sexta-feira, 16 de março de 2012 - 20:21

O dia em que Zuckerberg demitiu Eric Schmidt

Diz uma técnica de RH que, se você quer saber o que há de errado numa empresa, deve conversar com seus funcionários insatisfeitos. Frustrados e convencidos de que seus chefes estão trilhando um caminho errado, eles relevam ao interlocutor que lhes dá atenção (e um certo apoio moral) ricos detalhes dos desmandos corporativos, falhas de gestão e desvios de conduta que qualquer empresa se esforçaria para deixar restritos às salas fechadas.

James Whitaker é um caso exemplar deste tipo de personagem. Ex-engenheiro do Google, Whitaker deixou o gigante das buscas para trabalhar na Microsoft e passou a desfiar um rosário de queixas conta o ex-empregador.

Segundo Whitaker, o tempo em que o Google era uma empresa inovadora e empregador dos sonhos para engenheiros criativos já acabou. Whitaker elogia Eric Schmidt, que como CEO do Google implementou medidas como dar 20% de tempo livre a cada funcionário, para que desenvolvessem projetos próprios e investiu no Google Labs, um espaço aberto para a criação de novas aplicações web.

Na narrativa de Whitaker, o Google entrou em parafuso quando se deu conta que o Facebook estava lhe roubando audiência, talentos e, sobretudo, receita publicitária. O sucesso da rede social teria pressionado os fundadores do Google a mudar sensivelmente a cultura da empresa, eliminar projetos deficitários e focar todos seus esforços em um único objetivo central: fazer o Google Plus crescer e, assim, barrar a expansão desenfreada do Facebook.

Eric Schmidt resistiu à mudança, argumentando que o coração pulsante do Google é a inovação e que dedicar esforços a criar produtos novos, mesmo que fora do escopo do Plus, seria uma missão fundamental da companhia.

O aparente imobilismo do Google no segmento de redes sociais, no entanto, tornou-se insustentável a medida em que Zuckerberg foi eleito homem do ano e sua rede social superava a marca dos 500 milhões de usuários (são quase 900 milhões hoje).

A resultante dessa equação foi o afastamento de Schimidt do centro do poder no Google, agora nas mãos de Page. Nada poderia ser pior, argumenta Whitaker, para quem Page age como um burocrata que só pensa na estratégia do Plus e em formas de vender mais e mais publicidade.

Há de se descontar a mágoa de todo ex-funcionário que perde seu espaço. Mas os argumentos de Whitaker são sólidos e coerentes com os recentes movimentos pragmáticos do Google, que melhoram seu desempenho no balanço trimestral… mas pioram suas perspectivas de inovação no futuro.

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