de serviços com propósitos de socializar as pessoas, mas na verdade a proposta implícita é auto-promoção de seus usuários com coisas banais, eu, eu , eu. Mas ainda bem que nem todos têm o mesmo gosto, por isso eu sou muito grato pelo rico conteúdo que posso usufruir pela web. Simultaneamente estou leio notícias, comunico-me, estudo e tenho lazer.
    enviado por: Jonas Erik Barreto em 17/09/2009 - 16:41
  • Acho um absurdo, os termos são pejorativos e totalmente preconceituosos, tais como: “crentes tecnológicos”, "estou desafiando os princípios fundamentais dessa igreja". A Internet não tem nada a ver com FÉ, muito menos com igreja, e muito menos com DEUS. A Internet tem a ver com evolução e rapidez. É só alguém processar ele que ele pára! Contra calúnia e difamação.
    enviado por: Gislaine em 17/09/2009 - 15:25
  • Se ele é o "Anticristo da Web 2.0", eu o seguirei... no twitter, hahahahaha!!! Falando sério agora: como eu gostaria que houvessem mais Andrew Keens neste mundo! Apesar de não concordar 100% com várias coisas que ele diz, sua arumentação é sólida, realista e muito bem embasada. Sabe utilizar-se do que ele proprio critica para se auto promover e fazer com que as pessoas tomem conhecimeto de suas idéias.
    enviado por: fabio martins coelho em 17/09/2009 - 14:07
  • Qual o problema dele estar em várias redes de relacionamento ou usar um Iphone??? Acredito que aquele que critica o que não conhece é muito mais hipócrita do que aquele que critica o que nunca usou ou não conhece.
    enviado por: Guilherme Masson Vital em 17/09/2009 - 13:43
  • Sobre certos assuntos, incluindo a internet, a maioria das pessoas parece simplesmente ler e sair cuspindo certas palavras e opiniões, mas sem nenhuma reflexão, simplesmente por "moda", por que a "onda do momento" é ter essa opinião. É interessante ler algo escrito por alguém que realmente reflete a respeito e apresenta argumentos, para mudar um pouco. Ah, e Anônimo, você pode ter a opinião que quiser, mas não é um tanto curioso você criticar tudo que foi dito dessa forma e não se identificar? Por esse motivo, seu comentário, na minha opinião, só deu mais credibilidade ao que foi dito, pois "o seu tipo" foi citado na entrevista.
    enviado por: Ivan Gimenes Romero Fernandes em 17/09/2009 - 10:40
  • Amei, segui ele no tweeter. *__*
    enviado por: Rafael em 17/09/2009 - 01:46
  • Concordo e é a primeira vez que leio algo tão sensato, verdadeiro e realista quanto ao uso da tecnologia. Sempre tive essa visão mas não tão purista a ponto de dizer que nunca fiz download ilegal, produzo desenhos e sites e sei como a questão do direito autoral é uma das mais difíceis no mundo de hoje, onde apenas um clique separa o consumidor de algo supostamente "gratuito" de algo pago ao autor. Parabéns, mas não o deixarão viver em paz... Como a qualquer pessoa que quer dizer a verdade mesmo que doa.
    enviado por: Roberto Manoel Fonseca em 16/09/2009 - 21:51

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