O cofundador do Twitter, Biz Stone, cometeu o maior erro de sua brilhante trajetória como empreendedor ao anunciar, com todas as letras, que o microblog praticará a censura em vários países onde atua.
A declaração, uma decepção monumental para os ativistas que elevaram o nome do Twitter à condição de “ferramenta da liberdade” é aterradora. “A partir desta sexta-feira, nós forneceremos a capacidade de bloquear de forma retroativa conteúdos em um determinado país”, anotou a empresa californiana.
Pela nova regra, em alguns países será liberado a “entidades autorizadoras” (a expressão é do comunicado do Twitter!) a veiculação ou não de determinados conteúdos no microblog. Na prática, um grupo de “autoridades” vai decidir se aquele post pode ou não circular no microblog. A decisão equivaleria a dar a Hosni Mubarack, o ex-ditador do Egito, o direito de controlar o que aparece no Twitter de seus cidadãos, em plena crise política.
Não à toa, hackativistas do Anonymous convocaram um boicote – que não deu em nada, aliás – ao uso do Twitter ao longo do sábado.
A motivação por trás de uma decisão tão vexatória é o desejo que o Twitter tem de crescer em novos mercados, como Arábia Saudita e China, países que censuram a internet. Do ponto de vista dos negócios, é um passo absolutamente lógico para uma plataforma que deseja ser aceita em todo o mundo.
Pouco tempo antes do céu desabar sobre o Megaupload, o serviço de compartilhamento de arquivos estreou uma polêmica campanha de marketing que apresentava o produto como lícito e útil para a vida de milhões de internautas.
O vídeo promocional, com quatro minutos de duração, mostrava estrelas do hip-hop como Kanye West, Puff Daddy, Snoop Dogg, Jamie Foxx e Mary J. Blige cantando versos a favor do serviço.
Na ocasião, a Warner e a Universal, gravadora das estrelas do hip hop, se enfureceram. Como nossos artistas podem promover um serviço tão vil!?, questionaram.
Pelo menos por enquanto, as gravadoras parecem ter vencido a batalha. Afinal, o Megaupload foi tirado do ar e seu fundador, o alemão Kim Dotcom, foi parar na cadeia acusado de lucrar contra a pirataria. O valor da vitória dos estúdios equivale a zero. Hoje mesmo, milhões de arquivos foram trocados na web por uma infinidade de serviços similares, como 4Shared e por meio de clientes P2P, como uTorrent e tantos outros.
A perspectiva de que o Congresso americano aprove uma lei retrógrada que afetará duramente as companhias de internet, levou grandes marcas da web, como Google, Facebook e Twitter a anunciar o apocalipse.