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SÃO PAULO – Análise do funcionamento do cérebro indica que ele se liga e desliga em partes na hora de dormir.
O novo estudo, publicado na revista Neuron, mostra que regiões do cérebro humano se desligam em momentos diferentes ao longo da noite, perdendo a habilidade de se comunicar durante algumas fases do sono.
Segundo os pesquisadores das universidades de Wisconsin e da Califórnia-Los Angeles (UCLA), a descoberta desse sono “localizado” pode explicar parcialmente algumas desordens, como o sonambulismo.
As analises foram feitas com um grupo de 13 pessoas, todos pacientes que sofrem de epilepsia e haviam tido eletrodos implantados no cérebro para monitorar a fonte dos ataques. Essa cirurgia havia sido feita independentemente da pesquisa do sono, e os pacientes concordaram em participar do estudo por já terem passado pelo procedimento invasivo de implantação de eletrodos. No total, os pesquisadores conseguiram gravar a atividade de 129 eletrodos colocadas entre 8 e 12 regiões do cérebro de cada paciente.
Normalmente, só é possível estudar o sono analisando os padrões captados por eletrodos colocados apenas na superfície da cabeça (os chamados EEGs). Com o estudo de dispositivos implantados mais a fundo, é possível obter mais dados, mais precisos. Para a pesquisa, foram combinados eletrodos internos com a atividade medida via EEG e os cientistas conseguiram remover da análise qualquer atividade relacionada à epilepsia, o que em tese torna os resultados aplicáveis a qualquer indivíduo.
O resultado mostrou que o sono “localizado” acontece mais tarde da noite; uma explicação possível, e bastante plausível, é o fato das regiões do cérebro realizarem diferentes tarefas ao longo do dia, o que as faria precisar de mais ou menos horas de sono.
Vale lembrar que desligar parcialmente o cérebro não é algo incomum na natureza. Os golfinhos, por exemplo, são conhecidos por dormir com uma parte do seu cérebro “ligada”, controlando o nado para que possam subir à superfície e respirar.