Notícias

»

Ciência

Entrevistamos Beakman, o cientista

Por Paula Rothman, de INFO Online
• Quinta-feira, 19 de maio de 2011 - 19h59
Divulgação
SÃO PAULO - Fato: se você foi criança ou adolescente no início da década de 90, tem grandes de chances de ter passado muitas horas da sua vida na companhia de Paul Zaloom.

O homem da foto, munido de uma peruca espetada e seu inconfundível jaleco verde, é capaz de despertar a memória de quem não perdia os experimentos amalucados no Mundo de Beakman.

O premiado programa, ganhador de um Emmy, foi produzido entre 1992 e 1997 e ainda passa nos Estados Unidos. Em janeiro, voltou ao Brasil na TV Cultura – canal aonde fez sucesso no início dos anos 90. Ao todo, os 91 episódios de O Mundo de Beakman foram e ainda são transmitidos em mais de 20 países – além de EUA e Brasil, Canadá, México e Coréia são alguns deles.

O sucesso se deve, em grande parte, a Zaloom, o nova iorquino de 59 anos que deu vida ao personagem-título. Para a felicidade dos fãs, pode-se dizer que Paul é, na verdade, o próprio Beakman. Ou, como ele define: “o Beakman é minha versão exagerada”.

Atualmente morando na Califórnia, Zaloom falou a INFO Online enquanto batia um shake de proteínas, parte de sua rotina saudável que envolve não comer carnes (apenas peixe, às vezes) e praticar natação, musculação e ioga. “Os exercícios impedem que eu fique louco”, ri ele.

Aclamado pelo The New York Times como “um dos mais talentosos e originais satiristas políticos trabalhado no teatro”, Paul fala sobre os mais variados assuntos com a facilidade de quem, há muitos anos, consegue explicar física e química a crianças de seis anos. Em duas horas de conversa, ele contou sobre sua experiência na TV, as lembranças de Mark Ritts (o Rato Lester), sua faculdade hippie-alternativa, o dinheiro que recebe (ou não) pelos direitos do programa e sobre sua maior felicidade: ser avô.

Como você virou o Beakman?

O pessoal que estava produzindo o show tentou escalar o papel em Hollywood, mas não achavam ninguém que tivesse a sensibilidade necessária (risos). O diretor do programa, Jay Dubin, me conhecia dos anos 80 em Nova York e pensou: “talvez esse cara possa fazê-lo”. Ele me ligou - fazia anos que não nos falávamos – e pediu uma fita minha, para mostrar ao estúdio. Enviei uma apresentação que havia filmado sobre comida e o pessoal gostou! Fui chamado para uma audição na qual tudo deu errado: derrubei garrafas de água e acabei tendo que improvisar algo na hora. E deu certo.

Quanto do Paul existe no Beakman?

(risos) Muito. É uma exageração de mim mesmo. Mais sotaque de Nova York, mais mãos se mexendo... Sou eu, mas “cartoonizado”(transformado em animação). Lembro que o produtor executivo do programa disse que eu deveria apenas ser eu mesmo quando estou agitado.

Então você ajudou a criar o personagem?

O programa era baseado em uma tira de quadrinhos Chamada “U Can with Beakman and Jacks”, do cartunista Jok Church. Nas tirinhas, que saíam em centenas de jornais no país, o personagem Beakman respondia às perguntas dos leitores. Bom, acontece que tornou-se lei nos Estados Unidos que deveria haver uma quantidade mínima de programas infantis todos os dias nas emissoras regionais (quatro horas). O programa foi criado pelo The Learning Channel e passava em muitas dessas pequenas emissoras (225 em sua estréia). Depois da primeira temporada, a CBS comprou os direitos e passou a exibi-los todas as manhãs em rede nacional, e depois para mais de 20 países. Aliás, eu não sou pago por nenhuma retransmissão fora do país. Eu não sou rico, ao contrário do que muita gente pensa. É difícil sobreviver nos Estados Unidos como artista... As emissoras fazem um acordo antecipado pelo o que for vendido no futuro.

Mas você esteve envolvido na pré-produção do programa?

Sim. Eu não sou creditado como escritor ou criador porque o estúdio não queria me pagar mais. Mas me voluntariei para ajudar a criar o programa de qualquer forma. Pensei que seria divertido e de grande ajuda. E foi exatamente assim.

Vocês tinham alguma equipe de cientistas ajudando?

Havia um professor de ciências que ajudava nessa parte técnica. Tínhamos também uma grande equipe: escritores, produtores, músicos... Mark Mothersbaugh, que é um grande compositor, fez a música das duas primeiras temporadas.

E quanto aos outros atores do Mundo de Beakman? Vocês ficaram amigos?

Sim. Eles são todas pessoas ótimas. Nós nos divertíamos muito no set e nos encontramos ainda, de tempos em tempos.

O Rato Lester era com certeza um personagem muito querido do público. Pelo que você disse, imagino que tenham sido próximos também. Como foi receber a notícia de seu falecimento? (Mark Ritts, o Rato Lester, faleceu em 2009).

Eu passei muito tempo com o Mark no final de sua vida. Foi um tempo muito triste, e difícil, mas também foi um grande privilégio, uma honra e uma alegria estar com ele durante esses meses. O Mark era realmente um ser humano maravilhoso: gentil, amoroso, engraçado, sábio e um amigo incrível. E incrivelmente talentoso. Eu sinto muito a sua falta.

E quais as lembranças fortes que guarda do programa?

Lembro de uma vez que um jacaré foi até o estúdio. Ele estava preso mas, em um determinado momento, ele pulou em minha direção. Eu me assustei e saí correndo e gritando. Também houve um episódio com uma cobra – e eu não sou fã de cobras – que estava enrolada no pescoço do Lester enquanto filmávamos. Eu falava olhando para a câmera e, de repente, ela veio para o meu rosto. Minha reação foi a mesma: gritar e correr!

leia também

tags

comentários

  • Pô esse programa deveria ser recomendado a tds as crianças. Além d saber prender a atenção da mulecada, era um programa q lhes entregavam algum conteúdo, e melhor ainda, extimulava a aprender. Eu lembro q cheguei a fezer algumas experiências do "Desafio de Beackman", e lembro até q minha professora fazia algumas delas em sala d aula. Era muito maneiro

    Fabio Carvalho de Souza • 01/07/2011 - 15:54
  • Olá, pessoal. A entrevista com Beakman foi originalmente publicada em 31 de janeiro deste ano, quando a INFO usava um template diferente em sua área de notícias, com layout diferente do atual. Para adaptar as notícias de INFO ao novo desenho, foi preciso republicar duas notícias, entre elas esta entrevista. Conto com a compreensão de vocês.

    felipe zmoginski • 20/05/2011 - 11:56
  • Bola Fora, heim Info?!?!?

    Eduardo T C • 20/05/2011 - 11:30
  • Boas lembranças...

    Georjuan Taylor • 20/05/2011 - 11:05
  • Sem criatividade para criar nova matéria? Ainda colocam como se fosse publicado ontem rs Quinta-feira, 19 de maio de 2011 - 19h59

    Charles Serrato da Silva • 20/05/2011 - 10:03
  • Déjà vu

    Anderson Ortiz das Dores • 20/05/2011 - 09:50
  • Era isto que eu ia falar... já li isto aqui antes em algum lugar. :S

    Vailton Renato • 20/05/2011 - 08:33
  • Matéria requentada.

    Gustavo • 19/05/2011 - 22:19

comente

18 DE MAIO DE 2012
INFO Online - Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.