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Plantão médico a distância
Talita Abrantes, da INFO Quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 10h34David Muir/Masterfile/Otherimages |
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SÃO PAULO - Com poucos recursos e criatividade, programa de telessaúde atende mais de 10 milhões de brasileiros.
Quando o temor pelo vírus H1N1 bateu no município de Salto do Pirapora, mais de 200 famílias do bairro de Santa Maria não tiveram dúvida. Correram até a agente de saúde comunitária Lourdes da Costa Martins para descobrir se a gripe A tinha chegado à localidade, distante 122 quilômetros de São Paulo. Lourdes pesquisou os sintomas e métodos de prevenção da doença no site do Programa Nacional de Telessaúde — Atenção Primária à Saúde (www.telessaudebrasil.org.br) para atender a essa demanda e rapidamente tranquilizou a comunidade. Felizmente, pelo menos até aquele momento, a gripe A deu as caras por ali somente nas telas de TV.
Só que, até o ano passado, o processo seria bem diferente. “Eu estaria na barra da saia da enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) querendo tirar minhas dúvidas”, conta. Na UBS do bairro vizinho, o pneumologista Júlio César Marciano utiliza o mesmo sistema para obter uma segunda opinião antes de fechar um diagnóstico complicado ou enviar o paciente para outra cidade. Segundo ele, desde outubro do ano passado, pelo menos dez casos, que antes seriam encaminhados para municípios vizinhos, foram resolvidos na própria unidade.
A cidade, que tem 40 mil habitantes e apenas uma Santa Casa, é um dos 735 locais espalhados por nove estados brasileiros que participam do Programa Nacional de Telessaúde. Lançada em 2007, a iniciativa tem o objetivo de integrar as equipes da Estratégia Saúde da Família aos principais centros médicos do país. Tudo a distância e com foco na atenção primária à saúde. Para isso, as UBS recebem computador, webcam, câmera digital e impressora. Estima-se que 10 milhões de pessoas já estão sendo beneficiadas.
A ideia, contudo, não é novidade no país. Em 1997, o curso de medicina da USP foi o primeiro no Brasil a incorporar a disciplina de telemedicina ao seu currículo. Todavia, segundo Chao Lung Wen, coordenador da disciplina e do Núcleo de Telessaúde de São Paulo, até 2002 a consolidação de projetos de atendimento médico a distância era quase uma utopia. Para ele, os avanços (e o barateamento) em fotografia digital, telefonia e informática favoreceram uma virada no progresso na história da telemedicina mundial.
Em Salto do Pirapora, os 60 agentes comunitários ligados ao Telessaúde Brasil, por enquanto, se revezam para acessar os cursos online em um único computador. Em breve, outras unidades serão equipadas com investimento da prefeitura. Servido por apenas uma empresa de banda larga (que já está com seus pontos de acesso esgotados), o município enfrenta sérios problemas de conectividade. Por isso, é quase impossível assistir aos vídeos do programa. Videoconferência? Nem pensar. O kit completo previsto para as unidades do núcleo de São Paulo, que contém câmera digital e um adaptador dermatoscópico e oftalmológico, ainda não chegou por lá.





