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Software faz retrato falado para a polícia
Paula Rothman, de INFO Online Terça-feira, 06 de outubro de 2009 - 13h03Divulgação |
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Dr. Solomon, inventor do software, em versão normal e no retrato criado pelo programa |
SÃO PAULO – Utilizando conceito de DNA eletrônico, software inglês faz retrato falado preciso em 50% do tempo dos métodos tradicionais.
Criado por Christopher Solomon, da Universidade de Kent, o EFIT-V é um programa que oferece às testemunhas uma base de opções para, a partir delas, chegar a uma imagem mais próxima da realidade.
Nos últimos anos, o pesquisador e outros três colegas criaram um software que atribui um código para cada característica desejada – uma analogia à maneira como DNA dos seres vivos funciona.
O seu nome é a sigla para Elective Facial Visualisation Technique, ou justamente técnica de visualização facial eletiva. “Eu fazia pesquisas em reconhecimento facial em 2001 quando me dei conta de que, se pudéssemos manipular o DNA eletrônico, teríamos a base para um bom sistema de reconhecimento”, diz o Dr Solomon.
Os métodos convencionais de retratistas da polícia funcionam com a identificação de partes do rosto de uma pessoa: a partir das escolhas separadas de olho, nariz, boca, etc., o retratista tenta montar um desenho e vai ajustando depois.
“A vantagem do nosso sistema é que ele utiliza a capacidade das pessoas de reconhecer, ao invés da de descrever”, explica o dr. Solomon. “Ele pode ser usado naqueles casos em que a testemunha diz que não consegue se lembrar, mas que reconheceria o rosto se o visse”, diz.
O software, que roda em sistema Windows, começa a trabalhar com uma descrição geral, como “me lembro de um homem jovem, branco com cabelo escuro”. O operador do programa seleciona as características descritas de uma lista e recebe nove rostos gerados que se encaixam nela. Há, por exemplo, sete etnias selecionáveis.
A testemunha, então, descarta as piores e o software gera novas opções com leves mudanças baseado naquelas que foram rejeitadas. O operador também tem a opção de interferir no desenho, alterando manualmente alguma característica que passa a ser então incorporada ao sistema.
A base do sistema foi criada a partir de uma análise estatística de diversos modelos de rostos, o que garante feições bastante reais. “Depois disso, cada rosto recebeu um código eletrônico ligado às suas características: mudando esse código, alteramos a aparência do rosto”, explica Solomon.“Por meio de um algoritmo que muda o DNA eletrônico, aproximamos as feições geradas ao que a vítima descreve”, diz o pesquisador.
O EFIT-V já é usado por 15 departamentos de polícia no Reino Unido, além países como França e Suíça. Nos testes realizados pela polícia de Derbyshire ele levou ao dobro de identificação de suspeitos que os métodos tradicionais. “Pelas nossas estimativas, ele leva de 50 a 60% do tempo de um sistema tradicional, o que significa que você está fazendo melhor uso das suas testemunhas”, diz Solomon. Segundo ele, nos países testados, o número de reconhecimentos de pessoas a partir de retratos falados aumentou 100%.
O programa agora começa a ser testado nos Estados Unidos, e talvez tenha que passar pro algumas alterações para se adaptar aos procedimentos da polícia. Para outros países, como o Brasil, seria necessário adaptar também a língua e incluir na base do sistema rostos de brasileiros. “Mas isso não é complicado”, garante Solomon, que já conta com um representante de seu sistema no Rio de Janeiro.





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