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Ciência

Pesquisadores bloqueiam ataque do HIV

Por Paula Rothman, de INFO Online
• Segunda-feira, 26 de setembro de 2011 - 12h25
Wiki Commons
Ilustração 3D do vírus, com corte mostrando o material genético em seu interior

São Paulo- Pesquisadores ingleses conseguiram impedir que o HIV atacasse o sistema imunológico do corpo ao modificar a membrana da célula do vírus.

Os resultados, publicados na revista Blood cientistas do Imperial College London e da Universidade Johns Hopkins, podem abrir caminho para a criação de uma vacina.

O vírus HIV é causador da Aids, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que, como o próprio nome diz, prejudica o corpo danificando seu sistema de defesa (imunológico).  Ela é a terceira maior causa de morte em países em desenvolvimento, matando 1,8 milhões de pessoas por ano no mundo.

Normalmente, quando uma pessoa é infectada, o sistema imunológico dá uma primeira resposta que bloqueia a ação do vírus momentaneamente. Muitos pesquisadores, no entanto, acreditam que o HIV causa uma super-reação inicial do sistema, enfraquecendo a próxima linha de defesa do corpo. Algumas de suas células de defesa, chamadas plasmacytoid dendritic cells (pDCs), reconhecem o HIV rapidamente e reagem, produzindo moléculas sinalizadoras que ativam muitos processos e danificam o sistema se permanecerem ligados por muito tempo.

O mecanismo pode ser comparado ao de um carro, que anda muito tempo com a primeira marcha engatada: embora boa para sair com o veículo, ela precisa ser mudada, ou então danifica o maquinário.

Na nova pesquisa, os cientistas encontraram evidências de que é justamente assim que o vírus age – e conseguiram bloquear essa ação removendo o colesterol da membrana de sua célula (o vírus utiliza a membrana das células que ataca). É essa gordura (que não está relacionada ao colesterol do sangue) que ajuda a manter a estrutura da membrana fluída, permitindo que o vírus interaja com alguns tipos de células.

Ao remover o colesterol, o vírus não pode ativar as pDCs. Como consequência, as células T, que orquestram a segunda leva de resposta, mais organizada, podem atacar o vírus de forma mais eficiente.

O vírus sem colesterol não era infeccioso – ou seja, apesar de estar presente no corpo não podia causar danos ao sistema. Ainda assim, podia ser localizado e combatido pelas células T.

Embora a pesquisa seja bastante inicial, ela ajuda a desvendar a complexa forma de atuação do vírus. Além disso,  a descoberta do colesterol abre caminho para o desenvolvimento de um novo tipo de vacina. 

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