
São Paulo - Quem gosta de cinema já deve ter se deparado com o trabalho do brasileiro César Dacol Jr. Ele é responsável pelos dinossauros do filme Viagem ao Centro da Terra e pelos alienígenas de A Experiência 4. “Sou de família italiana católica, cresci ouvindo histórias de demônios e fantasmas”, disse a INFO.
Aos 40 anos, Dacol começou a se interessar por monstros por causa de um vizinho que trabalhava com maquiagem. Mas o hobby só virou profissão quando Dick Smith, responsável pela maquiagem do clássico O Exorcista, elogiou seu trabalho. Dacol já atuou em estúdios como Meteor e Gentle Giant e desenhou para blockbusters como Selvagens e o épico 300. Seu último personagem vai estrelar a animação Happy Feet 2, que estreia no Brasil em novembro. Acompanhe, a seguir, os principais trechos de sua entrevista.
Como entrou para o mundo da animação?
Aos 13 anos, tinha um vizinho cujo pai me deu algumas dicas e me ensinou técnicas de maquiagem. Um dia, li uma reportagem sobre Dick Smith, que tinha feito a maquiagem do filme O Exorcista. Mandei umas fotos do meu trabalho e ele respondeu dizendo que tinha gostado muito. Acabou se tornando meu mentor e me ajudou a arrumar emprego em estúdios.
Como você dá vida aos monstros?
Tudo o que crio vem da emoção. Claro que tem uma parte técnica importante, tanto de computação quanto de anatomia. Cada roteiro tem a justificativa para um tipo de personagem: com duas cabeças, seis olhos ou coberto de cabelo. Tenho de criar baseado nisso, mas preciso entender a carga emocional do personagem. Se não o fizer, o monstro não vai afetar o público da mesma maneira.
Existe algum truque para que eles sejam
mais assustadores?
Tem coisas básicas que posso fazer para deixar uma criatura mais assustadora. O ângulo do olhar pode indicar tristeza ou raiva. Se quero deixar o espectador confuso, sem saber se é um monstro do bem ou do mal, uso dois ângulos na mesma expressão. As pessoas procuram os olhos primeiro, então posso desenhá-los de maneira a brincar com os sentimentos.
Você tinha medo de monstros?
Não era uma criança medrosa, pelo contrário. Procurava saber sobre histórias de assombração. Comecei bem cedo a criar monstros em argila. Sou de família italiana católica, cresci ouvindo histórias de demônios e fantasmas. Meu primeiro interesse veio de escutar meus avós contando essas histórias.