"Estar na presença de Steve era especial"

Por Luciano Kubrusly, especial para INFO
• Quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 - 15h22
São Paulo - Passei uma década Trabalhando direta ou indiretamente com a Apple, de 1990 a 2000, os últimos três anos como gerente-geral da subsidiária no Brasil. Da minha primeira visita ao One Infinity Loop, em Cupertino, a sede da Apple na Califórnia, até hoje já se passaram mais de 20 anos, mas as imagens, a emoção, os momentos estão bem gravados na memória e no coração.

A sensação de defender e representar o que a Apple significava e significa até hoje era única. Cabia a nós, bravos representantes desse legado (ou simplesmente funcionários em outras empresas), passar adiante, transmitir ao mundo o valor da Apple e essa missão nos foi “presenteada” por ele – Steve Jobs. Nosso mentor, nosso messias, nossa inspiração mesmo quando esteve longe da Apple.

Essa missão existe até hoje, porque a Apple é a Apple, e ela é a Apple que o Steve Jobs sonhou, idealizou, planejou e executou ao longo de todos esses anos. A empresa que teve a coragem e a capacidade, por meio dos olhos de Steve, de criar produtos e lançar tecnologias que de fato mudaram o mundo e o modo como interagimos no dia a dia. Computador pessoal, mouse, interface gráfica, smartphone, música e vídeo no computador – todas essas tecnologias e produtos que hoje fazem parte da nossa vida passaram pela Apple e pela genialidade de Steve Jobs. Não foram necessariamente criados por ele (ou pela Apple), mas se tornaram populares pelo seu toque.

Estar na presença de Steve, seja em uma apresentação para 3 mil pessoas, seja em uma reunião mais reservada de seu executive meeting era especial. A sua capacidade de comunicação e o conhecimento dos detalhes de uma operação tão complexa eram evidentes, a maior motivação e, dependendo do caso, o maior temor eram o de encontrar Steve em um corredor do One Infinity Loop e ele te fazer uma pergunta e você não saber a resposta. Porque ele sabia!

Nesses 10 anos de Apple tive a oportunidade de vivenciar as três fases da empresa: com Steve, sem Steve e com a volta de Steve, que se tornaria o iSteve. Ficou evidente nesse período que a Apple se perdeu completamente na fase sem Steve.

Ficou sem a liderança, o carisma, o perfeccionismo e a obsessão por inovação que ele sempre pregou. Afinal, ele sabia que a sua Apple foi criada (e precisava ser movida) para ser e pensar diferente. Sua primeira campanha publicitária, quando voltou, foi a famosa Think Different.

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