O projeto do prédio do CITI: tinta prateada e possíveis paineis solares no tetoO CITI, Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas, pretende se tornar um laboratório de referência internacional, que reúna cientistas de diferentes áreas, aos moldes do consagrado Media Lab do MIT – Massachusetts Institute of Technology. Do laboratório americano saíram, por exemplo, o holograma usado nos cartões de crédito, a tinta eletrônica (e-ink) de aparelhos como o Kindle e os criadores da tecnologia do game Guitar Hero. Feitos não menos impressionantes são o objetivo do centro da USP.
Com previsão de inauguração para março de 2012, o prédio terá programas de pesquisa e de pós-doutorado em duas áreas: Meios Eletrônicos Interativos e a Interação Homem-Máquina. Entre os projetos já em andamento por lá estão um Wi-Fi movido a energia solar, uma série de robôs voadores, TVs de ultra alta definição com 1 gigapixel de resolução (500 vezes mais do que as TV de alta definição hoje no mercado) e aplicativos para controlar as luzes de casa via celular. “O CITI será um fab-lab, laboratório fábrica, que terá condições de criar protótipos”, explica o professor Marcelo Zuffo, coordenador do centro. “Além disso, ele também é o que chamamos de think-tank- uma usina de ideias. Estamos procurando tecnologias que interagem com o ser humano e vamos investigar seu impacto sob vários pontos de vista”, diz.
Projetos
Como pretende ser relevante além do meio científico, trazendo impactos reais à economia e à sociedade, o centro tem como um de seus objetivos trabalhar em parceria com instituições privadas. As pesquisas se dariam de duas formas: o CITI cederia uma tecnologia para uso na indústria, ou a indústria buscaria o CITI para a criação específica de algo. Nos dois casos, a questão é delicada: é preciso definir se a tecnologia desenvolvida durante a parceria pertence à universidade ou à empresa. “É um desafio, mas lá fora as universidades conseguem lidar com essa questão”, diz Zuffo.
Um dos projetos com grande potencial de uso imediato é o da cadeira de rodas elétrica. Hoje, o Brasil não desenvolve o produto, que chega a custar mais de US$10 mil. No CITI, a parte eletrônica de um modelo foi desenvolvida por menos de R$300. “E toda essa tecnologia é aberta: qualquer um pode usá-la e comercializar o produto”, diz o professor.