
Enquanto fazia essa introdução e dizia tudo o que veio a seguir, talvez martelasse na cabeça de Cook a convicção de que, a partir dali, teria de lidar com as inevitáveis comparações entre sua capacidade gerencial e seu estilo de liderança com os do aclamado Steve Jobs. Mais importante ainda é a certeza de que está em suas mãos agora o imenso desafio de manter a Apple como uma das companhias mais inovadoras, admiradas e lucrativas do mundo, justamente no momento em que tem em seu encalço concorrentes como o Google e o grupo de fabricantes que produzem smartphones e tablets com Android.
No dia seguinte ao anúncio, uma certeza ainda mais amarga para Cook. Depois de acompanhar a repercussão que o lançamento do iPhone 4S causou, com mais críticas do que elogios, veio a notícia da morte de Jobs. Com ela, evaporou-se também qualquer possibilidade de recorrer ao ex-chefe e amigo em busca de conselhos sobre que caminhos seguir. Tim Cook está, definitivamente, no comando da Apple.
Acostumado a ver em Jobs a personificação da Apple, o grande público conhece pouco de Cook e dos executivos que ajudaram o mítico líder a conduzir a empresa - da quase falência ao topo da indústria de tecnologia. Mas Timothy D. Cook, que em 1º de novembro completará 51 anos, não chegou outro dia à Apple. Sua história na empresa começou em 1998. Depois de passar seis meses na Compaq, onde atuou como vice-presidente dente corporativo de materiais, foi procurado por um headhunter que lhe propôs um encontro com Jobs. Topou e, em seguida, aceitou a proposta para compor o time da empresa. Chegou como vice-presidente de vendas e operações mundiais em um momento em que a Apple estava focada na indústria de PCs e era infinitamente menor do que é hoje.
Sua missão era garantir que a empresa fabricasse e entregasse seus produtos em todo o mundo da maneira mais rentável e eficiente possível. E foi o que fez. Para atingir o objetivo, fechou fábricas que a empresa mantinha na Califórnia, Irlanda e Singapura, e terceirizou a produção para uma ampla rede de fornecedores asiáticos. Sob suas ordens, a Apple baixou drasticamente os níveis de estoque e aumentou as margens.