A Apple divulgou há poucos dias um lucro recorde de US$ 6 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor é praticamente o dobro dos US$ 3,2 bilhões anotados no mesmo período do ano anterior.
Como bem sabem os administradores de carrinhos de pipoca, para ter lucro alto é preciso produzir barato e vender caro. Os salgados preços de iPods, iPads e iPhones nós já conhecemos. E, convenhamos, paga caro quem quer pela grife Apple, que faz mil maravilhas, ainda que não suporte Flash e exija que toda troca de conteúdo role dentro do iTunes.
Quem também teve um lucro – este anual – astronômico foi a Foxconn, transnacional chinesa que fabrica os iPads e iPhones a preços baixos para a Apple lucrar alto. De acordo com o Washington Post, a Foxconn lucrou in-crí-ve-is US$ 100 bilhões em 2010! É tanto dinheiro que muita gente acreditou que o jornalão americano tinha confundido lucro com faturamento. Mas, acredite, são US$ 100 bi de lucros mesmo!
Como já disse Barack Obama certa vez, Steve Jobs é milionário porque merece, afinal “inventou duas ou três coisas revolucionárias”. Eu concordo. Jobs e os acionistas da Apple merecem cada centavo de seu lucro bilionário.
Mas uma coisa eles poderiam fazer: exigir que a Foxconn remunerasse melhor e tratasse com mais humanidade seus trabalhadores. Nos últimos 4 anos, 14 pessoas se mataram nas linhas de produção de iPhones na China. A Foxconn foi forçada a colocar grades nas janelas para que mais trabalhadores não se jogassem de lá.
Estudos de ONGs trabalhistas dizem que o funcionário só decide se matar porque introjeta tão fortemente a culpa por não ser um trabalhador melhor que prefere a morte à desonra de pedir as contas.
No caso da Apple, talvez seja hora de refazer as contas… para manter um pouco da honra.