
Formado em engenharia elétrica pelo MIT e Ph.D pela Carnegie Mellon University, Cohn tem 50 patentes registradas ou em processo, supervisiona a criação de processadores usados nos computadores mais rápidos do mundo e ostenta o título de IBM Fellow, uma honraria criada para os funcionários de destaque na IBM e conferida a apenas 218 ibemistas desde 1963.
Cohn disputou o reality show A Colônia, do Discovery Channel, no qual os participantes tinham de inventar objetos e ferramentas com materiais escassos para sobreviver em um mundo pós-apocalíptico. Ele criou um veículo elétrico e um lançador de chamas. Nas horas vagas, o cientista usa placas programáveis do tipo Arduino para criar máquinas tão estranhas quanto um monstro de 5 metros de altura, com rosto de abóbora de Halloween, que divertiu (e, é preciso dizer, aterrorizou) as crianças da vizinhança onde mora com a mulher, no estado de Vermont, nos Estados Unidos.
Nos últimos tempos, o cientista maluco da IBM tem se dedicado a um dos projetos mais desafiadores da sua vida: a criação de um processador que simula o funcionamento do cérebro humano. “A computação cognitiva propõe o uso de redes neurais com bilhões de processadores extremamente simples, capazes de imitar o cérebro em tarefas que podem ser feitas melhor por meio do aprendizado do que do cálculo”, disse Cohn a INFO.
Batizado de SyNAPSE (sigla em inglês que forma a palavra sinapse, região de comunicação entre os neurônios), o projeto conta com a participação de universidades conceituadas e consumiu 21 milhões de dólares investidos pela agência de pesquisa para projetos de defesa dos Estados Unidos, a Darpa. Entre os integrantes da equipe do projeto, o sentimento é o de reinventar a roda. Maluquice? Nem tanto. Em agosto, foram apresentados os dois primeiros chips com o conceito de computação cognitiva criados nos laboratórios do SyNAPSE.
“O modelo aritmético dos computadores que usamos hoje é o mesmo desde os anos 1940”, afirma Cohn. O cientista defende que a nova tecnologia precisará abandonar esses pilares do modelo digital, com decisões binárias e uma arquitetura de hardware criada em 1945 pelo pesquisador John von Neumann.
No modelo de computação baseado nas teorias de Neumann, o processador e a memória ficam separados e interagem por meio de um barramento, dispositivo que funciona como uma espécie de cano. Não raro, esse mecanismo entope pelo excesso de dados ou sofre interrupções por causa da temperatura do hardware ou por limitação de velocidade. O cérebro humano, por sua vez, tem seus bilhões de dispositivos de processamento, os neurônios, juntos das trilhões de sinapses, responsáveis pelo aprendizado e memorização. Assim, a troca de informações é feita em todas as direções, com velocidades variadas e a possibilidade de poupar áreas que não estão sendo usadas. “Computadores são bons com números e com a execução de ordens, como o lado esquerdo do cérebro, mas péssimos em tarefas de reconhecimento de face ou de objetos, como faz o lado direito do cérebro”, diz o cientista.
Fazer com que os processadores dos computadores imitem o funcionamento do cérebro pode revolucionar o modo como as máquinas interpretam e reagem ao feedback analógico de sensores. A computação cognitiva pode ser usada em aplicações como carros que dispensam os motoristas, por exemplo.
O cérebro digital seria capaz de usar melhor sua capacidade de processamento, lidando com várias tarefas simultâneas e usando menos poder de fogo. Isso faria despencar o consumo de energia e o espaço para armazenamento. No lugar de núcleos com gigahertz e muita sede por energia, como os vistos nos chips de hoje, haveria um conjunto com milhões de processadores primitivos de baixíssimo consumo.