Ciborgue que ouve cores faz palestra na Campus Party

Por Vinicius Aguiari, de INFO Online
• Quarta-feira, 08 de fevereiro de 2012 - 20h40
Flávia de Quadros/Divulgação/Flickr Campus Party
Webcam sobre a cabeça registra cores
São Paulo - Você já imaginou assistir a uma palestra realizada por um ciborgue? Pois bem, na Campus Party isso é possível. O britânico Neil Harbisson não foi construído em laboratório por uma série de cientistas malucos, mas, desde 2004, ele usa um olho biônico que o torna parte humano, parte robô.

Harbisson nasceu em 82 com uma acromatopsia, doença que o impedia de identificar cores. Para resolver a dificuldade ele recebeu o implante de um olho biônico. Após enfrentar dificuldades para renovar seu passaporte  - Harbisson queria ser fotografado com seu olho biônico, que se parece com uma webcam – ele iniciou um processo legal para ser reconhecido como um ciborgue.

Para ajudar outras pessoas com dificuldades semelhantes às suas, Harbisson criou a Cyborg Foundation. Agora, além de trabalhar como artista visual e compositor, Harbisson luta pelos direitos dos ciborgues.

“Quando era criança, percebi que tinha essa dificuldade para identificar as cores. Após ser comparado com um outro daltônico, fui identificado com “acromatopsia”, que é a incapacidade total de enxergar cores” explicou Harbisson.

“ Não ver cores realmente marginaliza você. Era impossível para uma pessoa como eu entender o que é o Greenpeace, as páginas amarelas, a Cruz Vermelha ou o Pink Floyd.  Isso me levou a buscar alternativas para descobrir as cores. No início, tudo o que fiz foi estudar artes visuais, ainda que eu só pudesse ver escalas de cinzas”, lembra o ciborgue.

Após sair da faculdade, Harbisson descobriu que poderia utilizar a tecnologia para expandir seus sentidos. Em 2004, ele ajudou um cientista a criar o primeiro eyeborg, sistema que identifica cores e as transforma em informações sonoras.  “Em março de 2004, pela primeira vez na vida, eu percebi as cores por meio dos sons.”

Para reconhecer as cores, o olho biônico de Harbisson as transforma em frequências sonoras. A partir delas, seu cérebro desenvolveu uma habilidade para identificar tonalidades.  Segundo Harbisson, os níveis de saturação mais altos emitem níveis de volume mais altos e vice-versa.

Apesar de parecer complicado, o olho biônico de Harbisson se tornou uma extensão de seu corpo, oferecendo a ele uma experiência até então inexistente.

“Eu passei a enxergar as cores. Até o dia em que eu sonhei colorido, com sons eletrônicos que eram cores. A partir daí, eu entendi o que é ser um ciborgue, que é o momento no qual a pessoa  não consegue mais diferenciar os sinais do software dos emitidos pelo meu cérebro.”

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Comentários

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  • Q OUVE CORES ? COMO ASSIM ?

    wagner viegas das neves • 09/02/2012 - 00:47

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