Biologia inspira inteligência artificial

Por The New York Times
• Terça-feira, 13 de dezembro de 2011 - 08h33
Wiki Commons
Nova York- Desde os primórdios da computação moderna na década de 1940, as metáforas biológicas são irresistíveis. Os primeiros computadores _ monstros que ocupavam toda uma sala _ eram chamados de "cérebros gigantes" ou "cérebros eletrônicos" pela imprensa e em conversas do dia-a-dia. Após serem aperfeiçoados e se tornarem capazes de executar algumas tarefas familiares aos seres humanos, como jogar xadrez, o termo associado a eles passou a ser "inteligência artificial". Como se costuma dizer, o DNA é o software mais antigo.

Na maior parte das vezes, as metáforas biológicas não passam disso _ uma analogia para facilitar o entendimento, e não uma maneira de estabelecer um modelo de como se deve ser a computação. Foi a Engenharia, e não a Biologia, que conduziu a busca da inteligência artificial. Como colocou Frederick Jelinek, pioneiro nas pesquisas de reconhecimento de fala, "os aviões não batem as asas".

No entanto, os princípios da biologia estão ganhando terreno como ferramenta da computação. Essa mudança de pensamento resulta de avanços da neurociência e da ciência da computação e das próprias necessidades que surgem. Os chips de hoje consomem energia demais, o que restringe quanto do circuito de um chip pode ser usado. À medida que a demanda por capacidade de processamento cresce para dar conta de uma onda de novos dados digitais a partir de sensores, comércio online, redes sociais, vídeo e bases de dados corporativos e governamentais, esses limites vão se impondo.

Para enfrentar tal desafio sem comprometer o suprimento de energia do mundo, será necessária uma abordagem diferente. E a Biologia, segundo os cientistas, promete contribuir com mais do que metáforas. "Cada vez que pensamos a respeito disso, a Biologia nos dá uma ideia de como devemos buscar as fronteiras da computação", disse John E. Kelly, diretor de pesquisa da IBM.

Kelly cita o exemplo do Watson, um computador que faz perguntas e respostas, sabe jogar "Jeopardy!" e derrotou dois campeões humanos no início deste ano. A máquina inteligente da IBM consome 85 mil watts de eletricidade, diferentemente do cérebro humano, que funciona com apenas 20 watts. "Isso foi obra da evolução ", disse Kelly.

Vários caminhos inspirados pela Biologia estão sendo explorados por cientistas da computação em universidades e laboratórios de empresas de todo o mundo. Mas os pesquisadores da IBM e de quatro universidades _ Cornell, Columbia, Universidade de Wisconsin e Universidade da Califórnia, em Merced - estão engajados em um projeto que parece particularmente intrigante.

O projeto, uma colaboração entre cientistas da computação e neurocientistas que começou há três anos, é tão estimulante que acabou por obter, em agosto, 21 milhões de dólares em uma rodada de financiamentos públicos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), elevando o valor para 41 milhões de dólares no total de três rodadas. Nos últimos meses, a equipe desenvolveu protótipos de microprocessadores "neurossinápticos", ou seja, chips que funcionam mais como neurônios e sinapses do que como semicondutores convencionais.

Leia também

///

tags

///

comentários

Seja o primeiro a comentar!

comente

INFO Online - Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.