A Apple sem seu criador

Por Leander Kahney, especial para INFO
• Quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 - 14h36
São Paulo - Um dos maiores heróis de Steve Jobs é o doutor Edwin Land, da Polaroid. Inventor e homem de negócios, Dr. Land ficou mais conhecido pela câmera fotográfica instantânea Polaroid.

Ele combinou inovação com negócios – duas marcas características da carreira de Jobs na Apple. Em 1985, Jobs teve a oportunidade de visitar Dr. Land no seu laboratório com vista para o rio Charles, em Cambridge, Massachusetts. Os dois se encontraram e ficaram frente a frente em uma grande mesa de reuniões. Eles discutiram o processo de invenção e concordaram que não inventavam produtos: eles os descobriam. Dr. Land disse para Jobs: “Eu conseguia enxergar como a câmera Polaroid deveria ser. Era muito real, como se a tivesse na minha frente, mesmo antes de ter criado a máquina”. Jobs então respondeu: “É exatamente assim que eu via o Macintosh. É parecido quando entro numa sala e quero falar sobre um produto que ainda não foi inventado. Posso ver o produto na minha frente, bem no centro da mesa. O que preciso fazer é materializá-lo”. Steve Jobs explicou que era impossível inventar novos produtos perguntando para clientes o que eles queriam. Como eles poderiam pedir por um computador como o Macintosh se nunca tinham visto nada assim antes?

O ex-CEO da Apple, John Sculley, que acompanhara Jobs na visita ao criador da Polaroid, explicou depois: “Os dois não inventavam os produtos, mas descobriam os produtos. Eles disseram que aqueles produtos já existiam — apenas ninguém os tinha visto antes. Éramos os responsáveis por descobri-los. A câmera Polaroid sempre existiu e o Macintosh sempre existiu. A questão está na descoberta. Steve tinha uma admiração gigantesca pelo Dr. Land. Ele ficou fascinado naquela viagem”. Com a morte de Jobs, a pergunta mais importante que fica sobre a empresa é como ela vai sobreviver sem ele? Será que a Apple conseguirá produzir produtos tão revolucionários como antes? Como vai desenvolver sucessores para o iPhone e o iPad sem o seu líder visionário? A resposta para essas questões está no processo de descoberta de Jobs.

Um dos fatos mais interessantes da Apple é que a empresa gasta muito pouco em pesquisa e desenvolvimento. Dinheiro não é o segredo para a inovação. A Apple investe muito menos do que outras empresas em P&D, mas ainda assim parece ter um retorno muito maior sobre aquilo que investe. Em 2007, a Microsoft gastou mais de 7 bilhões de dólares em P&D; em 2008, foram mais de 8 bilhões de dólares. A Microsoft tem vários laboratórios grandes, e com muitos recursos, em Redmond e no Vale do Silício, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na China. Há algumas tecnologias bastante impressionantes sendo desenvolvidas nesses laboratórios de pesquisa. A companhia fundada por Bill Gates gaba-se da liderança nas pesquisas em reconhecimento de fala e em buscas rápidas em banco de dados gigantescos. Mas não está claro quanto da pesquisa na Microsoft está sendo direcionado para os seus produtos. Além do reconhecimento de voz no Windows Vista, que foi bem recebido, há poucas evidências de que os laboratórios estão à frente de iniciativas de produtos realmente novos.

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