
Nova York - A propaganda colaborativa tem se mostrado boa opção para os clientes. Mas encarar o modelo como ameaça é bobagem.
Numa recente palestra com colegas da publicidade discutimos o tema crowdsourcing. Segundo a Wikipedia, crowdsourcing é um termo criado pelo polêmico escritor e jornalista Jeff Howe e publicado em 2006 na revista Wired. No artigo, ele falava animado sobre grupos online especializados em resolver problemas na área de pesquisa para as empresas. Naquela época, não imaginei que isso chegaria ao mundo da publicidade nem que estaríamos discutindo crowdsourcing com as agências.
Por esse sistema digital, agências virtuais, como TheIdealists, Ideasicle, Ideabounty e Gianthydra, oferecem profissionais prontos para pegar um briefing. As soluções voltam online para o cliente, que escolhe uma ideia e paga por ela, dispensando a intermediação do atendimento e outros custos operacionais da agência.
O crowdsourcing é uma opção interessante para os clientes. Mas essa tendência ainda está começando e tem muito a evoluir. As agências virtuais têm feito excelentes trabalhos com grandes resultados. Mas estão ignorando um elemento superimportante: a força dos usuários. Nessas plataformas, a comunidade (crowd) trabalha sozinha, não troca ideias e não se autoeduca. E, portanto, perde oportunidades de se desenvolver e ser ainda mais eficiente.
Pensando nisso, resolvi testar um novo modelo. Algo que seria uma evolução do crowdsourcing. Estou propondo algo que chamo de evolved collaboration, ou colaboração avançada. Um modelo onde as pessoas atuam em grupo e interagem entre si para responder ao briefing do cliente. Elas podem ver e comentar ideias constantemente, e por isso estão sempre aprendendo. Para completar, as pessoas ainda ganham créditos pela participação, e esses créditos têm valor financeiro, pago no fim do ano. O primeiro projeto a usar essa metodologia é o Shout, que será lançado no fim de julho. Nele, os clientes poderão contar com a riqueza do conteúdo gerado pelo intercâmbio de ideias entre profissionais qualificados em várias indústrias, no mundo inteiro.
O crowdsourcing pode eliminar as agências de publicidade? Essa é uma visão míope de uma tendência cultural interessante e promissora. Pense: há cinco anos, se você quisesse abrir um restaurante de gastronomia molecular teria de pedir um superempréstimo ao banco, estudar em Londres com o chef Heston Blumenthal e contratar um time de marketing para divulgar o restaurante. Hoje, com a ajuda do crowdsourcing e outros primos próximos, como crowdfunding e crowdcreation, o processo pode ser assim: você consegue um empréstimo no LendingClub ou no Kickstarter. Estuda gastronomia molecular por meio do SkillShare e usa o Shout para trabalhar com profissionais de criação talentosos.
O crowdsourcing não vai matar as agências de publicidade. As agências virtuais serão uma opção, especialmente para clientes pequenos, que querem ter acesso a vários bons times de criação. Ou para clientes que buscam testar ideias novas de maneira rápida, sem arriscar sua estrutura oficial, o trabalho com agências. A boa notícia é que, no mundo da publicidade na era digital, há espaço suficiente para todos serem bem-sucedidos.