Corporate / Gartner
Infraestrutura de nuvem como base do SaaS
Robert P. Desisto, Yvonne Genovese e David W. Cearley, do Gartner Segunda-feira, 12 de julho de 2010 - 12h44Getty Images |
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A infraestrutura de nuvem privada ganhará popularidade entre novos e tradicionais fornecedores de software para ofertas de software como serviço (SaaS).
Esses produtos de SaaS são tão eficazes quanto a infraestrutura da nuvem pública em que são construídos.
Considerações básicas
Altos custos de investimento para criar aplicações com estrutura multilocatária representam um empecilho aos atuais fornecedores de software para oferecer SaaS, os levando a procurar abordagens alternativas.
Usar uma única aplicação pode oferecer as mesmas vantagens de um SaaS multilocatário, se o fornecedor otimizar a utilização da aplicação de software para a infraestrutura de nuvem pública.
Recomendações
Considere o uso de uma aplicação única de SaaS funcionando em infraestrutura de nuvem pública quando:
• Há recursos de TI limitados para dar suporte a uma implantação tradicional personalizada
• Há capital restrito para investimento
• Pouco tempo disponível para cumprir exigências preparatórias
• É necessária mais flexibilidade no controle de gerenciamento de entregas
• É necessária uma personalização do produto mais abrangente
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
Fornecedores de software estão usando uma nova abordagem para oferecer SaaS. Essa abordagem ultrapassa a criação de uma aplicação multilocatária completa e foca na oferta de uma aplicação única gerenciada em uma infraestrutura de nuvem pública. O Gartner tem visto essa opção ganhar popularidade nos últimos dois anos e ela deve ser levada em conta em avaliações de alternativas de SaaS.
ANÁLISE
O SaaS continua ganhando valor. Em 2009, em mercados como o de CRM, o SaaS respondeu por 20% dos gastos corporativos com aplicações. Entretanto, o Gartner vê uma desaceleração no surgimento de concorrentes. O principal empecilho para os fornecedores de SaaS é o altíssimo gasto inicial para construir, ou no caso de um fornecedor estabelecido, modificar suas ofertas para entregar um serviço flexível para um grande número de clientes.
Embora uma oferta de SaaS não precise ser multilocatária, essa abordagem provou ser um ótimo modelo para o compartilhamento de despesas de infraestrutura com múltiplos clientes. Novos fornecedores estão tendo mais dificuldade para conseguir capital de risco e fornecedores personalizados enfrentam um grande desafio para conseguir financiamentos para construir infraestruturas multi-locatárias no contexto do seu atual modelo de negócio. A fonte de investimento de capital é o gerenciamento operacional e os gastos com infraestrutura. Os fornecedores devem arcar com as cargas financeiras das operações, sendo que no caso de um fornecedor personalizado o cliente é o responsável por esses custos. Fornecedores de SaaS precisam ser melhores do que seus clientes ao gerenciar as operações da aplicação para gerar receita.
É aqui onde o uso da infraestrutura de nuvem pública como base de uma oferta de SaaS pode surgir como solução. Em vez de construir uma infraestrutura ou simplesmente terceirizar a infraestrutura para uma companhia de hospedagem, o fornecedor de SaaS explora o serviço com infraestrutura na nuvem. Isso lhe permite evitar gastos iniciais e obter as vantagens de uma infraestrutura compartilhada por meio de hardware compartilhado.
Desafios dos fornecedores de software ao criar um sistema compartilhado Abordagem multilocatária para SaaS
Fornecedores personalizados: a mudança para uma abordagem multilocatária é extremamente cara
A grande dificuldade é que fornecedores começam com o legado de suas antigas arquiteturas e atuais clientes. Os clientes confiam em uma forma específica de construir e personalizar seus sistemas. Aperfeiçoar a abordagem multilocatária, especialmente quando existem elementos processuais complexos, é extremamente complicado, ainda mais quando se oferece quase personalização ilimitada. É difícil e oneroso aplicar uma abordagem multilocatária enquanto são mantidas todas as ferramentas e opções de personalização.
Contudo, não chega a ser impossível criar uma versão multilocatária de uma aplicação complexa e permitir um alto nível de personalização. Para um fornecedor personalizado, isso pode significar jogar fora muito do que está estabelecido e começar praticamente do zero. Além disso, pode parecer impossível oferecer um “caminho migratório” regular a partir de uma aplicação única altamente personalizada. Por isso, há um dilema desses fornecedores que pretendem adotar uma abordagem multilocatária para aplicações de SaaS.
Novos fornecedores: quando a comunidade de investidores sofre para chegar ao caminho da rentabilidade
Novos fornecedores têm a rara vantagem de começar do zero, sem a herança de uma base instalada ou noções pré-concebidas de como a personalização vai funcionar. Como resultado, eles podem criar uma oferta multilocatária otimizada na nuvem mais elegante. Apesar elas possam não oferecer o mesmo nível de personalização, as ofertas multilocatárias não precisam ser rígidas nem padronizadas. Há várias técnicas para construir sistemas personalizados sobre uma base multilocatária. Porém esses novos fornecedores ainda estão enfrentando as dificuldades dos gastos iniciais com operações e infraestrutura; isso nos leva ao problema central de superar os obstáculos e chegar à rentabilidade.
Preocupações do usuário: alguns processos corporativos não são compatíveis com a abordagem multilocatária
Algumas organizações têm exigências operacionais, como uma base e dados isolada, mais flexibilidade para janelas de atualização e compromissos com recuperação de desastres mais avançados, que um modelo multilocatário completamente compartilhado não será capaz de atender. Para esses usuários, há alternativas como locação isolada, na qual se ganham vantagens econômicas com o SaaS em vez de serviços gerenciados tradicionais, mas podem manter certa flexibilidade operacional.
Fornecedores de software nem sempre precisam construir suas próprias infraestruturas; infraestruturas de nuvem pública também funcionam, em certa proporção
Existem diversas formas de um fornecedor de SaaS reduzir gastos operacionais para gerenciar uma oferta de SaaS. Uma delas é modificar a aplicação para uma abordagem multilocatária, que pode aumentar a eficácia do uso de infraestrutura; isso, entretanto, consome tempo, é caro e implica um alto risco de projeto. A outra opção é usar um hospedeiro capaz de oferecer infraestrutura conforme necessário que seja dinamicamente expandido e contratado com um acordo de pagamento referente a trabalho específico, permitindo que o fornecedor de SaaS efetivamente atinja um alto nível de multilocação. Alguns hospedeiros oferecem modelos de preço que possibilitam aos fornecedores de SaaS comprar infraestrutura em uma base individual, paralelamente à forma como cobram seus próprios clientes.
A infraestrutura fornecida sob medida pode estar disponível na forma de uma nuvem privada terceirizada, na qual o fornecedor de SaaS tem hardware dedicado, ou na forma de uma nuvem pública, na qual o fornecedor de SaaS compartilha hardware com os outros clientes do hospedeiro. A infraestrutura de nuvem pública é mais barata do que a infraestrutura de nuvem privada terceirizada, porque o provedor do serviço economiza mais quando o hardware é compartilhado entre clientes. Embora a infraestrutura sob medida seja normalmente virtualizada, alguns hospedeiros também podem oferecer servidores completos. A capacidade é fornecida por meio de um portal baseado na web ou por meio de uma API. Independentemente de o fornecedor de SaaS ter seu próprio data center ou optar por hospedagem, ele pode escolher o nível de gerenciamento de serviços, pode escolher ter uma infraestrutura totalmente gerenciada, parcialmente gerenciada ou auto-gerenciada. Na nuvem, o provedor de serviço é, no mínimo, responsável pelo hardware e por camadas do motor da máquina virtual da insfraestrutura.
Resumo de uma aplicação gerenciada de forma locatária ou multilocatária usando infraestrutura de nuvem pública
Aplicação locatária funcionando em infraestrutura de nuvem pública
Aplicações únicas funcionando em infraestrutura de nuvem pública podem obter vários dos benefícios de uma aplicação multilocatária. A infraestrutura de nuvem pública pode ser escondida do consumidor da aplicação, com o provedor da aplicação gerenciando a relação com o provedor de serviço de infraestrutura, ou com o consumidor gerenciando a relação diretamente com o provedor de serviço de infraestrutura. O provedor da aplicação pode permitir que seus clientes preparem seu software dentro de uma nuvem pública, oferecendo uma configuração de software que pretende funcionar em ambientes de provedores de infraestrutura específicos. Outra opção é o provedor contratar um provedor de hospedagem, diretamente ou sugerindo-o como provedor favorito, e fazer com que o provedor de hospedagem estabeleça uma forma modelo para instalar seu software em uma infraestrutura dedicada ou na sua infraestrutura na nuvem. Apesar de permitir que a aplicação rode como um estágio virtual no serviço de infraestrutura selecionado, isso não se beneficia das capacidades de insfraestrutura na nuvem para processamento paralelo ou distribuído, balanceamento de cargas, etc. Além do mais, o fornecedor pode ou não oferecer um modelo de preço flexível. Essa abordagem deve ser considerada como “software hospedado na nuvem” e a aplicação resultante não é um serviço de aplicação na nuvem. Uma abordagem mais complexa e de maior valor existe quando o provedor de software modifica o produto para explorar as características únicas da infraestrutura na nuvem. Essa abordagem começa a oferecer uma maior diferenciação e valor em comparação a uma implantação personalizada tradicional. Levada ao extremo, esta abordagem pode resultar em uma aplicação especialmente desenhada para ambientes de nuvem distribuída escalonados.
Benefícios:
Redução dos gastos iniciais de provedores de software que oferecem aplicações de computação intensiva, porque o hardware pode ser alugado com um modelo de preço variável, em vez de ser adquirido. Essas economias podem ser repassadas aos consumidores na forma de um preço competitivo.
Consumidores finais podem fazer atualizações independentemente de outros, em vez de precisar esperar por uma atualização geral, conforme é necessário em uma aplicação multilocatária. Isso dá mais flexibilidade aos consumidores.
Desafios:
Fornecedores podem exigir compra de licença de capital do software de aplicação (no caso de ele não poder ser alugado junto com a infraestrutura). Nessas condições, isso não seria um serviço de SaaS.
Ter um SLA limitado, ou não ter SLA, é um empecilho aos processos críticos à missão corporativa. O SLA é tão eficaz quanto a oferta do provedor de infraestrutura de serviço na nuvem, a menos que o provedor de software se responsabilize por riscos adicionais.
Algumas aplicações de software podem não apresentar um bom desempenho devido a exigências específicas da infraestrutura de nuvem pública (por exemplo, a Amazon.com exige que sua aplicação funcione em servidores virtuais Xen).
Existem questões básicas de SaaS, como considerações de privacidade, segurança e regulamento de dados.
Aplicação multilocatária funcionando em infraestrutura de nuvem pública
Esse é um uso popular da infraestrutura de computação em nuvem, o principal exemplo da Salesforce. Neste cenário, a aplicação e a infraestrutura são baseadas em princípios de computação em nuvem – por exemplo, uma aplicação multilocatária explorando infraestrutura de computação em nuvem pública.
Benefícios:
Economias de escala em todo o sistema tecnológico (hardware e software) permitem que o provedor ofereça inovação rápida em seus produtos.
Melhores economias de escala para gerenciamento de aplicação podem levar a uma melhor estrutura de preços para os consumidores.
Desafios:
Fornecedores modificarem seus produtos implica gastos consideráveis.
Muitas aplicações de SaaS multilocatárias em infraestrutura de nuvem pública oferecem funcionalidade limitada e não são capazes de substituir processos corporativos amplos. Apenas o provedor de SaaS que fornece uma plataforma para expandir o serviço de software é capaz de lidar com processos corporativos complexos.
Consumidores não podem controlar atualizações ou lançamentos e podem ser obrigados a aceitar períodos ociosos para se adaptar às mudanças.
Conselhos para fornecedores de software que pretendem ser provedores de SaaS em infraestrutura de nuvem pública
Use a infraestrutura do sistema de nuvem pública como um ponto inicial para seus esforços na nuvem. Fornecedores atuais podem inicialmente explorar exemplos de software simplesmente “empacotados” na abordagem da infraestrutura na nuvem, mas devem rapidamente modificar seus produtos para otimizá-los à nuvem, incluindo modelo de nuvem distribuído, e lidar com questões de segurança inerentes à computação em nuvem. Uma oferta de SaaS de aplicação locatária que explora a infraestrutura na nuvem pode ser compatível com um projeto pequeno do consumidor, mas uma arquitetura multilocatária ou uma arquitetura locatária gerenciada será necessária para o escalonamento a milhares de clientes. Novos fornecedores entrando no mercado devem começar com um modelo multilocatário ou locatário gerenciado que explore completamente o que a nuvem tem para oferecer.
Conselhos para consumidores que pretendem contrar SaaS
O modelo de nuvem ideal supõe uma estrita separação de questões entre o provedor que lida com todos os detalhes de implementação e o consumidor que foca apenas no serviço e nas melhorias que pretende inserir nele. Do ponto de vista do consumidor da aplicação locatária versus a aplicação multilocatária, o nível explorado pelo provedor para aproveitar tudo o que a nuvem oferece ou o uso que o provedor faz da infraestrutura de nuvem pública como parte da sua cadeia de entrega, tudo isso está escondido. As características da implantação são visíveis apenas por meio de garantias de nível de serviço ou pontos de controle de serviço expostos pelo fornecedor.
Entretanto, de uma perspectiva prática, os consumidores precisam avaliar a abordagem de implantação do fornecedor para determinar o nível de satisfação de necessidades presentes e futuras, e como parte da viabilidade de um fornecedor. Provedores que implementam modelos simples de aplicações locatárias que rodam em infraestruturas na nuvem sem reais mudanças em comparação à implementação personalizada não serão capazes de escalonar e esses serviços oferecem valor limitado em situações diretamente relacionadas com o uso da “infraestrutura de aluguel”. Se a aplicação tem necessidades complexas, variáveis e desconhecidas de usabilidade e armazenamento, isso pode ser aceitável. Em outros casos, esta abordagem provavelmente não oferecerá ao consumidor qualquer valor e não servirá como uma base viável para o provedor escalonar seu negócio.
Fornecedores que implementam modelos mais sofisticados de aplicações multilocatárias que exploram mais amplamente as características da nuvem podem ser capazes de oferecer valores adicionais aos benefícios de infraestruturas entregues sob medida. Contudo, eles ainda enfrentarão desafios para escalonar seus negócios para grandes números de consumidores de forma lucrativa.
Fornecedores que exploram uma arquitetura multilocatária ou algum nível de “aluguel isolado” durante o processo ou em níveis de dados são melhor posicionados no longo prazo e devem ser favoritos em situações nas quais as limitações da personalização são aceitáveis. Quando essas limitações não forem possíveis, um software hospedado na infraestrutura na nuvem ou modelo de SaaS de aplicação locatária pode ser suficiente.
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enviado por: GUSTAVO ADOLPHO FOGAÇA MARUCCO em 01/08/2010 - 16:13





