Pesquisadores recriam computador de 1830

Por The New York Times
• Quarta-feira, 16 de novembro de 2011 - 08h41
Wiki Commons
Partes da Máquina Diferencial No. 2, exposta em Londres
Nova York- Pesquisadores britânicos estão prestes a embarcar em um projeto multimilionário para construir um computador ao longo dos próximos 10 anos. O objetivo, porém, não é obter uma capacidade de processamento deslumbrante, nem alcançar a velocidade da luz.

De fato, se eles tiverem sucesso, a máquina criada terá apenas uma pequena fração da capacidade de computação dos microprocessadores de hoje. Ela não vai depender de softwares e silício, mas de engrenagens de metal e de uma versão singular de um antigo cartão perfurado da IBM.

O que ela será capaz de fazer, porém, é responder a uma pergunta que tem atormentado os historiadores há décadas: será que um matemático excêntrico chamado Charles Babbage concebeu o primeiro computador programável em 1830, cem anos antes de a ideia ter sido apresentada em sua forma moderna por Alan Turing?

A máquina nas pranchetas de desenho do Museu da Ciência, em Londres, é conhecida como Máquina Analítica – um monstro do tamanho de uma sala que seu inventor imaginou, mas nunca construiu.

O projeto dá seguimento aos bem sucedidos esforços de um grupo ligado ao museu para replicar uma invenção muito menos complicada de Babbage: a Máquina Diferencial No. 2, uma máquina de calcular composta por cerca de 8 mil componentes mecânicos montados com precisão de relojoeiro. Esse projeto foi concluído em 1991.

Os novos esforços – liderados pelo programador John Graham-Cumming e pelo ex-curador do museu Doron Swade – já digitalizaram desenhos técnicos sobreviventes de Babbage para a Máquina Analítica. Mas os desafios da construção impressionam.

No caso da Máquina Diferencial, houve um planejamento completo. A Máquina Analítica, pelo contrário, foi um trabalho que se encontrava em andamento, posto que Babbage aperfeiçoou constantemente seu pensamento no decorrer de uma série de projetos.

Assim, a esperança é de tornar a análise da construção aberta a sugestões – os planos serão publicados na Internet no ano que vem e o público será convidado a oferecer ideias.

''Não há um conjunto único de planos que defina o projeto de uma máquina única’', disse Tim Robinson, guia do Museu da História do Computador, localizado em Mountain View, na Califórnia. ''Essa máquina ficou o tempo todo em um estado de fluxo’'.

O projeto é significativo, em parte, porque há um debate acalorado a respeito de se – caso houvesse tempo e recursos – Babbage teria sido capaz de construir a máquina que ele imaginou.

A ideia foi proposta no ano passado por Graham-Cumming. Ele sugeriu um projeto de três etapas: em primeiro lugar, seria feita a escolha de um plano no qual focar; em seguida, seria criada uma simulação de um computador tridimensional; finalmente, a máquina seria construída.

''Espero que as futuras gerações de cientistas possam apreciar a Máquina Analítica, pensem em Babbage e se sintam inspiradas para trabalhar em seus próprios projetos de viagens no tempo’', escreveu ele.

Babbage, que viveu entre 1791 e 1871, é justamente conhecido como o ''pai da computação’'. Mas ficaria a cargo de uma colega cientista, Ada Augusta King, condessa de Lovelace, apreciar plenamente o fato de que suas invenções eram mais que apenas ferramentas para tabular logaritmos e funções trigonométricas automaticamente.

Lovelace – filha do poeta Lord Byron – percebeu que a Máquina Analítica poderia ser uma máquina de mídia mais geral, capaz de fazer músicas e manipular símbolos. E 113 anos antes de John McCarthy cunhar o termo ''inteligência artificial’', ela considerou – e em seguida rejeitou – a noção de que computadores são capazes de demonstrar criatividade ou mesmo de pensar.

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