
A estrutura – denominada pavimento de clastos glacial – comprova ter havido um período de expansão do manto de gelo da Antártica Ocidental, após o intervalo de aquecimento, denominado Ótimo Climático do Mioceno, quando se estima que o manto de gelo antártico começou a se expandir.
Os detalhes do estudo serão apresentados em julho durante a conferência bienal do Scientific Committee on Antarctic Research (Scar), que será realizada em Portland, nos Estados Unidos.
“O pavimento documenta um importante evento paleoclimático da Antártica Ocidental durante o Mioceno”, disse Antonio Carlos Rocha Campos, professor do Instituto de Geociências da USP e coordenador do projeto à Agência FAPESP. Rocha Campos conduziu projetos apoiados pela FAPESP, entre os quais o Temático “Controles tectônico, climático e paleogeográfico das características, gênese e preservação de depósitos glaciais pré-cenozoicos do Brasil”.
De acordo com o pesquisador, a estrutura encontrada fornece a evidência cabal e irrefutável de que o continente antártico passou por uma fase de glaciação há cerca de 10 milhões de anos, após um período de aquecimento há cerca de 15 milhões de anos.
O pavimento de clastos glacial (fragmentos de rochas) é produzido pela ação de geleiras. Ao deslizarem sobre a superfície na qual se encontram, elas arrastam consigo fragmentos de rocha de diversas formas e tamanhos, que são incorporados ao gelo. O pavimento tem origem na liberação dos fragmentos de rochas, que são realojados subglacialmente (abaixo da camada de gelo) e erodidos durante o avanço da geleira, resultando em uma espécie de calçada de pedras.
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