Carreira
Empresas indianas de TI contratam no Brasil
Kátia Arima, da INFO Segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 - 10h16Andrea Marques |
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Leonardo de Miranda: o analista da TCS interage com profissionais de vários países |
SÃO PAULO - Globais e metódicas, as empresas de TI de origem indiana têm centenas de vagas no Brasil.
Praticante de ioga, Leonardo de Miranda, de 31 anos, sabe que é preciso se contorcer quando se trabalha numa empresa indiana de TI. Analista da Tata Consultancy Services (TCS), o engenheiro de computação toca um projeto em plataforma Oracle no Rio de Janeiro, interagindo com colegas dos Estados Unidos, do México e da Índia - três dos 42 países onde a gigante dos serviços de TI está presente. "Os projetos executados globalmente exigem que o profissional se acostume com as diversas culturas e sotaques de inglês", diz.
Com presença global e metodologias consagradas, as empresas indianas de TI atuam principalmente na prestação de serviços terceirizados. Elas têm ampliado seus investimentos no Brasil, o que abre espaço para a contratação de centenas de profi ssionais. Três exemplos: a TCS tem 100 vagas na área de TI, a HCL tem 50 e a Wipro tem 340 posições abertas para profissionais de tecnologia. São todas vagas para contratação em regime CLT para trabalhar no Brasil.
Na empresa de recrutamento Michael Page, 35% das vagas de consultoria de TI são em empresas de origem indiana. "A presença dessas companhias no Brasil é estratégica. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, os clientes preferem que as operações de TI sejam feitas em vários territórios para reduzir os riscos", diz Ricardo Basaglia, headhunter da Michael Page. As oportunidades são principalmente para gerentes de projetos e consultores que têm conhecimento técnico para vender soluções.
O inglês é indispensável
Uma das dificuldades de quem faz o recrutamento das companhias indianas de TI no Brasil é encontrar profissionais que dominem o inglês ou o espanhol - algo essencial para a comunicação com colegas e clientes de outros países. Quem é fluente num dos idiomas encontra oportunidades. É o caso de Cassiana Giani, de 20 anos, que trabalha na HCL, empresa de capital indiano com 71 000 funcionários presentes em 29 países. Apesar de ser estudante de comércio exterior, a experiência como professora de inglês rendeu a Cassiana uma chance para atuar como trainee da área técnica, em consultoria de soluções Oracle. Ela tem contato intenso com profissionais de diversos países. "Não sabia nada sobre TI e fiquei perdida no começo. Mas estou aprendendo com os colegas mais experientes", diz.
Nas subsidiárias dessas empresas no Brasil, os profissionais estrangeiros são poucos. Na TCS, por exemplo, os brasileiros são 92%. Na Wipro, são 95%. "Quem entende melhor a necessidade do mercado local é o brasileiro", diz Liat Berger, diretora de RH da Wipro no Brasil. Na Mahindra Satyam, outra companhia indiana, é comum um gerente brasileiro transmitir as defi nições de um projeto à matriz para que seja executado pelos indianos. "Nós requisitamos aquilo que precisamos, com cuidado de documentar bem o pedido", diz Débora Cristiane Ângelo, de 35 anos, gerente de desenvolvimento de negócios da Mahindra Satyam.
O headhunter Henrique Gamba, líder da área de TI da consultoria de recrutamento Hays Brasil, confirma a fama que as empresas indianas têm de ser metódicas. "Elas são conhecidas por seguir processos muito bem estruturados. São mais organizadas que a maioria das brasileiras, que cresceram sem essa estruturação", diz.
Choque cultural
Quem tem planos de ingressar numa empresa indiana deve estar preparado para as diferenças culturais. Ricardo Basaglia, da Michael Page, diz que o profissional indiano tem características peculiares. "O indiano é um profissional comprometido, às vezes em excesso. Ele não tem certeza se vai entregar, mas fala que vai fazer. Isso gera uma pressão desnecessária. Seria melhor ele ser mais realista", diz.
Para Basaglia, enquanto o indiano é mais disciplinado, o brasileiro é mais criativo e questionador. É uma visão compartilhada por Heber Lopes, de 31 anos. Lopes trabalhou por quatro anos como consultor na TCS. Hoje, é funcionário de uma empresa de TI de origem norte-americana. "Os profissionais indianos têm mais difi culdade que os brasileiros em atender a uma solicitação fora do escopo de sua especialidade", diz. O analista de sistemas Leonardo Baldan Azevedo, de 35 anos, trabalha na TCS e percebe que o choque cultural entre indianos e brasileiros é forte. "Os indianos são bons profissionais. Mas têm difi culdade para entender nossa realidade. Custam a perceber que as leis brasileiras, o modo de prospectar clientes no país e nossos interesses profissionais são diferentes", diz.
Por motivos sociais e culturais, o indiano trabalha pesado, afirmam os especialistas entrevistados pela INFO. "Na Índia, há muita gente disputando espaço no mercado. Eles têm um ritmo acelerado porque fazem de tudo para se destacar", diz Leonardo de Miranda, que trabalhou por dois anos na matriz da TCS, em Mumbai. Mas o diretor de RH da TCS na América Latina, Carlos Stella, diz que a empresa respeita as leis trabalhistas brasileiras e que os profissionais daqui só fazem esforços pontuais em projetos. "Gostamos de pessoas flexíveis, que sabem que em alguns momentos será necessário trabalhar até mais tarde para atender às necessidades de um cliente, por exemplo", diz.
A TCS também valoriza os profissionais abertos a experiências internacionais, diz Stella. "Existem chances de seguir carreira em outros países", afirma. As oportunidades de expatriação nem sempre são abundantes, variando de acordo com a vaga e a empresa. Ainda assim, Ricardo Basaglia acha que trabalhar numa corporação indiana é uma boa pedida para quem busca uma carreira internacional. "O profissional com experiência nessas companhias fica mais elegível à expatriação", diz.
Caça aos talentos
Stella, da TCS, afirma que não há profissionais suficientes no Brasil. No ano passado, a empresa formou sua primeira turma de trainees no país, com 60 recém-formados. "Eles estão recebendo treinamento em Java, Oracle e mainframe, áreas em que temos alta demanda", diz.
A Wipro também sente carência de profissionais capacitados no Brasil. "Estamos recrutando talentos e vamos investir na formação deles", diz Liat Berger, diretora de RH da companhia. Com 120 000 empregados em 70 países e 450 funcionários no Brasil, a Wipro instalou um centro de operações no Tecnoparque, que fi ca dentro da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. A HCL também vai ocupar seu espaço nesse polo tecnológico. "Estamos com demanda urgente de profissionais. Por isso, estamos formando nossa própria mão de obra", diz Dagoberto Gabriel, diretor de operações Oracle da HCL.
Logo após se formar no curso de sistemas de informação da Universidade de São Paulo, no ano passado, Igor Nascimento de Andrade, de 23 anos, foi escolhido pela Infosys para fazer um estágio de três meses na matriz, em Bangalore, na Índia. Sofreu com a comida apimentada, mas teve uma ótima experiência profissional. "Hoje, trabalho com aplicativos móveis. Mas eu voltaria a atuar numa empresa indiana. Eles têm uma presença forte em TI no mundo."
A estudante Juliana Uemura, de 23 anos, preside a empresa júnior do curso de sistemas de informação da USP. Ela está organizando ciclos de palestras da Infosys em universidades de São Paulo. "Ainda tem muita gente que relaciona a Índia somente com call center. É uma pena", diz.
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Daniel de Lima Gomes • 17/02/2011 - 09:04
Curioso, segundo a notícia as empresas possuem diversas vagas em aberto, mas no site, só acusam três vagas abertas. Será que devemos confiar em uma empresa de TI que mal atualiza seu site ou fornece dados imprecisos?
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Felipe Ferreira Machado • 14/02/2011 - 15:52
Infelizmente onde moro este tipo de oportunidade é extremamente raro. Salvador é um fim de mundo memso...





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