O design no centro de tudo

Por John C. Dvorak, especial para INFO
• Quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 - 15h30

São Paulo - Desde o surgimento do computador pessoal e do fenômeno da computação em desktop, um nome está acima de todo o resto, Steve Jobs. Sua morte prematura, causada por um câncer devastador, é um golpe para a própria indústria que ele ajudou a criar.

Sua genialidade não estava, no entanto, na capacidade de inventar, mas na habilidade inata de identificar tendências reais e grandes ideias, e explorá-las para o benefício do público em geral. Ele usou sua própria visão pessoal do que era belo para tornar os aparelhos atraentes.

Primeiro, viu o potencial do microcomputador e isso evoluiu para o Apple II, em 1977. A partir daí, reconheceu o potencial das tecnologias desenvolvidas pela Xerox e decidiu popularizálas com as máquinas Lisa e Macintosh.

Foi um lançamento atrás do outro. Sua capacidade de pinçar grandes sucessos nunca ninguém teve igual. Em 1986, Jobs saiu da Apple, em circunstâncias adversas, e criou uma empresa chamada NeXT que, tempos depois, foi comprada pela própria Apple na movimentação que o trouxe de volta para a companhia que cofundou. Nesse momento, Jobs conseguiu os melhores resultados de sua vida, ao obter sucesso com produtos que ninguém tinha sido capaz de popularizar. Começou com os tocadores de MP3, depois veio o iPhone e em seguida o iPad.

Paralelamente a essas invenções, havia ideias poderosas como o software Final CUT Pro no Macintosh. Houve também a iniciativa de produzir um laptop de alumínio que evoluiu até o MacBook Air. Ele revolucionou as vendas no varejo com as lojas Apple.

Descobrimos agora que, durante a última década da sua vida, ele parece ter vivido sob uma sentença de morte, com o câncer no pâncreas. Diversas reportagens apontam que a doença pode ter sido descoberta pela primeira vez em 2001, quando começou a grande virada da Apple. Aquele foi o ano do iPod e o início de uma das maiores décadas na história de qualquer empresa de qualquer setor no planeta. Pode ter sido uma corrida pessoal contra o tempo.

É uma pena que nem todo o dinheiro do mundo foi capaz de curar ou, ao menos, estender a vida de Jobs. Ele estava mudando o cenário da computação e dos eletrônicos de consumo de maneira incalculável. Quem sabe o que poderíamos ver nos próximos cinco anos...

Talvez a contribuição mais importante de Jobs tenha sido provar para a comunidade de tecnologia que o design é realmente importante. Não há nenhuma razão para que os objetos que usamos não sejam agradáveis aos sentidos. Jobs tinha muito orgulho de seu bom gosto pessoal. Estava em todos os seus produtos e ele sabia o quão importante isso era. Acredito que muitos entenderam a mensagem. Espero que seja assim, pois isso já seria um grande legado.

Foi um dia triste e infeliz, esse em que Steve Jobs morreu.

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