A companhia de Zuckerberg domina o noticiárioSão Paulo - O mundo ultimamente parece ter só quatro empresas: Apple, Google, Facebook e Amazon. Fiz um experimento no mês passado e não consegui passar um dia sem ler notícias sobre pelo menos uma dessas quatro companhias.
Na capa da Wired americana estava Jeff Bezos. O tema principal da revista FastCompany foi sobre as quatro gigantes da tecnologia. Aqui nas páginas da INFO há várias matérias sobre o lançamento de produtos ou serviços dessas empresas. E você reparou que no INFO online, na seção de Notícias, a Apple, o Facebook e o Google integram o menu de navegação? Para mim isso é sinal de sucesso: quando a empresa é tão prolífica que até chega ao menu de navegação da revista.
Mas se você, como eu, andou acompanhando os movimentos dessas quatro gigantes deve ter notado que cada vez mais as manchetes se referem à competição forte entre elas. Companhias que começaram em áreas diferentes agora estão oferecendo produtos e serviços cada vez mais semelhantes.
O Google, que começou como serviço de pesquisa na web, agora está presente na área de software, com o Android e o Chrome, competindo com a Apple. O Google Wallet, o Google Offers e um recente anúncio de serviço de entrega de compras põem a empresa em competição direta com a Amazon.
A Apple, que começou fabricando hardware, agora não só domina o mundo do software, como também tem uma plataforma para distribuição de conteúdo pelo iTunes. Essa plataforma de distribuição de entretenimento é algo que interessa ao Facebook, que, nos últimos meses, trabalhou pesado para amarrar parcerias com Spotify, Hulu e Netflix. Tudo isso porque Mark Zuckerberg quer que você veja filmes ou escute música sem sair do site dele.
Tudo dominado - Entra a Amazon, que lançou o Kindle para competir com o iPad e o iTunes. E apesar de o novo Kindle Fire usar o Android, do Google, como sistema operacional, Jeff Bezos tem o AmazonCloud para competir com o Google Cloud Services e o iCloud, serviço da Apple.
E, finalmente, chegamos ao Facebook, que tem uma rede social tão popular que o Google, morrendo de inveja, criou o Google+. Os rumores de que a gigantesca rede social de Zuckerberg vai lançar sua marca de celular ainda continuam esquentando as discussões nos sites de tecnologia. Mas Zuckerberg não pensa em parar aí. Ele quer também dominar a área de pesquisa, porque acredita que as recomendações de pessoas que você conhece são mais valiosas que os resultados de um motor de busca.
Software, hardware, e-commerce e dados. Parece que as quatro gigantes querem dominar essas áreas. Mas o que isso significa para nós, consumidores?
A curto prazo, os consumidores vão ter várias opções: Kindle Fire ou iPad? Compras na Amazon ou na loja do bairro, que faz entrega gratuita pelo sistema do Google? Filmes no Facebook com os “amigos” ou um download do iTunes?
Mas, a longo prazo, se houver um vencedor nessa guerra, pode acontecer um monopólio de produtos e serviços parecido com o que ocorreu com IBM/Microsoft nos anos 1980. Se isso acontecer, o mundo vai ficar meio sem graça.
Por isso, se eu fosse o presidente da Apple, do Google, do Facebook ou da Amazon estaria pensando em lançar um serviço de linhas aéreas – -ou qualquer coisa diferente – em vez de ficar copiando as outras três concorrentes.