Centro da USP criará tecnologias interativas do futuro

Por Paula Rothman, de INFO Online
• Quarta-feira, 30 de novembro de 2011 - 16h14
CITI-USP
O projeto do prédio do CITI: tinta prateada e possíveis paineis solares no teto
São Paulo- O prédio verde de três andares atrás da administração da Faculdade de Engenharia da Universidade de São Paulo está ganhando uma conexão de internet de 1 Gbps. A banda larga, suficiente para baixar um CD em menos de 5 segundos, abastecerá mais de 450 computadores usados pelos futuros 90 pesquisadores que trabalharão no local. Além de acesso à web, esses cientistas terão à sua disposição R$4,5 milhões em equipamentos de ponta. O objetivo? Criar tecnologias que tenham aplicação direta no nosso dia a dia.

O CITI, Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas, pretende se tornar um laboratório de referência internacional, que reúna cientistas de diferentes áreas, aos moldes do consagrado Media Lab do MIT – Massachusetts Institute of Technology. Do laboratório americano saíram, por exemplo, o holograma usado nos cartões de crédito, a tinta eletrônica (e-ink) de aparelhos como o Kindle e os criadores da tecnologia do game Guitar Hero.  Feitos não menos impressionantes são o objetivo do centro da USP.

Com previsão de inauguração para março de 2012, o prédio terá programas de pesquisa e de pós-doutorado em duas áreas: Meios Eletrônicos Interativos e a Interação Homem-Máquina. Entre os projetos já em andamento por lá estão um Wi-Fi movido a energia solar, uma série de robôs voadores, TVs de ultra alta definição com 1 gigapixel de resolução (500 vezes mais do que as TV de alta definição hoje no mercado) e aplicativos para controlar as luzes de casa via celular. “O CITI será um fab-lab, laboratório fábrica, que terá condições de criar protótipos”, explica o professor Marcelo Zuffo, coordenador do centro. “Além disso, ele também é o que chamamos de think-tank-  uma usina de ideias. Estamos procurando tecnologias que interagem com o ser humano e vamos investigar seu impacto sob vários pontos de vista”, diz.

Projetos

Como pretende ser relevante além do meio científico, trazendo impactos reais à economia e à sociedade, o centro tem como um de seus objetivos trabalhar em parceria com instituições privadas. As pesquisas se dariam de duas formas: o CITI cederia uma tecnologia para uso na indústria, ou a indústria buscaria o CITI para a criação específica de algo. Nos dois casos, a questão é delicada: é preciso definir se a tecnologia  desenvolvida durante a parceria pertence à universidade ou à empresa. “É um desafio, mas lá fora as universidades conseguem lidar com essa questão”, diz Zuffo.

Um dos projetos com grande potencial de uso imediato é o da cadeira de rodas elétrica. Hoje, o Brasil não desenvolve o produto, que chega a custar mais de US$10 mil. No CITI, a parte eletrônica de um modelo foi desenvolvida por menos de R$300. “E toda essa tecnologia é aberta: qualquer um pode usá-la e comercializar o produto”, diz o professor.

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