O Kinect pode criar uma guerra em casa

Por Fabiano Candido, de INFO Online
• Quinta-feira, 03 de novembro de 2011 - 12h55
Reprodução

São Paulo – Alex Kipman, o criador do Kinect, dispositivo da Microsoft que permite jogar o Xbox 360 apenas com as mãos, quer um mundo onde as pessoas não apertem botões para fazer as coisas funcionarem.

“É um sonho, um objetivo de vida. No meu mundo ideal, as pessoas não vão ver equipamento nenhum, botão nenhum. Vamos falar e as coisas vão acontecer, como uma televisão ligar, o carro andar...”.

Para alcançar esse objetivo, ele ainda senta na frente do computador e passa horas programando, estudando tecnologias e vendo o que é possível fazer para aprimorar o Kinect. “O sensor ainda não chegou ao estado da arte, mas já pode ser usado para simular, na sala de casa, uma guerra.”

Alex ainda fica de olho no que a indústria faz com o Kinect, como colocar o aparelho para controlar uma linha de produção, por exemplo. “Com isso, vejo o nível que o Kinect chegou de sofisticação e o que falta para alcançar meu objetivo”, assume Alex.

Em entrevista a INFO, numa rara visita feita ao Brasil, Alex explicou mais sobre esse desejo de revolucionar o mundo. E também revelou como foi o primeiro ano do Kinect para ele e quais foram os impactos da tecnologia para a indústria de games, para a Microsoft e, também, para os jogadores.

Um ano de Kinect. Você está satisfeito?

Do lado comercial, eu estou muito feliz. O sensor vendeu 8 milhões de unidades nos dois primeiros meses de vendas e continua com uma recepção muito positiva no mercado. A adoção rápida até rendeu uma menção no Guiness Book, o Livro do Records: o Kinect é o gadget com a mais rápida adoção no mundo. Além disso, ele deu uma sobrevida ao Xbox 360 e o transformou no videogame mais popular dos Estados Unidos. Eu não esperava isso quando lancei o aparelho. Do lado de jogos, estamos indo muito bem. Mas ainda não estou satisfeito. Nossa estratégia era, num primeiro momento, os jogos familiares. Eles cumpriram sua parte com maestria. Mas eu acho que ainda há muito espaço para os jogos hardcore, como os de guerra e ação policial.

Por que os games de ação não chegaram aos montes? A indústria não entendeu ainda o Kinect?

Os games de ação para o Kinect estavam planejados mesmo para o segundo semestre de 2011. Já temos nas prateleiras títulos sensacionais, como Mass Effect 3 e Steel Battalion, que utilizam o Kinect durante o jogo. Mas poderíamos ter mais títulos. Eu não tenho dúvidas que muitos chegarão às prateleiras até o Natal. Até porque as produtoras começaram a entender melhor o Kinect e, com este conhecimento, elas criam games mais ousados, mais avançados e que exploram melhor todos os recursos do sensor. As desenvolvedoras vão transformar a sala de casa num ambiente de guerra, onde o jogador poderá usar o sofá para fazer uma trincheira.

Qual será o tempo de vida do Kinect como ele é hoje?

O Kinect atual vai existir até o lançamento de um novo Xbox. Portanto, quando o console ganhar uma nova versão, chega um Kinect novo. E antes que me pergunte, eu não sei quando isso vai acontecer.

Mas o Kinect não pode ficar limitado em pouco tempo?

De jeito nenhum. O Kinect pode evoluir muito ainda. Para isso, basta que o software de controle do Kinect evolua. E a gente faz essas evoluções quatro vezes por ano. A cada nova atualização, novas funções e melhorias deixam o sensor mais aprimorado, capaz de detectar novos movimentos do jogador. Quando foi lançado, o Kinect só enxergava as pessoas de frente. Agora, ele já é capaz de reconhecer o jogador mesmo que ele esteja sentado ou de lado.

Em quanto tempo você acha que o atual Kinect chegará ao estado da arte?

Eu discuto isso com o pessoal do laboratório que desenvolve o Kinect. E sempre chegamos a mesma conclusão: o Kinect ainda tem pouco tempo de vida e está no início de uma jornada. Não dá para saber qual será o momento do estado da arte do equipamento. O mouse, por exemplo, era um na década de 80. Hoje ele tem a mesma função, contudo, tem mais botões e ganhou laser no lugar de uma bolinha de borracha. O mesmo, acredito, acontecerá com o Kinect a cada atualização de software. Contudo, eu acho que ele estará no seu ápice quando os jogadores não precisarem mais apertar nenhum botão no Xbox 360.

Você programa coisas para o Kinect?

Eu coloco a mão na massa sim. É por isso que eu não saio muito do laboratório. Eu fico ao lado dos engenheiros criando, testando e aprimorando os códigos do Kinect. Também fico avaliando onde o Kinect pode ser usado.

O Kinect poderá migrar para outras plataformas?

Sim, o próximo Windows, por exemplo, terá suporte ao Kinect. Mas ele pode ser preparado para outras soluções também. Por exemplo, alguns projetos testam o Kinect em soluções para a área médica, industrial e robótica. Tem um fabricante de carros que já testa o Kinect para auxiliar o motorista na direção. Eu fico de olho em cada um desses projetos porque isto faz parte do meu grande sonho: que é ver o mundo sem botões.

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