
Nova York - Após anos de debate, as autoridades de saúde federais americanas recomendaram que os meninos sejam vacinados regularmente contra o papilomavírus humano, ou HPV.
A vacina vem sendo recomendada para meninas e mulheres desde 2006, sobretudo porque o HPV causa câncer do colo do útero. Contudo, as autoridades de saúde pública não incentivavam o uso da vacina em meninos, afirmando apenas que eles poderiam receber a vacina para obter proteção contra verrugas genitais e certos tipos de câncer, e a fim de ajudar a evitar a propagação do HPV.
Em um novo cronograma de vacinação, publicado na semana passada no periódico The Annals of Internal Medicine, pela primeira vez os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) recomendaram a vacinação de meninos de 11 e 12 anos e a vacinação tardia de rapazes com idades entre 13 e 21 anos. O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum nos Estados Unidos.
As vacinas Gardasil e Cervarix protegem contra o HPV tipo 16 e outras cepas do vírus que causam cânceres e verrugas genitais. O FDA (Food and Drug Administration), órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, aprovou em 2009 o uso da vacina Gardasil em meninos e rapazes com idades entre 9 e 26 anos e, no final do ano passado, o comitê consultivo federal anunciou que havia votado a favor da recomendação do uso rotineiro da vacina em garotos.
As recomendações do CDC são normalmente seguidas por médicos e usadas para determinar a cobertura dos planos de saúde. Muitas companhias de seguro começaram a oferecer a cobertura da vacina para meninos depois do anúncio da aprovação pelo FDA, ocorrido em 2009. Contudo, algumas empresas só passaram a pagar pelas vacinas após o anúncio do comitê consultivo federal.
A recomendação do comitê foi oficializada após uma nova revisão de dados mostrando que a vacina é bastante eficaz na prevenção contra verrugas genitais e alguns tipos de câncer em homens e mulheres, afirmou Eileen Dunne, epidemiologista dos CDC. A infecção por HPV pode aumentar o risco de contrair diversos tipos de câncer, incluindo o câncer cervical, anal e de orofaringe, que ocorre na parte de trás da língua e da garganta.
A nova recomendação acontece logo após a divulgação, no mês passado, de um relatório demonstrando que cerca de um em cada 15 americanos está infectado com o HPV oral. O relatório também descobriu que o vírus é cerca de três vezes mais comum em homens do que em mulheres.
Presente geralmente na região genital, o HPV ataca até 80% de homens e mulheres em determinado momento da vida. Contudo, ele pode ser transmitido para a boca por meio do contato íntimo, inclusive pelo sexo oral, aumentando o risco de contrair câncer de garanta. Um estudo descobriu no ano passado que os cânceres de garanta causados pelo HPV tipo 16 triplicaram nos últimos 20 anos.
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