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Líder do LulzSec preso é acusado de fraude

Por Carlos Machado, da INFO.
• Quarta-feira, 03 de agosto de 2011 - 21h18
São Paulo - O escocês Jake Davis, 18 anos, pode ser Topiary, porta-voz de Anonymous e LulzSec. Numa conversa ele teria dito: “meu devorador de Bitcoin toma 0,10 de cada transação e desvia como taxa de serviço. Já lavei uns $65.000”.

No final de julho, a Scotland Yard prendeu o escocês Jake Davis, de 18 anos, acusado, entre outras coisas, de participar de ataques de negação de serviço, conspirar para a realização desses ataques e incentivar a prática deles.

Segundo a polícia britânica, Davis, morador das ilhas Shetland, ao norte da Escócia, seria o hacker conhecido como Topiary, porta-voz dos grupos Anonymous e LulzSec e um de seus líderes. O acusado foi solto sob fiança e não pode usar nenhum aparelho com acesso à internet. Além disso, está obrigado a cumprir uma espécie de toque de recolher.

Nos primeiros dias, a Scotland Yard não revelou o nome do acusado. Muitos duvidavam de que ele fosse mesmo o famoso Topiary, que até dera entrevista na TV. O grupo de hackers Web Ninjas, que se dedica a identificar integrantes do LulzSec, insistia em que Topiary era um sueco. Depois que a polícia londrina deu o nome e fotos de Jake Davis, os Ninjas mudaram de ideia.

Publicaram um pedido de desculpas ao jovem sueco que eles diziam ser Topiary e saudaram a eficiência da Yard.

Isso não basta para dizer que Davis é Topiary. Mas há outros indícios fortes. A própria turma do Anonymous lançou a operação Free Topiary (Libertem Topiary). Curiosamente, o press release dessa campanha é uma espécie de elogio fúnebre em tom religioso, que termina assim: “Uma semana antes de morrer, ele — abençoada seja sua alma — tuitou uma mensagem com uma orientação que em breve, queira lulz, será disseminada. (...) Sua mensagem era esta frase poética: ‘Não se pode prender uma ideia’. Topiary – que você voe sempre acima do horizonte.” Nesse trecho, onde popularmente se diz “se Deus quiser”, eles usam lulz – palavra que vem de LOL, algo como “rolar de rir”. Empregam também o adjetivo “lulzy”. Os Anons são chamados de “gente nobre e lulzy”. 

Como parte da campanha Free Topiary, a operação AntiSec (Anonymous+LulzSec) já promoveu ataques de negação de serviço ou invasões a mais de 70 sites da polícia nos Estados Unidos. Outro indício de que Jake Davis pode ser realmente o Topiary foi a confirmação publicada no Twitter por @anonymouSabu, o Sabu, considerado o número 1 do LulzSec. Ele escreve um  R.I.P. (descanse em paz) para Topiary.

A DEFESA DE DAVIS -  No mundo dos hackers e anti-hackers, nunca se pode afirmar se o que parece realmente é. Afinal, todos — mocinhos e bandidos — operam nas sombras, e nada do que se diz pode ser comprovado. Não se pode afirmar, com certeza, que Jake Davis é Topiary. No entanto, faz sentido concluir que a polícia tem provas de que ele tomou parte em alguma operação hacker. Especificamente, ele é acusado de participação no ataque DDoS à Serious and Organised Crime Agency (Soca), unidade de polícia britânica que cuida de crimes como tráfico de drogas e armas, fraudes (inclusive digitais) e lavagem de dinheiro.

Um sinal de que Davis está mesmo enrascado é a linha de defesa adotada por seu advogado. Ele quer mostrar que seu cliente é apenas um “simpatizante” dos grupos que divulga suas ações. Por esse raciocínio, ele não seria, portanto, um hacker com amplo conhecimento técnico e muito menos um dos manda-chuvas do Anonymous ou do LulzSec.

Apesar disso, a Scotland Yard diz ter encontrado na casa de Davis um material vasto e comprometedor. No laptop dele havia informações de cartões de crédito pré-pagos com nomes falsos, textos sobre a atividade do LulzSec e uma pasta com detalhes e senhas de 750 mil pessoas. Além disso, o laptop tinha 16 diferentes máquinas virtuais e uma partição com 100 GB de dados criptografados. Davis deverá comparecer mais uma vez perante a Justiça no próximo dia 30 de agosto.

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