O fotógrafo Mark Nobre ganhou 15 mil dólares com a produção de virais que ganharam concursos de crowdsourcingO crowdsourcing já é uma realidade na propaganda, mas cresce para outras áreas de forma rápida. No início deste ano, um anúncio do salgadinho Doritos elaborado por um fã da marca foi exibido durante o intervalo do Super Bowl, final do campeonato de futebol americano e um dos minutos de TV mais caros e concorridos do mundo. O vencedor do concurso faturou 25 mil dólares e um ingresso para assistir ao jogo. No Brasil, jovens profissionais têm a chance de mostrar seu trabalho e já começam a receber por ele. Veja o caso do paulista Mark Nobre. Modelo e fotógrafo de profissão, Nobre já recebeu mais de 15 mil dólares produzindo vídeos virais para empresas como Fiat, Nova Schin, Nextel e Axe. Detalhe: ele nunca estudou publicidade e jamais trabalhou numa agência. Nobre soube dos concursos pelo site Zooppa, plataforma online que surgiu na Itália, ganhou músculos nos Estados Unidos e chegou ao Brasil no ano passado.
Com o regulamento em mãos, Nobre escreveu os roteiros e chamou amigos para atuar. Depois de uma votação aberta do público, ficou em primeiro lugar em dois dos desafios e em segundo nos outros. “Para um autodidata é complicado entrar nessa área”, diz Nobre. “Teria de começar lá de baixo, mas já estou com 30 anos.” O crowdsourcing abreviou o caminho.
A mobilização coletiva está também na essência da Transparência Hacker, uma comunidade de ativistas que usa a tecnologia para defender o acesso livre às informações do governo. Com financiamento dos internautas, o grupo levantou dinheiro para realizar um dos seus projetos mais ambiciosos: o Ônibus Hacker. A ideia é mostrar que dá para levar tecnologia e conscientização política e social para municípios distantes dos grandes centros urbanos. Para isso, a trupe vai viajar pelo país e, durante o percurso, promover encontros, desenvolver ações locais e criar aplicativos úteis à sociedade.
A iniciativa foi colocada no site Catarse, em julho, e pedia 40 mil reais para a compra e a reforma do ônibus. O resultado superou as expectativas. O grupo conseguiu quase 50% mais que o pedido. “Ainda faltava metade do valor a dez dias do prazo final. Gravamos um vídeo novo para explicar a proposta. Também fizemos um ônibus de papelão e saímos andando pela avenida Paulista”, diz Daniela Silva, 25 anos, integrante da Transparência Hacker. Ao todo, foram 464 doações em cotas que variavam de 10 reais a 5 mil reais. Agora, falta adquirir o ônibus, acertar os detalhes da reforma — incluindo o tipo de conexão à internet — e definir que ideias serão colocadas em prática.
Existem hoje 789 serviços baseados em crowdsourcing no mundo, segundo dados do Crowdsourcing.org. A internet é usada como facilitador para todo tipo de negócio: financiar documentários independentes, ajudar no desenvolvimento de produtos, criar campanhas publicitárias e até fornecer crédito para microempreendedores.
Moradora do bairro de Uberaba, na periferia de Curitiba (PR), Lucinéa Cavalheiro Cordeiro precisava expandir sua produção artesanal de velas para sustentar a família. “No banco, só consegue crédito quem tem renda comprovada”, afirma Lucinéa, que precisava de 700 reais para comprar mais formas e, assim, aumentar seu negócio. O dinheiro veio pela internet. O pedido de crédito de Lucinéa foi cadastrado no site Impulso, mantido pela organização sem fins lucrativos Aliança Empreendedora.