Ciência
Nanopartículas transportam medicamentos
Agência FAPESP Sábado, 28 de agosto de 2010 - 14h31Wikimedia Commons |
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Nanopartículas, acima, são capazes de levar medicamentos especificamente a células cancerosas ou a tecidos de órgãos transplantados |
SÃO PAULO – Uma nanopartícula desenvolvida pelo grupo do professor Raul Cavalcante Maranhão, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCM-USP), é capaz de levar medicamentos especificamente a células cancerosas ou a tecidos de órgãos transplantados.
Recentemente, a equipe verificou que a técnica também é eficiente contra a aterosclerose.
“Trata-se de um avanço muito importante, pois é a primeira vez que se trata o efeito base da aterosclerose. Até agora, a doença era tratada com remédios para hipertensão – para a desobstrução de vasos –, que atingem os efeitos mas não a doença”, disse Maranhão à Agência FAPESP. O pesquisador apresentará os resultados da pesquisa neste sabado, na 25ª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Águas de Lindoia (SP).
A pesquisa para criar a partícula nanométrica começou a tomar corpo em 1995, quando Maranhão iniciou o Projeto Temático “LDL artificial: um novo método para o tratamento do câncer”, apoiado pela FAPESP.
O objetivo era criar uma versão artificial da LDL (lipoproteína de baixa densidade, em inglês), partícula que concentra mais de 70% do colesterol presente no sangue humano. O resultado foi a LDE, uma LDL artificial composta de um envoltório de fosfolípedes e um núcleo de colesterol.
Na circulação, a LDE recebe partes proteicas das liproproteínas naturais ao se chocar com elas. Uma dessas partes é a Apo E, que passa a fazer parte da LDE. “Com ela, a LDE começou a se ligar ao receptor com muito mais força do que a própria LDL, porque a Apo E tem muito mais afinidade com o receptor”, explicou Maranhão.
A aplicação prática da pesquisa teve início quando o professor da USP conheceu o trabalho ganhador do prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1995, conquistado pelos norte-americanos Michael Stuart Brown e Joseph Goldstein.
Os dois haviam descoberto o receptor da LDL, mas a parte do trabalho que mais interessou a Maranhão foi a que mostrava que esse receptor é muito aumentado em células neoplásicas, as afetadas pelo câncer. Essa superexpressão dos receptores foi percebida pela primeira vez na leucemia.
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