Ciência
Cientista faz arte com larvas
Paula Rothman, de INFO Online Terça-feira, 15 de setembro de 2009 - 09h34Matthew Cobb |
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Uma das obras feitas por larvas realizadas durante o workshop do professor Cobb |
SÃO PAULO – Cientista resolveu dar contribuição diferente a uma feira sobre insetos no Reino Unido e ensinou crianças a pintarem com larvas.
Matthew Cobb, professor da Universidade Manchester e especialistas em comportamento animal, realizou seu workshop durante o Pestival - festival inspirado em insetos organizado em Londres entre 3 e 6 de setembro.
Cobb, que já havia auxiliado na organização do primeiro Pestival, em 2006, tentou entrar em contato com diversos artistas para criar algo que contrastasse com seu trabalho científico. “Por diversos motivos nada saiu disso, então decidi oferecer algo divertido e interessante para as crianças fazerem”, diz ele. Segundo o professor, qualquer semelhança com os trabalho de Jackson Pollock é mera coincidência – não houve nenhum tipo de inspiração nas obras do expressionista americano.
Os participantes mirins eram convidados a colocar grandes bolhas de tinta guache atóxica sobre o papel e derramarem larvas sobre elas. Depois de misturar os bichos na cor escolhida, as crianças deixavam as larvas fazerem seu trabalho e colorirem com seus pequenos corpos molengas o fundo branco do papel. Para quem ficou curioso, o professor disponibilizou as fotos de diversos trabalhos do workshop na internet.
“Larvas são bastante inofensivas, bem fáceis de manipular e não ligam muito para a tinta”, explica Cobb – que garante que, após a sessão de pintura, os bichos foram lavados e devolvidos à natureza.
Mas a ideia do workshop teve um fundo menos artístico e bem mais científico, afinal, Matthew Cobb tem bastante experiência com esses animas. Na universidade, além de lecionar sobre evolução, comportamento animal e o sentido olfativo, ele utiliza as larvas das moscas de fruta Drosophila para entender os mistérios do olfato. “Porque elas têm apenas 21 neurônios olfativos – enquanto humanos têm quatro milhões – nós podemos fazer uma larva com apenas uma célula olfativa e ver como ela responde e de comporta”, diz.
Estudando a atividade olfativa da larva, é possível entender como os animais reagem aos diferentes cheiros. “Há um grande número de cientistas no mundo todo interessados neste modelo de estudo – já existe, inclusive, um encontro internacional sobre larvas!”, garante Cobb.





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