Carreira
Você passou no MIT
Maurício Moraes, da INFO Quinta-feira, 22 de outubro de 2009 - 08h54Eduardo Albarello |
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SÃO PAULO - Onde (e como) estudar tecnologia fora do Brasil.
Os alunos da Unicamp Davi Barbosa, de 23 anos, e Arthur Azevedo de Amorim, de 22, cruzaram o Oceano Atlântico e foram estudar computação na École Polythecnique de Paris, uma das melhores da França. O investimento foi praticamente zero: bolsas de estudo cobriram as despesas. Para concluir a experiência, que durou cerca de dois anos e meio, eles arrumaram as malas de novo e encararam um estágio de pesquisa.
Barbosa foi para a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, enquanto Amorim atravessou o Canal da Mancha e passou uns tempos na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Garantia de um upgrade no currículo, universidades de renome internacional como École Polytechnique, Stanford, Harvard, Cambridge ou Massachusetts Institute of Technology (MIT) não são miragem. Muitos brasileiros já conseguiram fazer toda a graduação ou parte dela, cursar uma pós ou ainda passar por um estágio nessas instituições. Isso não significa que entrar lá seja moleza. Ter bom desempenho acadêmico, cartas de recomendação respeitáveis e fluência no idioma são itens que ajudam na disputa por uma vaga.
Várias universidades brasileiras, como USP e Unicamp, mantêm convênios internacionais. Geralmente esses acordos dão direito a fazer parte da graduação lá fora, como aconteceu no caso de Barbosa e Amorim. Cada instituição estrangeira, no entanto, adota um processo seletivo diferente. Como muitas vezes são concedidas bolsas de estudo, a concorrência costuma ser grande e pode incluir avaliações e entrevistas, além da entrega da documentação exigida. É preciso correr atrás de informações sobre as oportunidades e ficar atento aos prazos.
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Dá também para fazer a graduação ou a pós, do início ao fi m, no exterior. Nesse caso, o estudante que não puder arcar com as despesas terá que batalhar por uma bolsa que cubra as mensalidades e garanta a sua sobrevivência. Em Harvard, o preço do curso é de 34 mil dólares por ano. O MIT cobra 36 mil. Sempre é possível tentar obter ajuda financeira total ou parcial diretamente com as instituições. No caso de mestrado ou doutorado, também é possível recorrer a órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
O cearense Leonardo Barros Viana, de 33 anos, encarou uma acirrada seleção organizada pelo Instituto Brasil-Estados Unidos e pelo Institute of International Education, em 1996, e garantiu uma vaga na Universidade do Estado da Luisiana. O esforço valeu a pena. “O estilo de educação americano é diferente do brasileiro. Quase todos os cursos têm duração de quatro anos e acabam requerendo bem menos créditos do que os seus equivalentes no Brasil.”
Por conta disso, muitos estudantes optam por se formar em mais de um deles. “Acabei exagerando um pouco e me formei em cinco: Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação, Ciência da Computação, Matemática e Física.” Hoje, Viana trabalha como engenheiro de software do Windows Home Server, na Microsoft americana. Em junho, concluiu um mestrado na Universidade de Washington, em Seattle — todo o curso foi pago pela empresa.
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Tiro precisa ser certeiro
Como conquistar uma vaga lá fora é um desafio e tanto, é preciso ter certeza de que esse é o melhor caminho. “Meu conselho principal é não ‘ir por ir’. Fazer mestrado ou doutorado em uma universidade de ponta no Brasil pode ser igual ou melhor do que ir para o exterior”, afirma Paulo Blikstein, de 37 anos, professor da Universidade Stanford. O brasileiro encarou um mestrado no MIT entre 2000 e 2002 porque queria estudar no grupo de Seymour Papert, um dos maiores especialistas em tecnologia educacional do planeta.
Dominar o idioma é fundamental para concluir o curso. Escrever a tese não é nada simples. No caso do MIT, são entre 200 e 300 páginas em inglês. “Ninguém quer saber se você é estrangeiro ou não”, diz Blikstein. Segundo o professor, pior do que isso é enfrentar a saudade da família, dos amigos e do país. “Mas, para quem tem interesse em pesquisa, estar em um centro mundial de excelência, esbarrando em um prêmio Nobel no refeitório, é incrível. Ter tempo com pessoas incrivelmente brilhantes é realmente transformador. Elas pegam as suas ideias meio mal formadas e em uma manhã reorientam a sua cabeça.”
Outra vantagem está na troca de experiências com gente do mundo todo. Nos três meses em que fez estágio no MIT, Alfredo Sandes, de 21 anos — que cursa Engenharia Eletrônica no ITA —, conviveu com alunos de diferentes países. “No meu laboratório havia inglês, caribenho, chinesa, tunisiano, sul-coreano... Você cresce muito entrando em contato com eles”, afirma.
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Sem maturidade, não dá
Ter maturidade é importante para ser bem-sucedido, diz Ricardo Saur, de 70 anos, consultor da Brasscom. Nos anos 60, ele conseguiu uma bolsa da Petrobras para fazer um mestrado de um ano em Stanford — um dos principais centros de computação do mundo já naquela época. Quando voltou para o Brasil, o acréscimo no currículo fez uma grande diferença para a sua carreira. “Foi uma experiência singular”, diz.
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Interessantíssima a notícia. Estou cursando Ciências da Computação na UFSCar, mas não sei ao certo se a universidade aqui tem convênios com outras universidades no exterior (suponho que não). Mas mesmo assim, gostei muito.
O problema é se o aluno, como eu, "manchar" o currículo com alguma nota baixa ou outra.
enviado por: Bruno Shoiti Natsumeda em 29/10/2009 - 19:19





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