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Conheça o perfil do futuro CEO da Oi

Por Luciana Carvalho, de Exame.com
• Segunda-feira, 30 de maio de 2011 - 18h14
Germano Lüders/EXAME
Valim foi responsável pela reestruturação da Net e, agora, terá que cumprir as metas que Luiz Eduardo Falco deixou para trás na Oi

SÃO PAULO - Uma pessoa disciplinada, com senso de justiça e habilidade para ouvir os outros, mas também capaz de liderar estratégias agressivas de negócios para reerguer sua empresa. É esse perfil que Francisco Valim, futuro presidente-executivo da Oi, demonstra.

No final de junho, ele vai deixar a Experian, onde é CEO para Europa, Oriente Médio, África e América Latina desde dezembro de 2009, para comandar a Oi. No novo emprego, ele vai ter um desafio e tanto: cumprir as metas que Luiz Eduardo Falco, atual chefe da empresa de telefonia, não conseguiu alcançar em seus últimos meses na companhia.

Valim vai assumir o cargo no momento em que a Oi passa por uma reestruturação societária para reunir as ações de todas as empresas do grupo em uma só companhia listada na bolsa.

Apesar da situação delicada, o professor Tarcísio Abreu, da pós-graduação do Ibmec, considera que o mercado vai absorver bem suas estratégias e ações para a Oi. “Os resultados recentes alcançados no Serasa somente confirmam seu estilo discreto, mas que poderá contribuir com a Oi frente a grandes desafios de crescimento e rentabilidade”, afirma.

Cada caso é um caso, mas esta não será a primeira vez que o executivo lidera mudanças estruturais em uma empresa de grande porte. Em 2003, quando ingressou na NET, o administrador de empresas se deparou com uma dívida de 1,242 bilhão de reais e um prejuízo de 1,125 bilhão, no ano anterior.

O resgate da empresa do fundo do poço consistiu em maior investimento na área de vendas, nas campanhas publicitárias e de marketing e na qualidade do serviço para quem já era assinante. Ao mesmo tempo, a dívida foi renegociada com os credores e as finanças foram colocadas, aos poucos, de volta nos eixos. Em 2006, a NET teve o primeiro lucro anual de sua história, graças à agressividade da gestão de Valim para manter clientes e gerar novas assinaturas.

Crença

Essa postura firme e dedicada é, em parte, fruto de sua passagem pelo exército, aos 18 anos, e de sua religião mórmon. Do período em que participou do serviço militar obrigatório, Valim tirou como lição maior a disciplina, que ele leva até hoje para o escritório. O trabalho de farda foi seu primeiro emprego, que durou um ano e meio. O salário não era nada mal. Na patente de "aspirante", ganhava entre 3.000 e 4.000 dólares por mês.

 

Já de sua crença, o executivo tira força e até ajuda em momentos decisivos nos negócios. Em uma entrevista dada a VOCÊ S/A, em 2009, ele afirmou que acredita que Deus fala com os homens e que, nas muitas vezes em que pediu ajuda ao plano superior para tomar uma decisão, a resposta veio.

Mesmo não sendo a decisão mais popular ou óbvia, era sempre a mais correta.

Nessa mesma entrevista, o presidente da NET, José Antônio Felix, afirmou que parece ser da religião que Valim tira sua calma, tranquilidade, habilidade para ouvir os outros, seu senso de justiça e imparcialidade.

O professor Tarcísio Abreu, do Ibmec, acredita que todas as empresas precisam de um gestor assim. “É importante ressaltar que essas características, em conjunto com seu espírito empreendedor e estratégico, permitirão a Oi alcançar seu desafios”, diz.

Trajetória

O próprio Valim não sabe dizer o que é propriamente fruto da religião ou não. Mesmo assim, tem consciência de que sempre foi estudioso e disciplinado nos tempos de colégio e não foi à toa que passou no vestibular logo na primeira vez que prestou o concurso, aos 17 anos - pouco antes de ser convocado para o exército. Depois de três anos e meio de engenharia, sentiu falta de uma abordagem mais humanística e migrou para a administração de empresas, curso em que se formou aos 24 anos, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Entre 25 e 26 anos de idade, já era gerente administrativo de uma pequena empresa para a qual havia criado um programa de contabilidade. Essa liderança, que aflorou relativamente cedo, se desenvolveu em seus trabalhos seguintes. Desde então, passou pela vice-presidência e diretoria financeira da RBS, pela diretoria financeira da Telemar (que, depois, virou Oi), pela presidência da NET Serviços e pela presidência da Serasa Experian e chefia operacional da Experian América Latina.

Antes de assumir a Oi, se despede do cargo de CEO da Experian para Europa, Oriente Médio, África e América Latina e também de Londres, onde morava. Para o professor do Ibmec, de volta ao Brasil, Valim deve encontrar um mercado de telecomunicações simpático em relação a seu perfil e ansioso por resultados ainda melhores do que os apresentados nas empresas em que trabalhou. A saída de Valim da Serasa Experian está marcada para dia 30 de junho. A Oi não comenta o assunto.

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